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Para onde o conhecimento pode ir

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Em outro jornal do interior paulista, um leitor reclamou que o espaço de opinião estava sendo usado apenas para tratar de questões de natureza pessoal, que nada contribuíam para o missivista inconformado. Ora, opinar é expressar pensamentos sem a necessidade de uma confirmação ou embasamento.

Isso seria o papel do jornalismo, que também é constituído de versões, não apenas de fatos. O que aquele leitor não quis dizer é que as opiniões lidas não são as dele e, daí, a discordância.

Se houve um tempo do cuidado com o politicamente correto, de não ofender grupos ou pessoas por meio de comparações ou analogias indevidas, hoje é o tempo da ojeriza à discussão, no qual todos devem se resignar e qualquer contestação é tratada como mimimi. Opino, sim, sem receios, mas ciente das pedradas, virtuais ou reais.

O governo é da mentira, mas o Brasil é um país de verdade. A desarticulação política é apenas mais uma faceta da inépcia instalada em Brasília. O presidente vai aos EUA lamber as botas de Trump, envergonhando o país ao liberar visto para os turistas de lá, sem a recíproca para os de cá.

E entope as redes sociais de cortinas de fumaça para mascarar seu insucesso. Até quando ele sustentará - ou será sustentado - essa posição, talvez nem Moros e Mourões saibam.

O esquecimento e o desvio da atenção são armas de guerrilhas e da ditadura. Um ano da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes e, mesmo com tardia indicação de suspeitos do crime, continua o discurso de que os políticos que homenageiam milicianos nada têm a ver com o caso.

De outro lado, crianças morrem em atentado que deve ter explicações psicológicas e sociais, mas o instrumento de execução foi uma arma de fogo. Mesmo assim, faz-se a defesa do porte e posse de armas.

Na educação, todavia, há algum alento, com a discussão havida dias atrás com os secretários municipais, ou seja, com quem está ligado à gestão do sistema. Esquecemos, no entanto, que a empatia aluno-professor é um dos pilares do aprendizado. Ao transformar o estudante em mercadoria e o educador em custo, quebra-se essa simbiose.

Nesse ambiente de faz de conta, discute-se o direito de magistrados e procuradores emitirem opiniões, mas esses doutos senhores se esquecem que são representantes do povo e não possuem poder advindo de alguma fonte sobrenatural.

Jogam midiaticamente para a torcida, isso é fato, mas há uma lei maior a ser cumprida que é a Constituição. O mundo em que eles vivem não é condizente com as precariedades mundanas da grande maioria da população.

O autor é pesquisador da Unesp Rio Claro - adilson.goncalves@unesp.br

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