| Renan Casal |
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| Nesta sexta-feira, cratera se abriu no cruzamento das ruas São Loureço com a Carlos Marques, no Jardim Bela Vista; local foi aterrado ontem (ao lado) e asfalto deve ser reposto amanhã |
Na última semana, Bauru sofreu com ocorrências de grandes crateras e até mesmo com o desabamento de parte do Sambódromo. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, a cidade enfrenta um problema antigo e que sempre dá as caras em épocas de chuva: a precariedade da rede de drenagem do município. E, por isso, a própria pasta admite que, hoje, a única coisa a se fazer é "remediar" por não ser possível "prevenir". Trata-se de um questão que, apesar dos valores astronômicos envolvidos, o poder público precisará encarar um dia.
O secretário de Obras, Ricardo Olivatto, confirma que a drenagem no município é ineficiente e que o problema não é de hoje. "Sempre foi aquém da necessidade. O que existe hoje na cidade está longe do que seria o ideal. Infelizmente, muitos bairros de Bauru carecem de redes de galerias de drenagem e, por isso, algumas áreas ficam sobrecarregadas e apresentam esse tipo de problema".
'MAIS DE R$ 700 MILHÕES'
Para implantar uma rede de drenagem adequada em Bauru e que resolva os problemas atuais, o secretário estima um valor astronômico. "Sem medo de errar, eu chuto em mais de R$ 700 milhões, sendo R$ 350 milhões só na Nações Unidas. E isso não é só para fazer a drenagem de forma correta, mas para destruir aquilo que já foi feito. Porque foi construído o asfalto e, embaixo, a rede de água e esgoto, sem a drenagem. Teríamos que destruir o que está feito para implantar a rede de drenagem e reconstruir tudo. Por isso, o valor absurdo".
Além da rede de drenagem, o secretário também ressalta a falta de bueiros em pontos distintos da cidade. "Os asfaltos estão ruins em diversos pontos e bairros da cidade por conta da falta de bueiros. As avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima são exemplos. Nós recapeamos o bairro Santa Terezinha inteiro no ano passado e lá não tem nenhum bueiro. Região do Popular Ipiranga, só tem galeria de drenagem e bueiro nas partes baixas, assim também no Carolina".
SÓ REMEDIAR...
A Secretaria de Obras remedia os problemas conforme eles surgem. "Quando acontece o problema, a gente vai e corrige. É assim que a secretaria vem trabalhando até o momento. Com exceção ao acesso à rua Luiz Levorato, que implantamos galerias na situação adequada, pensando, futuramente, na implantação do bairro Jardim Marabá. Colocamos rede de galeria suficiente para, quando o bairro crescer, já termos drenagem preparada para receber essa água do bairro. O restante da cidade, infelizmente, muito asfalto e nada de drenagem".
Segundo o titular da pasta, não são instalados mais bueiros porque aumentaria o valor. "Quando fazemos uma intervenção no local, nós recuperamos. Se eu tiver que construir a rede de drenagem para o local, eu começo a resolver esses problemas, mas uma intervenção de R$ 10 mil pode passar a custar até R$ 1,5 milhão. Onde eu consigo essa verba?", questiona.
Olivatto finaliza pontuando que Bauru teve a engenharia negligenciada no passado. "Não ouviram aquele ditado 'água mole em pedra dura tanto bate até que fura'. Se Bauru tivesse um melhor planejamento na implantação nas redes de galeria de drenagem, com certeza, nós sofreríamos bem menos do que nos dias de hoje", conclui.
CASOS RECENTES
Na última quinta-feira, funcionários do DAE e Secretaria de Obras realizaram serviços na rua Marcilio Dias, após a contenção da grande erosão que se formou na quadra 13 dessa via, provocada pelo rompimento de tubos da rede de galerias pluviais.
"A rede estava com mais de 50 anos, com uma inclinação bastante exagerada. Então, nós substituímos a tubulação por uma mais nova com inclinação superficial. Estávamos quase terminando, quando rompeu uma rede de água do DAE, por conta da escavação. O DAE está se aproximando com a setorização do Bela Vista, então estamos aguardando que eles realizem os trabalhos no local, nos próximos dias, para fazermos o asfalto na sequência. Para isso, precisamos ficar sem chuvas", explica Olivatto.
Anteontem, mais dois casos. A erosão na área dos camarotes no Sambódromo, no Geisel, e uma cratera formada no cruzamento das ruas São Loureço com a Carlos Marques, no Jardim Bela Vista. De acordo com o DAE, o último caso foi provocado pela ruptura da tubulação de galerias pluviais que caiu sobre a rede de água provocando o vazamento. Ontem, foi feito o aterramento e o asfalto deve ser reposto amanhã.
Em relação ao Sambódromo, Olivatto destaca que, ainda que seja um efeito da falta da drenagem, as causas da erosão ainda serão estudadas.
