A discussão sobre a mudança de cenário com a reforma da previdência, longevidade e revolução 4.0, nos faz pensar que o grande desafio, para se manter mais tempo no mercado de trabalho é não se tornar obsoleto e competir com as gerações mais jovens que são nativas digitais.
Embora se possa pensar que o mercado de trabalho vá privilegiar os mais jovens pela disrupção de novas tecnologias, as mudanças demográficas podem indicar o contrário: há 40 anos a expectativa de vida era de 62,6 anos e agora em 2019 saltou para 73 anos para os homens e 80 anos para as mulheres, segundo o IBGE. Com a perspectiva de que quem atingiu esta idade ainda tenha mais 20 anos de sobrevida. Nosso país também passa por uma redução na taxa de fecundidade: de 4,1 em 1980 para 1,7 em 2015, ou seja, está abaixo do nível de reposição populacional que é 2,2.
Essa diminuição do número de filhos foi observada em todas as regiões do país e extratos sociais, principalmente na população mais pobre e menos escolarizada. Mas o que isso tem a ver com o mercado de trabalho e seus desafios? Com os dados apresentados é fácil observar que com a redução do número de reposição populacional se estima que até 2030, trinta milhões de pessoas terão 65 anos. Então as organizações terão que se adaptar para o ingresso de profissionais que em outros contextos estariam se aposentando, portanto, bem mais velhos.
Segundo especialistas, neste novo contexto, será natural que os profissionais passem a ter de três a cinco carreiras ao longo de suas existências, e o que dará o tom destas mudanças na vida profissional de cada um? Será naturalmente o conjunto de conhecimentos, habilidades e competências conquistadas por cada um de nós! Se de um lado as empresas precisam criar condições laborativas para que esta população permaneça ativa, é necessário que a educação atual seja urgentemente reformulada e adaptada ao novo cenário. Todos nós estamos condenados, felizmente, a continuar a estudar e se atualizar ao longo de toda a vida.
Aqui temos então dois desafios a serem superados tanto pelas empresas, quanto por nossa cultura, combater o etarismo, que é o preconceito com a idade das pessoas. Profissionais grisalhos ou são vistos como "muito velhos" ou muito "caros". E o segundo desafio é o investimento, tanto público, quanto privado, na educação ao longo da vida e não na concentração nos anos iniciais como é hoje!
O terceiro desafio está na capacidade das gerações mais experientes, em se adaptarem a um mundo cada vez sem emprego, mas com muitas oportunidades de trabalho. O futuro do mercado de trabalho é de profissionais que prestam serviços ou como autônomos ou como microempreendedores.
Apesar do avanço da digitalização no mercado de trabalho exigir a atualização profissional de todos nós, permitirá a longevidade da vida ativa de quem investir em educação continuada. Porque com a Revolução 4.0 e as tecnologias em disrupção como o Big Data, Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Robótica, exigirão cada vez menos do esforço físico e maior esforço intelectual e de gestão.
Fontes: Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, Folha de São Paulo: "Reforma da Previdência desafia trabalhador a seguir no mercado sem ficar obsoleto", Notícias R7 - "Taxa de fecundidade no Brasil é baixa e está em queda acelerada", Wikipédia: "Porque as mulheres vivem mais que os homens?".
O autor é professor, psicólogo, pedagogo e psicodramatista. Aficionado por tecnologia aplicada a educação. E-mail teacherdronne@gmail.com.