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As fraquezas do capitão-presidente

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Em rápida pesquisa em relação ao posto de capitão no Exército brasileiro encontramos a definição de que é "posto oficial que comanda uma companhia de soldados, ficando entre o tenente e o major, é considerado um oficial intermediário". Esta definição tem um motivo: o atual presidente Bolsonaro é capitão da reserva e com isso fica mais fácil de tentar compreender seu comportamento.

É fato que ele foi para reserva para ingressar na política em 1988, mas seu comportamento como chefe do Executivo tem muito a ver com esta formação militar. Não serei leviano em apontar que o presidente iria permanecer em cargos intermediários caso optasse por continuar no Exército, mas é o certo que no tocante a comandar equipes ele parou no tempo.

Como parlamentar, passou a conviver com outro nicho, com a outra forma de trabalhar, o que, dada a forma como a classe política opera, agrega muito pouco. Afinal, a que nos remete o jeito Bolsonaro de comandar o Poder Executivo? Primeiramente, demonstra que não está alinhado com outros colegas do Exército, pois conheço inúmeros que possuem elevada capacidade no tocante a estabelecer estratégias. Bolsonaro pratica um reducionismo no que se refere às grandes questões do País e, em particular, uma visão distorcida de como funciona um sistema econômico.

Constitucionalmente, o Brasil optou pela economia de mercado, portanto, mesmo praticando o sistema misto, buscamos práticas capitalistas. Isso quer dizer que mesmo com todas imperfeiçoes do mercado brasileiro, o Brasil busca praticar a lei de mercado. Além deste aspecto, que por si só já seria relevante, o Bolsonaro "casou" com o liberalismo econômico ao convidar o economista Paulo Guedes. Por pertencer à Escola de Chicago, Guedes "vendeu" ao candidato e agora presidente que esta ideologia econômica seria a melhor para o País.

A equipe econômica de Paulo Guedes segue a mesma linha. Como sabemos que em teoria é uma coisa e a prática é outra, o que passamos observar no comportamento do "capitão"? Contradição! Isso mesmo. Tomemos dois exemplos recentes. O primeiro comportamento contraditório foi a fala sobre o preço do óleo diesel. Mesmo tendo como pano de fundo um pressão dos caminhoneiros, em economia de mercado, não há interferência do Estado na formação dos preços na economia.

A Petrobras, afetada pela fala de Bolsonaro, apesar de o governo deter a maior parte de suas ações, é listada em Bolsa de Valores e possui investidores privados. Este tipo de intervenção nesta Estatal, notadamente no governo de Dilma Rousseff, já demonstrou que não traz resultado algum. O outro exemplo de contradição com a economia de mercado foi a recente fala de que o Banco do Brasil precisa reduzir os juros. É certo que o Brasil pratica uma das maiores taxas de juros do mundo, mas não cabe, em economia que quer ser liberal, prática artificial na formação da taxa de juros.

O Banco do Brasil, maior afetado com a fala do presidente, também é do governo, mas também tem ações no setor privado e deve seguir o comportamento do mercado financeiro como um todo. O que mais chama a atenção é que a fala dos assessores, corretamente, sempre foi no sentido de que as coisas em relação às estatais seriam diferentes, sem intervenção do governo, enfim, tendo comportamento de mercado.

A questão é: Bolsonaro amadurecerá ou terá permanentes recaídas? Será somente um traço de posto intermediário, ou o fato de ser o chefe do Executivo brasileiro fará com que seu comportamento mude? Quem está a sua volta combate o fogo com gasolina ou com água?

São questões que somente o tempo dirá, mas uma coisa é certa: para quem precisava garantir a retomada da confiança dos agentes econômicos, que preconizava segurança jurídica, enfim, que sinalizava com uma economia mais livre e um Estado menos interventor, as contradições do "capitão-presidente" vão no sentido contrário. Atenuam as coisas as Medidas Provisórias visando maior liberdade econômica no Brasil, mas não resolvem. Amadurecer é preciso, capitão!

O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube, no canal Planeta Economia.

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