Tribuna do Leitor

Chuva, Tragédia e Dor

Professor Luis Fabiano S. Gomes (Lufa)
| Tempo de leitura: 2 min

Na madrugada do dia 21 de fevereiro fui acordado com uma notícia triste, que abalaria meu ser durante todos os dias subsequentes. Poderia ter sido mais uma notícia sobre chuvas fortes e enchentes no final do verão em Bauru, porém, estas águas de março anunciavam uma tragédia. Contudo, a destruição das chuvas não é nenhuma novidade em um município onde o Poder Público parece ineficiente quando se trata de resolver problemas estruturais.

Após me levantar naquela madrugada, eu não queria acreditar naquilo que eu havia lido em uma mensagem pelo celular. A notícia trazia a informação sobre o falecimento de duas mulheres (mãe e filha), devido às fortes chuvas. No caminho para o trabalho fui orando e pedindo a Deus para que aquilo que eu mais temia não fosse verdade. Pedi a Deus para quando eu chegasse ao colégio, eu pudesse ver o rosto dela sorridente na sala de aula.

Mas meu pedido e oração não foram atendidos e a confirmação do meu temor se tornou real. A minha querida aluna Bianca Prado da Silva e sua mãe Luciene Regina do Prado Silva haviam sido levadas pelas águas das enchentes que mais uma vez arrasaram com Bauru e com nossos corações. Ali foram se foram vidas e sonhos.

O choro e lágrimas ecoaram em uma escola cheia de alunos, mas tomada pelo silêncio e dor. E ainda dói!

Em minha curta carreira docente já havia vivido muita coisa, mas nunca perdido um aluno. O ofício do professor nos permite passar dias, horas, minutos e segundos em sala de aula, compartilhando sonhos, medos, desafios. E hoje, quando paro e penso que não verei mais aquele rosto alegre e sorridente em minhas manhãs, meu coração aperta, os olhos enchem de lágrimas. Mas quero guardar em memória e no coração todos os momentos vividos em sua presença, Bianca.

Aqui ficam parentes, amigos, colegas, professores tristes, porém com a certeza de que sua presença estará em nossos corações. E pela fé sabemos que você e sua mãe estão na presença de Deus, cantando e sorrindo, como você fazia tão bem no coral do colégio e da igreja.

Nestas horas, faltam palavras para expressar os sentimentos, por isso quero apenas agradecer pelo tempo vivido entre nós. Um grande abraço e até a eternidade.

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