Regional

Três são presos pela Polícia de Avaí acusados de estupro coletivo em aldeia

Bruno Freitas e Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Polícia Civil/Divulgação
Os três presos foram encaminhados à Cadeia de São Pedro do Turvo

Avaí - Policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru prenderam na manhã desta terça-feira (30) três dos quatro homens denunciados pela justiça por participar de um estupro coletivo envolvendo estudante indígena de 15 anos, no último dia 14 de fevereiro, em uma fazenda na Aldeia Kopenoti, na Terra Indígena de Araribá, em Avaí. Um quarto suspeito, que também teve a prisão preventiva decretada, não foi encontrado e é considerado foragido.

As investigações que resultaram no indiciamento dos quatro homens - todos moradores da Aldeia Kopenoti - por estupro foram conduzidas pelo delegado Kléber Granja, que respondia pelo expediente da Delegacia de Avaí. Na conclusão do inquérito, ele representou pelas prisões preventivas dos suspeitos.

Posteriormente, o delegado Giuliano Travain, da DIG, passou a responder pelo caso. O promotor Hércules Sormani Neto se manifestou favorável ao pedido da Polícia Civil e ofereceu denúncia contra os quatro à justiça, que decretou as prisões e ajuizou ação penal para que eles possam ser processados.

De acordo com Travain, A.S., de 24 anos, R.R., de 33 anos, e R.A., de 19 anos (apenas as iniciais foram divulgadas pelo delegado), foram presos na área urbana de Avaí e conduzidos à Central de Polícia Judiciária (CPJ), de onde foram encaminhados para a Cadeia Pública de São Pedro do Turvo. Ele conta que as diligências prosseguem para tentar localizar o quarto suspeito, que não teve as iniciais divulgadas.

Conforme o JC divulgou com exclusividade, o estupro ocorreu no dia 14 de fevereiro, mas o boletim de ocorrência (BO) só foi registrado no dia 21. O pai da adolescente, que terá sua identidade preservada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), disse à polícia que a filha foi violentada por cinco homens. Um sexto suspeito teria fotografado o crime. Um deles também teria furtado o celular dela.

Segundo a versão dele, no dia do fato, a estudante ingeriu bebida alcoólica com grupo de pessoas em uma casa na aldeia. De madrugada, um homem se ofereceu para levá-la de moto até a residência dela, mas acabou seguindo para a casa dele.

No local, ainda de acordo com o relato do pai, os dois teriam mantido relações sexuais. Logo depois, outros quatro homens chegaram e, aproveitando-se do estado de embriaguez da adolescente, também teriam abusado sexualmente dela.

A estudante retornou para casa na manhã seguinte, vomitando, e, três dias depois, passou a apresentar febre e dores no corpo e nas partes íntimas, trancando-se no quarto e se recusando a conversar com a família. Após muita insistência, ela acabou contando para uma familiar o que havia acontecido e revelando os nomes dos autores dos abusos sexuais. O caso, então, foi levado à polícia.

O JC apurou que, a princípio, havia uma dúvida se o caso seria de competência da Polícia Federal (PF), por envolver crime praticado nas dependências de uma aldeia indígena, ou da Polícia Civil. Após entendimento entre as unidades, ficou definido que a Polícia Civil comandaria as investigações, que apontaram o envolvimento efetivo dos quatro indiciados.

A reportagem apurou que o sentimento da família da adolescente e da comunidade indígena é de que a justiça foi feita. Com medo, amigos e parentes da vítima viviam apreensivos e chegaram a procurar duas vezes a polícia para narrar ameaças e intimidações que estariam sofrendo por parte de suspeitos do crime.

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