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Triplica interesse do produtor rural pelo cultivo de abelhas sem ferrão

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Aceituno Jr.
José de Moura (de vermelho) e Raoni Duarte palestraram ontem

Nos últimos quatro anos, triplicou o interesse do produtor rural, em Bauru, pelo cultivo de abelhas sem ferrão, chamado de meliponicultura, conforme estimativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Este cenário é motivado pela onda de alimentação saudável e pela possibilidade de obter renda extra. Ontem, aproximadamente 100 agricultores participaram de um evento sobre o tema, no Recinto Mello Moraes, em Bauru.

Coordenadora do Senar no município, Cleusa Evaristo afirma que este é o quarto ano consecutivo em que o órgão, em parceria com o Sindicato Rural de Bauru, promove o "Melíponas Sem Limites". O intuito é capacitar os produtores interessados no cultivo de abelhas sem ferrão.

Ainda de acordo com Cleusa, o Senar não fomenta demandas, apenas vai ao encontro das tendências seguidas pelos próprios agricultores. "É uma atividade barata e fácil. Logo, qualquer produtor consegue desenvolvê-la", justifica.

Engenheiro agrônomo e instrutor do Senar em Bauru, José Renato de Carvalho Moura explica que a prática costuma começar como hobby. "Depois, existe toda uma tendência envolvendo o lado ecológico e a alimentação saudável", acrescenta.

Em terceiro lugar, o profissional argumenta que a atividade é de baixo investimento e proporciona a possibilidade de obter renda extra. "Hoje, a meliponicultura ainda é menor do que a apicultura, que é o cultivo de abelhas com ferrão, mas a tendência é de crescimento", constata.

SEM MODIFICAÇÃO

Aceituno Jr.
Coordenadora do Senar em Bauru, Cleusa Evaristo revela que o produtor rural se interessa cada vez mais por abelhas sem ferrão

Já o engenheiro agrônomo e doutor em Entomologia Raoni Duarte acrescenta que as abelhas sem ferrão são fruto da própria natureza, ou seja, não passaram por qualquer modificação genética. 

O habitat desta espécie é a América Central e a América do Sul. Por isso, o produtor deve ter autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo Raoni, o mel desta espécie é diferenciado, porque as abelhas têm hábitos de coleta diferentes. Portanto, o produto precisa ser processado através da desidratação, fermentação ou pasteurização, fato que justifica a sua consistência mais líquida.

Para se ter ideia, a caixa com uma colônia de melíponas custa entre R$ 300,00 e R$ 500,00. O grupo produz de dois a três quilos de mel, muito abaixo do que as abelhas com ferrão. Por isso, o produto tem maior valor agregado.

Por outro lado, o cultivo não exige atenção diária nem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). E mais: o tempo de retirada do mel varia de 3 meses a 1 ano. O retorno é relativamente rápido.

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