Tribuna do Leitor

Enfermagem pede socorro!

José Eduardo Xavier - UBS Parque Vista Alegre
| Tempo de leitura: 3 min

Em meio aos caos que se tornou a saúde de Bauru nos últimos 2 anos e 03 meses, venho através desse veículo (ao qual sempre me acolhe nas minhas manifestações) desabafar, não como contribuinte, não como funcionário público, mas como profissional de enfermagem, e presidente da mesa setorial de saúde, criado nessa gestão há um ano e dois meses.

É triste ver o que a enfermagem está passando, de as vezes dar nojo. A falta de meios para podermos exercer nossa função com dignidade é absurda. Sou funcionário de uma UBS há 13 anos, e há três meses fomos comunicados que deveríamos estar nas UPAs para reforçar as equipes, devido à dengue. Aí começa a ficar bem clara a decepção com o sistema.

Ao se deparar com o cenário de guerra, que foi apresentado com os milhares casos de dengue na cidade, ficamos de frente com a ma organização e com muitos herois - assim chamarei meus colegas de enfermagem.

Onde faltam equipamentos para darmos o melhor de nós, aparelhos de pressão funcionando é luxo, me depareis com colegas de UPA sem terem em seu material de bolso oxímetros de dedo, termômetros infravermelho, que não são materiais de luxo e sim para dar um ótimo e rápido assistência no atendimento de enfermagem ao paciente, onde nem as pilhas desses aparelhos não são oferecidas pela administração.

Descobri depois de muitos anos de enfermagem, e nesta gestão, que gazes podem ser impermeáveis, que agulhas de injeção, seringas, cateteres intravenosos, Descarpack, podem ser de péssima qualidade, esses são oferecidos para fazermos milagres com eles para dar uma boa assistência ao contribuinte.

Não é uma utopia, é uma realidade no nosso dia a dia, meu e de meus colegas de profissão, mas cadeiras novas foram compradas (doadas?) às dezenas para deixar as UPAs mais bonitas para imprensa, mas a economia com esses matérias de baixa qualidade está indo para onde?

No caso no PS Central, além dos materiais de péssima qualidade, faltam medicações básicas por várias vezes, os funcionários até levam seus próprios ventiladores, sendo um cenário ímpar de troca de plantão ao ver ventiladores entrarem e saírem do Pronto-Socorro, pois ar-condicionado, esse fica para a os mandatários da administração, prefeito, vereadores, secretários, diretores e chefia. Já os funcionários do baixo clero e à população, nos resta sofrer com o calor.

Ainda para piorar a situação, no dia 14 e 15 de março tivemos uma palestra para nos orientar que a epidemia de dengue já era prevista desde março de 2018, palestra de 3 horas, à noite, após turno de 12 horas, quando a maioria estava exausta pós-plantão, para ouvirmos que a tragédia era de conhecimento dos superiores, e que nenhuma medida foi tomada para prevenir.

Essa é a enfermagem que está no dia a dia com desvalorização, mas sem deixar a peteca cair e encarrar esse clima de guerra com competência e lealdade aos seus princípios, essa mesma enfermagem que é muitas vezes injustiçada de todos os lados e obrigada a aguentar calada para não sofrer com retaliação e punições severas, essa que na maioria tem dois ou três empregos, com horas e horas extras, para dar um futuro melhor para os seus.

Eu aplaudo de pé a todos esses guerreiros, pois mesmo calados seguem em frente deixando famílias, lazer, muitas coisas para trás, e mostrando que os princípios jamais serão abalados, mesmo sem condições mínimas de trabalho. Isso se chama competência, a que falta a alguns com cargos elevados. Fica uma frase que sempre escuto de uma chefe: não quero pedidos de desculpa, quero respeito, e merecemos, no mínimo, respeito.

Me despeço com frase que coloquei na tribuna do leitor do dia 14 de março (Enfermagem X Dengue) que não é de minha autoria, mas é bem apropriada para o que estamos vivenciando.

"Todo bom profissional de Enfermagem é um guerreiro por enfrentar um sistema injusto, escala de trabalho pesada, salários baixos, dificuldade de exercer a profissão e dar boa assistência aos pacientes. Trabalhamos muitas vezes em cenário de guerra e sobrevivemos.

Somos fortes, somos Enfermagem."

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