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Pacientes com Parkinson cantam e encantam na Getúlio

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Tamara Carreira 
 
Coral do GAP fez sua apresentação de estreia na Praça da Copaíba  

Após um mês de ensaios, o coral do Grupo Amigos do Parkinson (GAP) fez sua primeira apresentação na manhã deste domingo (7), na Praça da Copaíba, na avenida Getúlio Vargas. As canções escolhidas pelos integrantes para a estreia, que têm como pano de fundo mensagens de otimismo, encantaram o público.

O coral abriu a apresentação com a música "Beijinho doce", seguida de "Cabecinha no ombro", "Xodó", "Tristeza" e "Amigos para Sempre". "São músicas que têm um tema para cima, alegre, e que elevam o espírito da gente", conta a professora do coral, Rosângela Salles.

De acordo com ela, cerca de 20 parkinsonianos que frequentam o GAP se reúnem a cada quinze dias para os ensaios, às quartas-feiras. "O coral é recente, tem um mês apenas. Foi uma estreia, ainda um pouco tímida, mas já estamos preparando outra apresentação", afirma.

Segundo a professora, a atividade funciona como uma terapia e ajuda no desenvolvimento dos pacientes. "A gente capricha bastante nos aquecimentos, na técnica vocal. O fazer cantar ajuda tanto na parte emocional quando na parte fisiológica deles e no tratamento", diz.

O médico anestesista aposentado Hugo Danke, de 72 anos, que veio de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, frequenta o GAP de Bauru há dois anos. Integrante de uma família que ama música, para ele, mais do que uma terapia, o coral é um instrumento de realização pessoal.

"Eu gosto de cantar. Toda minha família é do canto. Minha mãe tinha conjunto vocal com meu avô. Meu irmão tem um trio musical. Ele toca violão. A mulher dele é sanfoneira e ele canta. E eu ajudo", declara. "Quando vou lá domingo à tarde, todo mundo se junta para cantar". 

Tecnologia

Além do coral, os parkinsonianos do GAP têm aulas de robótica e tecnologia. O professor Renato Ramos explica que o contato com essas áreas do conhecimento traz uma série de benefícios para a saúde dos pacientes, além de fazer com que eles consigam dominar equipamentos modernos, como notebook, tablet e celular. "A robótica e a tecnologia são ferramentas, recursos de aprendizagem, que possibilitam diversas formas de trabalho", salienta.

"Muitas pessoas acreditam que elas estão sempre focadas nas crianças e jovens. Mas eles são jovens também. A gente juntou um grupo de pessoas que se interessa por tecnologia, mas achava que não tinha mais como aprender por conta da idade e das limitações. Pela robótica ser um recurso, a gente consegue um desenvolvimento cognitivo, uma concentração, um planejamento".

História do GAP

O GAP surgiu em 2006 como sucessor da Associação Núcleo Bauru Parkinson, que já realizava atividades em prol das pessoas com a doença desde 2000. Sem fins lucrativos, envolve dezenas de pessoas empenhadas em compartilhar suas experiências pessoais ou profissionais. São familiares, cuidadores, profissionais da área de fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, artes, entre outras.

Sem sede própria, em 2006, o grupo firmou parceria com a Associação Paulista de Medicina de Bauru (APM). Assim, o GAP realiza suas atividades na Casa do Médico, onde são promovidas palestras e reuniões semanais, divididas entre fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e coral. Também são realizados eventos de confraternização e passeios em Bauru e região.

O grupo oferece, ainda, diversas oficinas com objetivo terapêutico, sendo a maior parte delas gratuita. Entre as opções, estão: oficina de bordado, pintura em tela, pintura em tecido, robótica, coral, fonoaudiologia e psicologia.

Como fazer parte do GAP

O Grupo Amigos do Parkinson (GAP) é direcionado a todos aqueles que se deparam com a doença, em qualquer fase do diagnóstico. As reuniões ocorrem todas as quartas-feiras, das 14h às 16h, na Casa do Médico (rua Amadeu Sangiovani, 4-47) e são abertas à população em geral. Para fazer parte, basta entrar em contato através do telefone (14) 3227-7991 ou (14) 99844-7878, além das redes sociais no Facebook (Grupo Amigos do Parkinson – Bauru) e Instagram (@gapbauru).

 

Malavolta Jr.  
 
Para Hugo Danke, que ama música, o coral do GAP é mais do que uma terapia 

Malavolta Jr 
 
Por meio da música, a professora Rosângela Salles busca o desenvolvimento dos parkinsonianos  

Malavolta Jr. 
 
Professor Renato Ramos usa a robótica para estimular a concentração e exercitar o raciocínio 

Tamara Carreira  
 
Antes da apresentação, voluntários e integrantes do GAP fizeram uma passeata na Getúlio Vargas 

 

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