| Divulgação |
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| Plântula após a germinação; sucesso depois de anos de expectativa |
| Malavolta Jr. |
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| Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico |
O Jardim Botânico Municipal de Bauru está comemorando 25 anos de fundação neste ano com uma importante conquista. A instituição conseguiu reproduzir exemplares de bromélia da espécie Dyckia ibiramensis, que está ameaçada de extinção.
Depois de anos de expectativa, foi possível semear as primeiras sementes, que germinaram recentemente, em mais uma ação do Botânico para contribuir com a conservação da biodiversidade da flora brasileira. O diretor Luiz Carlos de Almeida Neto explica que todo o trabalho foi coordenado pela bióloga Viviane Camila de Oliveira, da seção de coleções vegetais do Jardim Botânico.
"Ganhamos exemplares há alguns anos. Como fazemos com todas as espécies ameaçadas de extinção, realizamos experimentos para conseguir germiná-los e, depois de alguns anos, alcançamos este resultado bem-sucedido", conta ele.
Atualmente, o Jardim abriga mais de 240 plantas ameaçadas de extinção, como bromélias, orquídeas e palmeiras. Endêmica do Brasil, a Dyckia ibiramensis é considerada uma espécie criticamente em perigo de extinção na Lista Vermelha da Flora do Brasil, o que significa que o risco de ela desaparecer da natureza é extremamente elevado.
Viviane explica que a Dyckia ibiramensis ocorre exclusivamente na Mata Atlântica do Estado de Santa Catarina. Os exemplares crescem naturalmente às margens do Rio Itajaí do Norte.
"Trata-se de uma planta que se adapta às variações extremas das enchentes e vazantes, com habitat superúmido durante as enchentes, variando para seco nos períodos de estiagem", pontua.
AMEAÇA
Segundo ela, a grande ameaça às populações naturais deste tipo de bromélia é o efeito da instalação de hidrelétricas em sua área de distribuição, que resultou na submersão total de duas subpopulações. Com o objetivo de reproduzir exemplares, em 2013, o Jardim Botânico de Bauru recebeu a doação de algumas destas plantas, clones de indivíduos coletados durante a construção de barragens ao longo do Rio Itajaí do Norte.
Seis anos depois, em 2019, uma das bromélias floresceu, frutificou e produziu sementes, que foram semeadas e germinaram. "Quando a gente consegue multiplicar estas plantas, é um sinal de que o Botânico está dando mais um passo a frente, ao adquirir o domínio sobre a reprodução desta planta para, quem sabe, recolocá-la na natureza", acrescenta Almeida Neto.
Agora, além de aumentar o número de Dyckia ibiramensis na coleção do Botânico, a ideia é também disponibilizar estas bromélias a outros jardins botânicos comprometidos com a conservação de espécies ameaçadas, inclusive aqueles inseridos nos locais de ocorrência destas plantas, para que possam idealizar ações de reintrodução em seu habitat.
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