Política

Servidores municipais suspendem greve

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Servidores em protesto na semana passada, quando começou a paralisação suspensa nessa sexta-feira (5)

Os servidores públicos municipais de Bauru decidiram nessa sexta-feira (5) de manhã suspender a paralisação que já durava nove dias. A greve começou na semana passada e chegou a ter a adesão de mais de 400 servidores, mas, nos últimos dias, tinha em média 200 pessoas na campanha salarial por reajuste. A categoria, porém, não aceitou a proposta de acordo do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), especialmente no desconto dos dias parados, e uma decisão pode ocorrer na audiência de conciliação marcada para esta terça-feira, às 14h, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Ela foi marcada após pedido da prefeitura para que o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) cumprisse determinação de manter 70% da categoria atendendo em todas as atividades.

O advogado do Sinserm, José Francisco Martins, afirma que a categoria recusou a proposta do prefeito, pois o entendimento é de que haveria possibilidade de reposição, e não de desconto no salário.

"A categoria entendeu que deveria encerrar a paralisação, mas continuar em estado de greve, portanto, podendo retomar a qualquer momento a paralisação. Agora, teremos uma audiência de conciliação, porém, o acordo precisa beneficiar os servidores", comenta. "A prefeitura fala em reposição dos dias na Educação, para cumprir o ano letivo. Então, é possível fazer o mesmo nas outras áreas, pois o direito de greve é constitucional. O entendimento dos servidores foi de pouca negociação por parte do governo mais uma vez e não foi possível aceitar o acordo de greve da maneira como foi encaminhado", destaca Martins.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta confirma que a prefeitura estará presente na audiência de conciliação em São Paulo, mas diz que o acordo proposto não será alterado. "O que mandamos para o sindicato não muda. Já houve entendimento de que os dias parados devem ser descontados. O desconto começou a valer na segunda-feira. Foi o prazo que demos para o retorno ao trabalho, pois estava encerrada a negociação. Já tínhamos oferecido tudo o que era possível na condição atual, sem comprometer a parte financeira. Agora, haverá a audiência de conciliação. O que pode ocorrer é a Justiça propor alguma outra possibilidade de acordo, mas, da nossa parte, o que foi mandado para o sindicato é o que será apresentado de novo", conclui.

PROPOSTAS

Assim como já ocorreu em anos anteriores, a proposta da prefeitura e da Emdurb foram diferentes.

Na empresa municipal, os servidores participaram do primeiro dia de greve, mas saíram após proposta de abono de R$ 100,00 e vale-compra de R$ 500,00.

Para a prefeitura, Departamento de Água e Esgoto (DAE) e Funprev, o reajuste é de 2% para todos os servidores, aumento do vale-compra de R$ 451,00 para R$ 500,00, abono (antigo-vale refeição) de R$ 360,00 para R$ 374,00 de maneira integral para quem recebe até R$ 2.788,78 e escalonado para quem recebe até R$ 3.162,76, vantagem pessoal de R$ 600,00 para quem recebe até R$ 2.684,35, e manutenção do abono de R$ 70,00 concedido ano passado.

PROJETO ENVIADO À CÂMARA

O projeto de lei com o aumento já foi encaminhado para a Câmara Municipal, e começa a tramitar a partir da sessão de segunda-feira. Caso aprovado em todas as comissões, já pode ir para votação em plenário na semana seguinte. No projeto, o governo estima em R$ 20 milhões o impacto anual do reajuste. A prefeitura também mandou para a Câmara o projeto de lei com reajuste de 2% nos subsídios do prefeito, vice-prefeito e secretários, o mesmo aplicado aos servidores nesta campanha.

 

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