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Drenagem total custa R$ 700 milhões

Thiago Navarro e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 6 min

Douglas Reis
Ricardo Olivatto, Gazzetta e Etelvino Zacarias avaliam os estragos na avenida Daniel Pacífico

Após mais uma tragédia, a pergunta que fica é como acabar com o problema crônico de enchentes em Bauru. A solução, conforme o JC mostrou no último domingo (17), custa mais de R$ 700 milhões. Apenas a drenagem da Nações Unidas, principal ponto de alagamentos da cidade, ficaria em R$ 350 milhões. A prefeitura ainda precisaria gastar valor semelhante para a construção de microdrenagem em regiões que possuem poucas galerias e bueiros. A falta de estrutura, além das enchentes, leva a outros problemas, como a abertura de erosões e a destruição do asfalto durante os temporais, pois o escoamento é insuficiente para dar conta do volume de água.

O secretário de Obras, Ricardo Olivatto, frisa que a prefeitura não possui essa verba e que precisará buscar nos governos federal e estadual. Para obras menores, especialmente de microdrenagem, emendas parlamentares podem ajudar.

Nessa quinta-feira (21), o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) disse que vai procurar o Estado para ajudar na construção de barragens em córregos, como o Água da Grama. Em outros, como o Água do Sobrado, Barreirinho e Água do Castelo, algumas contenções foram construídas em anos anteriores, o que vem ajudando a conter o volume de água.

REPAROS CONTINUAM

A região Oeste da cidade foi a que mais teve problemas com a chuva dessa quinta (21), especialmente as vias próximas ao Córrego Água da Grama.

Palco da tragédia que matou mãe e filha, a avenida Daniel Pacífico, ligação entre o Jardim Bela Vista e a Vila Falcão, deve ser reparada dentro de cinco dias. A previsão da prefeitura é condicionada aos fatores climáticos. "Vamos avançar no fim de semana e devemos terminar até segunda-feira. Se voltar a chover, aí, talvez, vamos precisar ir mais um pouco, mas devemos terminar até a semana que vem. O sentido da Falcão para o Bela Vista é que foi atingido. Estamos reconstruindo as galerias. Depois, com o solo seco, faremos a compactação de terra para, depois, colocar o asfalto. No outro sentido, o trânsito está em mão dupla e, depois, possivelmente, vamos acertar o asfalto que está ruim", afirmou.

Na quadra 2 da rua São Sebastião, não houve necessidade de interditar o trânsito e o serviço também seguirá por mais alguns dias para compactar o talude e evitar problemas nas galerias.

Já na avenida Comendador Martha, a contenção de uma erosão após a linha férrea é a prioridade e também deve ser feita nos próximos dias pelo município.

MAIS PLACAS

O prefeito Clodoaldo Gazzetta afirmou ao JC que, durante este ano, vai pedir para a Emdurb implantar mais placas de aviso de risco de alagamento. "Vamos colocar mesmo em áreas que não costumam alagar, mas onde há esse risco, para que as pessoas redobrem a atenção", citou.

QUANTO CHOVEU?

Segundo o IPMet, choveram 23 milímetros entre 21h de quarta-feira e meia-noite dessa quinta (21), em Bauru. Segundo o meteorologista Fernando Tavares, que estava de plantão durante a precipitação, ela foi uniforme em toda a cidade, segundo mostravam os radares meteorológicos.

Os equipamentos, portanto, descartam a possibilidade de chuva mais intensa em determinados pontos do município. Para Tavares, à noite, a precipitação começou fraca, sendo que, na sequência, evoluiu para moderada e forte. No entanto, cessou logo nos primeiros minutos de quinta-feira. No site do IPMet, consta que choveram 28,9 milímetros na quarta-feira, sendo que quase seis milímetros foram registrados por volta das 16h de quarta-feira.

