| Carlos Garcia Rawlins/Reuters | |
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| Oposição e militares se enfrentam em Caracas, na Venezuela |
A Guarda Nacional venezuelana, aliada a Nicolás Maduro, reprime com força nas ruas da capital do país os movimentos de opositores civis e militares que tentam derrubar o regime chavista, fazendo uso de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes nesta terça-feira (30)
O Hospital de Chacao, o mais próximo aos arredores da Base Aérea de La Carlota, onde ocorreram confrontos entre partidários da oposição e militares pró-Maduro, disse ter atendido ao menos 50 feridos nos protestos desta terça-feira (30).
Ao menos 30 deles foram feridos com balas de borracha e outros 16 tiveram traumas por pancadas. Outros três apresentaram problemas respiratórios por inalar gás pimenta e um teve ferimento a bala. O hospital tem recursos para tratar os feridos graças a doações feitas pela Cruz Vermelha.
Forças Armadas
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, considera que o apoio da alta cúpula das Forças Armadas da Venezuela ao oposicionista Juan Guaidó não foi confirmado ao longo do dia, como chegou a ser anunciado pelo presidente autoproclamado no início da manhã. Para Heleno, não há expectativa de solução no curto prazo para a crise no país vizinho e o cenário segue indefinido. "Não se sabe quanto tempo irá demorar para uma solução que leve à saída de (Nicolás) Maduro do País".
Apesar de o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó afirmar que as Forças Armadas estão ao seu lado para derrubar Maduro, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, disse que os militares se "mantém firmes" na defesa da constituição e de "suas autoridades legítimas", acusando os opositores de fomentar o "terror" em vias públicas.
O líder da oposição venezuelana Leopoldo López conseguiu sair hoje da prisão domiciliar com a ajuda de militares que deixaram de apoiar o regime chavista, evidenciando uma divisão nas Forças Armadas do país. López chegou a divulgar uma foto em seu Twitter junto a Guaidó e pediu à população que tomasse as ruas de maneira pacífica. "Fazemos esse chamado a todos para que se somem a esse processo, um processo de unificação das forças armadas com o povo", disse.
Brasil acompanha com grande atenção a situação
O presidente Jair Bolsonaro disse que o governo brasileiro acompanha com "grande atenção" a situação da Venezuela e encorajou outros países a apoiarem o oposicionista Juan Guaidó. Em nota, assinada pelo porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, Bolsonaro também reafirmou o "irrestrito apoio" ao povo venezuelano.
"O Brasil acompanha com grande atenção a situação na Venezuela e reafirma o irrestrito apoio ao seu povo que luta bravamente por democracia", diz o texto. "Exortamos todos os países, identificados com os ideais de liberdade, para que se coloquem ao lado do Presidente Encarregado Juan Guaidó na busca de uma solução que ponha fim na ditadura de Maduro, bem como restabeleça a normalidade institucional na Venezuela", afirma em outro trecho.
Bolsonaro convocou uma reunião emergencial no Palácio do Planalto com os ministros da Defesa, Fernando Azevedo, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e com o vice-presidente, Hamilton Mourão, para discutir a situação da Venezuela.
Mais cedo, Mourão disse que há um temor de que os oposicionistas não tenham apoio das Forças Armadas da Venezuela que julgam ter e que os militares daquele país possam reagir, provocando grave confronto nas ruas. Para o general, é preciso aguardar as próximas horas para se saber exatamente o que poderá acontecer.
Madri pede que não haja 'banho de sangue'
O governo da Espanha pediu nesta terça-feira (30), que seja evitado "um derramamento de sangue" na Venezuela, depois que o líder opositor Juan Guaidó anunciou o apoio de alguns militares contra Nicolás Maduro, manobra denunciada pelo chavismo como uma "tentativa de golpe de Estado".
"Desejamos com todas as nossas forças que não aconteça um derramamento de sangue", afirmou Isabel Celáa, porta-voz do governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que em fevereiro reconheceu Guaidó como presidente encarregado do país.
A porta-voz insistiu na necessidade de uma "convocação imediata de eleições presidenciais" e de um "processo democrático pacífico". "A solução para a Venezuela tem que vir da mão de um movimento pacífico, de eleições democráticas. Portanto, a Espanha não respalda nenhum golpe militar", completou.
Já o chanceler espanhol, Josep Borrell, disse que o momento no país sul-americano é crítico, já que "não está claro qual é a posição das distintas unidades do Exército". Borrell indicou que os dois lados estão convocando a mobilização de seus partidários, então "é precisão ver como os acontecimentos se desenrolarão".
Já o Reino Unido, um dos primeiros países europeus a reconhecer Guaidó como líder interino da Venezuela, pediu uma "solução pacífica" para este novo capítulo da crise no país.
"Deixamos claro que o Reino Unido, junto com seus parceiros internacionais, reconhece Juan Guaidó como presidente constitucional interino da Venezuela até que se possa realizar eleições presidenciais confiáveis", disse um porta-voz da primeira-ministra Theresa May. "Nosso foco é a resolução pacífica da crise e a restauração da democracia venezuelana. O povo venezuelano merece um futuro melhor, já sofreu bastante e o regime de Maduro acabar", completou.
O presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, chamou a iniciativa de Guaidó de um "momento histórico" para o "retorno da liberdade para a Venezuela". "Hoje, 30 de abril, marca um momento histórico para a volta da democracia e da liberdade para a Veneuzuela, o que o Parlamento Europeu sempre apoiou", tuitou Tajani. "Vamos Venezuela livre!", completou, que também celebrou o fato de Leopoldo López estar nas ruas.
Iván Duque, presidente da Colômbia, pediu aos militares da Venezuela que se unam ao líder opositor Juan Guaidó. "Pedimos aos militares e ao povo da #Venezuela para que fiquem do lado correto da história, rejeitando a ditadura e usurpação de Maduro", escreveu Duque no Twitter.
Apoio a Maduro
O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou nesta terça-feira (30) "a tentativa de golpe na Venezuela". "Condenamos fortemente a tentativa de golpe na #Venezuela, pela direita que é submissa aos interesses estrangeiros", escreveu Morales, um aliado político do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em sua conta no Twitter.
Morales também escreveu que estamos "certos de que a brava Revolução Bolivariana à frente do irmão @NicolasMaduro, será imposta a este novo ataque do império", como costuma se referir em vários discursos aos Estados Unidos.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutiu a crise em andamento na Venezuela em uma reunião previamente agendada com seu Conselho de Segurança, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
"(Putin) dedicou uma parte significante da reunião aos relatos de uma tentativa de golpe em andamento naquele país", afirmou Peskov. Ele não esclareceu se Putin falou ou não com Maduro.
O chanceler de Cuba também reforçou seu apoio a Maduro. "Acabem com as agressões contra a paz de #NossaAmérica", escreveu Bruno Rodríguez em sua conta no Twitter. (Com agências internacionais).
