| Malavolta Jr. |
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| A reunião na Secretaria de Saúde teve participação da prefeitura e dos governos federal e estadual |
O Ministério da Saúde encaminhou técnicos a Bauru, ontem, para avaliar a grave epidemia de dengue no município e a prefeitura pediu R$ 10 milhões ao governo federal para repor o que já foi gasto com a doença e mais despesas que ainda virão.
A cidade é a que mais tem casos de dengue e óbitos no Estado de São Paulo neste ano. Na maior epidemia da história, já são 9.232 registros e 12 mortes confirmadas até o momento. Ainda há oito vítimas fatais em investigação.
O valor destinado para tratar pacientes com dengue já superou em R$ 7 milhões o previsto na Secretaria de Saúde e o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) afirma que precisou fazer cortes em outras áreas, como investimentos em obras e meio ambiente, para dar conta do atendimento. A estimativa é gastar mais R$ 3 milhões. Após a reunião, ocorreram visitas a algumas unidades de saúde.
De acordo com Rodrigo Said, coordenador do Programa Nacional de Combate a Transmissões pelo Aedes do Ministério da Saúde, o pedido de verba passará por análise do governo federal, com base nos dados coletados nas visitas de ontem e do que já foi passado pelo governo municipal. "A discussão será no Ministério da Saúde. O nosso compromisso é fazer a análise. Mantemos repasses mensais para o controle do vetor. Neste momento, a prefeitura está gastando mais por conta da epidemia, por isso haverá a avaliação da possibilidade de mais verba", confirma.
Conforme o JC noticiou, a presença dos profissionais do Ministério da Saúde aconteceu a pedido do deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB), após reunião na semana passada com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Os assessores parlamentares Daniel Camargo e Sílvia de Deus, do escritório regional do deputado, estiveram na reunião. O Estado também mandou técnicos para o município nessa quarta-feira (3).
PREVENÇÃO
O governo federal pretende ajudar na prevenção de novas epidemias. "As ações de controle devem ser feitas entre União, estados e municípios. Nesta visita, estamos procurando ampliar ações e estratégias, contribuindo em discussões técnicas para o controle do vetor. O Ministério está fazendo isso em todos os locais onde houve o aumento de casos e o que nos foi apresentado está de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde. Também vamos ainda tirar algumas dúvidas dos profissionais", afirma Said.
Para Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, a proposta é evitar novas epidemias com a mesma proporção. "Várias reuniões já aconteceram. Esse momento é de integração, para melhorar as ações. O Estado e o município já estão trabalhando e, agora, somam os esforços do Ministério da Saúde. A notificação dos casos está sendo feita. A entrada do vírus 2 fez com que mais pessoas ficassem suscetíveis, isso está acontecendo em várias regiões do Estado. Vamos olhar para frente, buscando evitar novas epidemias, porque o Aedes transmite ainda o zika vírus e a chikungunya", avalia. "No caso da dengue, é possível que uma vacina esteja pronta até 2021, mas, para as outras doenças ainda não, então o controle do vetor precisará continuar", frisa.
'É impossível comparar epidemias'
Secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin destaca que não é possível comparar a epidemia atual com a de outras épocas, por conta do vírus 2, que é mais agressivo e faz com que mais pessoas procurem as unidades de saúde. "O vírus do tipo 2 possui uma manifestação clínica diferente, então, é impossível comparar. A gente deu um passo a mais na assistência, foi a rede que deu a maior resposta nos últimos anos. Já tínhamos as tratativas com a Secretaria de Estado e, agora, com o Ministério da Saúde. Entramos em um momento de estabilização da epidemia, o que estamos discutindo é um aprendizado para evitar outras situações. O mais importante agora é o cuidado com o paciente para evitar mortes", lembra.
Para ele, a prefeitura está intensificando ações e a população também deve colaborar. "A Secretaria de Saúde já segue as determinações para o controle do vetor e, mesmo com a epidemia podendo diminuir, ainda pode ocorrer a circulação do vírus. Então, a Vigilância Ambiental deve ser constante com o apoio da população em geral". O secretário afirma que não há casos de zika ou chikungunya.
