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Bauru tem 2 suspeitas de H1N1 e Saúde afirma estar preparada

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Imunização: a técnica de enfermagem Rosa Garrido aplica dose da vacina na UBS do Centro

O mês de abril ainda não está nem no meio e Bauru já tem dois casos suspeitos de H1N1. O esperado aumento de bauruenses em busca de atendimento em razão de doenças respiratórias, sobretudo em função de temperaturas mais baixas a partir de agora, recairá sobre a rede municipal, que já enfrenta a epidemia de dengue. Contudo, a Secretaria Municipal de Saúde afirma estar preparada para este quadro. A aposta está justamente na redução dos casos da doença provocada pelo Aedes aegypti e na Campanha de Vacinação da Gripe, iniciada na última quarta-feira e com programação para as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A Secretaria Municipal de Saúde em Bauru aponta que o fato de o município viver sob a maior epidemia de dengue em relação aos dados históricos oficiais (são mais de 10 mil casos registrados até aqui, 12 mortes e 8 óbitos suspeitos com resultado de exames sendo esperados) não deve interferir na programação de combate e atendimento das doenças respiratórias.

"A dengue gerou serviços de atenção e encaminhamento especiais pela epidemia, com estrutura sendo adicionada ao fluxo normal de atendimento. Já a Campanha de Vacinação segue protocolo já planejado e é realizada através das Unidades Básicas de Saúde. A Urgência não é atrapalhada pela campanha", comenta o diretor de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Rafael Arruda Alves. 

O secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, aponta também para os ciclos das doenças. "Temos uma situação de ciclos bem definidos. A dengue tem queda com a entrada do frio e as doenças respiratórias chegam com maior volume neste período. Então, a média de aumento ambulatorial esperado é absorvido pela rede municipal e sem competição assistencial nestes casos. Outra questão principal é que a dengue não gera internação na rede. O paciente é atendido, faz exame, recebe orientação, mas a recuperação em si é feita em casa. Para as doenças respiratórias também, exceto os casos necessários graves, para encaminhamento", comenta.

Nessa sexta-feira (12), inclusive, a pasta confirmou ao JC, por meio da assessoria de comunicação, que já são dois casos suspeitos de H1N1 entre 1 e 9 de abril. A Secretaria de Saúde destaca, porém, que ambos não foram confirmados e seguem em investigação no Instituto Adolfo Lutz.

VACINAÇÃO

Além dos ciclos opostas das enfermidades, a aposta para dar conta do atendimento e controlar as doenças respiratórias é a vacinação (veja no quadro o cronograma da campanha). "Acabo de vir de reunião em São Paulo, onde os setores técnicos mencionam a preocupação com o vírus Influenza. Mas, isso depende da cobertura vacinal. Estamos com a campanha de vacinação em andamento na rede. As pessoas precisam se conscientizar e receber a vacina. Este é o ponto essencial para que o próprio cidadão não tenha problemas adicionais. O aumento de fila ou tempo de espera para doenças respiratórias integra este quadro. A população precisa participar da vacinação para que não gere estatística desnecessária na fila de atendimento ambulatorial", orienta.

INFANTIL

De outro lado, Rafael Arruda confirma o aumento de demanda no Pronto Atendimento Infantil (PAI). "É claro que, entre crianças, a demanda por serviços de saúde no frio é maior. Mas o que temos no histórico é que o aumento por serviços de pediatria tem maior incidência após as férias, em agosto, depois que as crianças já viajaram ou já passaram pelas férias. Há ainda em uma parte do público desinformação. Aumenta a procura por atendimentos por resfriado, onde não há febre alta, não há mal estar generalizado, não há apatia e dor intensa. Há um quadro diferente do provocado pela gripe, que é viral. E, para essa situação, o aumento relacionado ao frio já é esperado", reforça. 

Rede particular

No sistema privado de saúde, também não é esperada sobrecarga de serviços a ponto de superlotação. "Que o frio aumenta a procura por atendimentos para resfriados ou gripe é normal. Mas nada que possa, até este momento, preocupar ou que justifique planejamento para aumento de escala em situação como a da epidemia de dengue, onde os casos se multiplicaram muito. O que traz certo conforto para planejamento nesta fase é que, em geral, o frio reduz a incidência da dengue. A previsão baseada no histórico é de queda significativa da doença. Então, o que era demanda excedente é absorvida pela demanda de doenças respiratórias, mas em níveis bem abaixo do que seria para uma epidemia", observa a infectologista Martistela Pastore, que atende na Rede Unimed.

A médica também prefere apostar na prevenção. "A precaução com higiene adicional no frio é sempre muito importante. E os cuidados devem ser adotados desde já. São ações simples e com ótimos resultados em prevenção, como lavar as mãos sempre que entrar ou deixar ambientes, de preferência com álcool gel. Mas, se não tiver, lavar com água e sabão. Evitar ficar muito tempo em lugares fechados e de permanecer em locais com muita gente. Tomar a vacina. Isso faz a diferença e todos podem fazer", completa Pastore.

 

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