Aprender e estudar sobre mediação de conflitos parece um pouco estranho, em princípio, para uma advogada que durante toda a graduação aprendeu sobre litígio, realidade essa de todo graduando em uma Universidade de Direito. Contudo, conhecer melhor o instituto da mediação de conflitos tem me trazido inúmeras lições capazes de proporcionar transformações relevantes tanto para a vida profissional como para a pessoal.
Comecei a mudar a maneira de observar o comportamento humano e, principalmente, de lidar com os conflitos decorrentes da convivência humana. Afinal, diante da história da humanidade e de tudo que estamos vivenciando, parece que, infelizmente, basta estarmos vivos e conviver em sociedade para que haja um conflito. Isso porque cada indivíduo carrega consigo bagagens culturais, experiências, medos, frustrações, convicções, orientações e expectativas.
Nos cursos de capacitação e formação de conciliadores e mediadores, aprende-se diversas técnicas capazes de afastar a ideia de "ganha e perde" entre as partes envolvidas, tendo como objetivo (re)estabelecer uma comunicação pacificadora e um diálogo aberto e franco ao minimizar a concepção dualística ("eu" versus "o outro") que temos do mundo, a qual, segundo Galtung (2003), fundamenta a noção de conflito e violência cultural. O mais interessante é que essas técnicas podem ser utilizadas no nosso dia-a-dia.
Nesse sentido, parece que é possível qualquer pessoa ser mediadora. Afinal, todos nós somos capazes de sermos mediadores de conflitos, não em uma perspectiva profissional, pois para isso se exige um curso de capacitação, mas, digo, mediadores dos nossos conflitos. Assim, em qualquer conflito, faz-se necessário, inicialmente, saber observar os fatos sem qualquer intenção de julgamento. Aprender a enxergar toda a circunstância envolvida por um "olhar de cima", nem de um lado, nem do outro, mas do alto, pois é com um olhar de fora da circunstância que se é capaz de pensar racionalmente.
Importante, também, estimular sua escuta ativa, isto é, querer ouvir o outro, uma vez que durante os conflitos, somos levados a apenas falar e expor aquilo que pensamos. Porém, saber escutar ativamente é necessário para compreender os fatores que envolvem o conflito. Outra técnica interessante, que se aprende em um curso de capacitação de mediação, é o espelhamento. Essa técnica geralmente é infalível, pois só conseguimos entender o que o outro diz, ou quer dizer, quando nos colocamos no lugar dele. Por exemplo: quantas vezes você já se viu envolvido em um conflito e acaba por dar uma sugestão que entende ser a melhor de todas? No entanto, você já parou para pensar se aceitaria a sua proposta se estivesse no lugar da outra pessoa? Provavelmente a resposta seria não. Isso porque nós sempre deduzimos que nossas propostas ou "soluções" são as melhores, mas elas só refletem o que nós queremos. Ou seja, nós nunca nos colocamos, de fato, no lugar do outro para saber se essa sugestão realmente faz sentido para ambos.
Embora tenha ficado claro que todos nós podemos ser mediadores de nossos conflitos, percebe-se que a tarefa de mediar conflitos exige as nossas melhores virtudes, pois somos seres emocionais e nossos sentimentos assumem um papel relevante em nossas decisões. Agimos muitas vezes com o emocional e esquecemos de pensar racionalmente sobre nossas atitudes.
Por fim, para saber se você quer ser ou se deseja ser um mediador de conflitos, faz-se necessário se indagar se você quer assumir uma postura mais pacificadora em sua vida ou não.
E a minha sugestão é, vamos juntos nessa?
A autora é advogada, conciliadora e mediadora.