Tribuna do Leitor

Dia do índio

João Francisco Tidei Lima - professor aposentado
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A formação e o desenvolvimento de Bauru, como sabemos, foram diferentes da maioria dos municípios do Estado. Crescimento rápido, característico das chamadas "frentes pioneiras". E que custou, por isso mesmo, a demolição violenta da sociedade indígena, os Caingangues, primeiros ocupantes do território. A invasão dos novos proprietários contaminou os Caingangues com epidemias de gripe e sarampo.

Os sobreviventes, reunidos em reservas, à altura de 1921, eram 173. Conheci à fundo a tragédia desse povo, objeto do mestrado que concluí em 1978 na Universidade de São Paulo (USP). Durante as pesquisas, convivi com os irmãos Orlando e Álvaro Villas Boas e conheci um pouco do seu admirável trabalho junto ao Serviço de Proteção aos Indios (SPI) e depois junto à Funai.

Consegui levar o Orlando para conversar com meus alunos no câmpus da Unesp, em Assis, e fui conduzido pelo Álvaro na visita inesquecível à reserva Caingangue de Vanuíre, em Tupã, onde conheci uma sobrevivente daquela resistência à ocupação violenta do território, a índia com apelido de Mulata, 100 anos de idade.

Já nos primeiros anos deste século, convivi com alunos, de origem indígena, na USC e no Arquivo junto à Estação Ferroviária.

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