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Epidemia de dengue impacta na Saúde com números 'astronômicos'

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

A epidemia de dengue em Bauru tem impactado fortemente na Saúde e gerado números "astronômicos", que vão além dos milhares de casos registrados da doença. Nos três primeiros meses deste ano, o atendimento em unidades médicas de urgência e emergência do município aumentou 32% em comparação com 2018. Volume que se torna ainda mais expressivo ao contabilizar recursos médicos utilizados na batalha contra a doença. O soro, por exemplo, teve 11.000% de aumento no uso. Meio de hidratação essencial no tratamento, de 400 frascos, as unidades passaram a usar 47 mil frascos, no período entre 1 a 26 de fevereiro. O recorte compara 2019 com 2018. 

Também comparando o mês de fevereiro, o consumo do medicamento dipirona aumentou de 16 mil ampolas para 36 mil. Um expressivo crescimento de 125%.

O diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) de Bauru, Rafael Arruda, explica que, para dar conta de tamanha demanda, houve uma suplementação nas compras da prefeitura. "Com o decreto emergencial, não é preciso licitação. Então, a entrega é mais rápida", cita o médico.

Cada paciente utiliza, em média, 4 litros de soro por dia. "São 80 mililitros por quilo. A hidratação é importante por minimizar os sintomas. Em casos leves, a hidratação também é feita via oral", completa. 

ATENDIMENTOS

A rede de urgência e emergência de Bauru abrange o Pronto-Socorro Central (PSC) e as quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Os atendimentos gerais registrados no período de 1 de janeiro a 18 de março cresceram de 109.357, em 2018 para 144.173 em 2019, um aumento de 32%.

Se comparado com os atendimentos efetuados em 2017, quando 99.539 pacientes foram atendidos, a margem aumenta ainda mais: 45%. 

Para dar vazão aos atendimentos, a prefeitura criou um Posto Avançado da Dengue (PAD), que começou a funcionar no fim de fevereiro no antigo prédio do Pronto Atendimento Infantil (PAI, ao lado do PS Central). O local visa o atendimentos de pacientes com quadro grave da doença.

"Estamos conseguindo atender a todos, sem prejuízo ao atendimento dos pacientes com outras doenças", fecha a questão Arruda.

DENTRO DO ORÇAMENTO?

Dos quase R$ 8 milhões gastos pela Prefeitura Municipal com ações da Vigilância Ambiental pela cidade na intenção de frear a proliferação do mosquito e cessar a epidemia, só R$ 3 milhões devem ser repassados pelo Ministério da Saúde.

"São números que representam tudo o que o município tem arcado quando falamos em dengue. Ainda não é possível prever qual a repercussão que esse aumento pode provocar nas contas. Os valores serão fechados no fim deste quadrimestre", afirma o José Eduardo Fogolin, secretário Municipal de Saúde.

SALDO TRÁGICO

O saldo trágico da dengue no município é de 12 mortes até o momento e de 7.511 casos registrados. Conforme o JC noticiou, 2019, ainda em março, já conta com o dobro de mortes dos anos anteriores que tinham recorde de letalidade.

O ano também entra para a história como o segundo com maior número de casos de dengue, superando 2013, quando foram 7.434 pessoas com a doença. Somente 2015 contabiliza um saldo maior de casos confirmados. Naquele ano, de acordo com os dados da Secretaria Municipal de Saúde, foram registradas 8.482 ocorrências.

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