Tribuna do Leitor

Reflexão por Bauru

Aline Fogolin - secretária municipal de Desenvolvimento Econômico
| Tempo de leitura: 2 min

Acometida por uma virose, aqui estou analisando alguns fatos desta semana em Bauru que nos impactaram.

Primeiro, a notícia da paralisação das atividades de nossa Estação Aduaneira. Modal que movimenta milhões em equipamentos e mercadorias, facilitando o acesso e logística para empresas de Bauru e região. Desde meados de agosto passado, a nossa Prefeitura, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, em cuja pasta me encontro atualmente como titular, investiu tempo e recursos públicos para apresentar a preocupação com a possível paralização ou suspensão das atividades, bem como demonstrar o potencial das empresas que importam e exportam através deste chamado Porto Seco.

Neste ano, um de nossos deputados federais, Capitão Augusto, comprou a briga e foi pra cima, junto conosco e com as empresas e a própria concessionária. Resultado parcial: na noite de anteontem, vencemos a primeira batalha. Desembargador reconsiderou o pedido da atual gestora e permitiu que as atividades não fossem suspensas a partir desta segunda-feira, conforme estava previsto. Mas ainda falta o novo processo licitatório.

Anteontem à noite, uma das companhias aéreas que atuam em Bauru encaminhou informativo de suspensão de voos, alegando falta de segurança a passageiros e que o Daesp, órgão estadual gestor do Aeroporto, não havia comunicado por via correta a decisão.

Semana passada nossa Secretaria esteve pessoalmente presente a uma reunião sobre o assunto na sede daquele órgão. Acompanhamos o vereador Manoel Losila e também Paulo Ferrari, assessor de nosso outro deputado federal, Rodrigo Agostinho. Na oportunidade, nos foi informado que este aeroporto será privatizado, e que a questão dos bombeiros não traria impacto na malha aérea. Soubemos anteontem que não é verdade.

Assim, mais uma vez, somos afetados. Nós, munícipes, somos obrigados a enfrentar a interrupção de serviços assim, do nada, sem que sejam dadas alternativas, estudados os impactos na vida das pessoas.

E os municípios apanham, sofrem e se afogam para dar conta de tanta estrutura (ou falta dela) e minimizar esses efeitos.

Eu que atuei muitos anos na inciativa privada, aprofundo minha reflexão... aceitamos esse pacto federativo? Ora, pois, se estamos falando de um pacto, no mínimo há presunção de acordo entre duas partes. Nós, povo de Deus, aceitamos esse modelo que sucateia os municípios, nos impõe acomodações políticas, sufoca o desenvolvimento de verdadeiras polícias públicas?

Acredito que não estamos de acordo. Mas em partes. Pois elegemos atores políticos que nos representam. E aqui paro para pensar. Não estamos falando só de Brasília. Estamos falando de São Paulo, de Bauru, da Associação X, do Clube Z, do Grupo Y... Estamos falando em nos posicionar mais, participar de assembleias, reuniões, votações e exercitar nosso papel como cidadão. Quem sabe assim teremos ações mais efetivas de todos. Cada um fazendo sua parte.

O aeroporto ficou em um lugar péssimo? Para alguns sim, para outros poucos obviamente não. O Porto Seco vai continuar? Para alguns imprescindível. Para poucos, pouco importa. Importa saber como caminhamos e quem estará nesta caminhada.

A política é uma arte incrível de fazer a diferença. Se cada um fizer sua parte, faremos juntos. #soumaisbauru

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