Quem vê o Rei Roberto Carlos, 77 anos, sorrindo por aí de camisa rosa, a atriz Luciana Vendramini, 48 anos, arrancando risos na trama das seis da Globo, "Espelho da Vida", ou mesmo o astro norte-americano Michael Douglas como destaque da série "Método Kominsky" (Netflix), aos 74 anos, provavelmente não sabe que os três travaram duelos sangrentos com a própria mente para superar transtornos psiquiátricos e continuar na ativa e com talento.
Se o Rei até hoje lida contra um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) que mal lhe permite variar o tom azul da roupa e proferir letras de determinada música - "quero que tudo vá para o inferno" -, com o perdão, Rei, Douglas diz ter superado a compulsão por sexo que quase acabou com seu casamento com a atriz Catherine Zeta-Jones, enquanto Luciana ainda briga para estabilizar o mesmo TOC que acomete Roberto Carlos, além de depressão e ansiedade.
O que é importante destacar, contudo, é que transtornos mentais não estão restritos aos famosos. Muito pelo contrário: atingem todas as classes sociais, sem distinção de credo, orientação sexual ou cor.
E o pior: podem ser ainda mais destrutivos e perpetuantes nas classes mais baixas, incentivadas a ignorar o problema por ser "coisa de rico".
A questão é que tem muita gente que passa dificuldade financeira e emocional justamente por causa de sua doença mental, e não o contrário. É o que defende o jornalista e um dos maiores especialistas em depressão do mundo, Andrew Solomon, em seu livro "O Demônio do Meio-Dia", um tratado sobre o assunto.
Por isso, é importante estar atento aos sinais de que algo não vai bem. Ansiedade exagerada, tristeza sem motivo, dificuldade para se levantar da cama e falta de prazer nas atividades do dia a dia são alguns sintomas.
Na rede pública, o SUS atende pacientes por meio dos CAPs e fornece remédios como lítio (para transtorno bipolar) e fluoxetina (para depressão) em unidades da AMA (Assistência Médica Ambulatorial) e UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Não é tudo o que o paciente precisa. Mas é um caminho.
Segundo dados do governo de São Paulo, 12% da população precisa de algum atendimento em saúde mental, seja ele contínuo ou eventual.
Dados internacionais, por sua vez, apontam que os transtornos atingem 20% das pessoas do mundo, em algum momento da vida.
Outra boa forma de se manter atento é ter a mente sempre ativa, por meio da leitura de livros e reportagens como esta, pela prática de passatempos como palavras cruzadas e sudoku e pelo acompanhamento do noticiário diário.