Já o prefeito Clodoaldo Gazzetta e o secretário de Obras, Ricardo Olivatto, acreditam que a chuva tenha sido mais forte na região Oeste, pelo volume do Córrego Água da Grama, e estimam que o volume pode ter chegado perde de 100 milímetros, assim como na região do Água do Paiol, na área rural do município.

Sem estado de emergência

Na parte estrutural, o prefeito Gazzetta descartou publicar um decreto de emergência. "A chuva não provocou estragos significativos a ponto de ter estado de emergência. As equipes começaram a fazer os reparos nos pontos mais atingidos e vamos dar conta de resolver em pouco tempo. A região do Córrego Água da Grama foi a mais atingida. O IPMet falou ontem em pouco mais de 28 milímetros, porém, pela força da água, certamente foi bem mais naquela parte da cidade. Agora, estamos atuando na recuperação dos pontos mais críticos", frisou.

Ele ainda lamentou as mortes de mãe e filha. "O fato realmente grave desse temporal foram as duas mortes. É algo que lamentamos muito. A perda de vidas humanas é algo irreparável. Foi uma fatalidade. Conversei com moradores daquela região e eles não se lembram de um alagamento tão grande naquele ponto. Estamos tristes pelas mortes que aconteceram", citou.

Passarela pode ter colaborado no transbordamento

A passarela que foi levada pela chuva na quadra 10 da Nuno de Assis e parou duas quadras depois, na ponte da Nações Unidas, pode ter ajudado a provocar o alagamento da via, cita o secretário de Obras, Ricardo Olivatto. Isso também pode ter contribuído para que a Nações tivesse menos volume de água nessa quinta-feira (21).

"A passarela ficou presa na ponte da Nações, o que certamente reteve muita água e o Rio Bauru transbordou, pois é pouco comum alagamento nessa região. Tanto que o rio transbordou apenas antes da Nações. Esse fato também pode ter ajudado a água que vinha da Nações a entrar mais rápido no rio, o que ajudou a evitar mais alagamentos na Nações, mas, por outro lado, acabou alagando a Nuno".

Chuva matou 38 em SP de dezembro até quinta-feira

A Defesa Civil do Estado de São Paulo contabilizou 38 óbitos por conta da chuva em todo o território paulista, entre dezembro de 2018 e março de 2019. As duas mortes, em Bauru já estão inseridas tal estatística.

Subsecretário de Proteção e Defesa Civil do Estado de São Paulo, o major Henguel Ricardo Pereira informa que, dos 38 óbitos, 16 foram causados por inundações. O restante variou entre raios, deslizamentos, ventanias e quedas de árvores.

Logo, Henguel aproveita a oportunidade para fazer um alerta. “É imprescindível evitar pontos de alagamento e inundação. Se surpreendido, não atravesse, de jeito algum. Caso contrário, você pode ficar vulnerável e se afogar”, orienta.

Sensibilizado pela tragédia recente, o major informa que uma equipe do órgão foi deslocada para o município. O intuito, segundo ele, é dar suporte ao atendimento da Defesa Civil da cidade e, futuramente, interceder junto ao governo estadual em busca de recursos para a reestruturação do asfalto, das galerias e das pontes (leia mais abaixo).

Ajuda do Estado

O governo estadual mandou um técnico da Defesa Civil do Estado para Bauru, nessa quinta-feira (21), que percorreu os pontos mais críticos na área rural. De acordo com o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), o Estado vai ajudar na reconstrução de uma ponte, que deve ser indicada pela prefeitura em estradas rurais. “A Defesa Civil do Estado fez a vistoria em sete pontes na área rural, e nos disse que vai reconstruir uma delas. O restante eles poderão nos ajudar de alguma outra forma e ficará mais com o município, ainda vamos levar algum tempo para recuperar”, lembrou. A estrada rural da Água do Paiol foi a mais atingida pelas chuvas de ontem, e o secretário de Agricultura, Levi Momesso, disse que ainda vai avaliar qual ponte terá prioridade na reconstrução.

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