Regional

Vereadora quer que Conselho de Ética apure conduta de colega

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

 

Divulgação
Deputada Iracema Portela, Procuradora da Mulher na Câmara Federal, conversa com a vereadora

Pederneiras - A vereadora Regina Barrach (MDB) protocolou representação na Câmara de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) pedindo para que o Conselho de Ética apure conduta do vereador Professor Marildo (PSL). Em recente reunião, ele teria feito comentário considerado ofensivo e machista pela parlamentar, que também registrou boletim de ocorrência (BO) por injúria e difamação. O fato ganhou repercussão e Regina, que é Procuradora Especial da Mulher do Legislativo de Pederneiras, recebeu mensagens de apoio de várias entidades no país (leia mais abaixo).

Na representação, a vereadora narra que a declaração do colega foi feita no dia 12 de abril, durante reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada para investigar supostas irregularidades em contratos de prestação de serviços celebrados entre a prefeitura e Microempreendedores Individuais (MEIs) do setor de Esportes.

"Tais denúncias foram levantadas pelo colega vereador Marildo. Fui escolhida pelos demais colegas para presidir a CEI, mas, já na reunião para essas definições, o vereador começou um discurso intimidador, machista, insinuando que eu não teria firmeza para tal função", declara.

"Eu argumentei dizendo que já havia exercido tal função, seja da pressão política ou pressão da própria sociedade. Pelo fato de perceber que se tratava de uma discriminação de gênero, eu ainda salientei como força de expressão 'todos nós teremos que ter muita firmeza e sermos ''muito macho' para enfrentarmos as dificuldades que virão".

De acordo com a parlamentar, ao final da reunião, o vereador teve uma reação que a surpreendeu. "Ele se dirigiu a mim, enquanto eu falava com outra colega vereadora e uma assistente, e disse o que reproduzo aqui entre aspas 'Se você quiser saber o quanto sou macho, te convido para ir na minha casa. Garanto que você vai gostar e vai saber que sou muito mais macho que seu marido', revela.

PROVIDÊNCIAS

Além de levar o caso à polícia, Regina quer que o Conselho de Ética da Casa apure se houve quebra de decoro parlamentar por parte do Professor Marildo. "A minha fala, que inclusive foi gravada, foi uma forma de linguagem figurada, pois não se trata de gênero para se ter a firmeza e retidão de caráter que muitos, por conta da criação machista, acreditam ser uma característica masculina", afirma.

"A sensibilidade feminina não é sinônimo de fraqueza, e a truculência nunca foi sinônimo de poder. É por conta disso tudo que não posso me silenciar. Não posso ser conivente".

Procurado pela reportagem, o vereador informou que irá aguardar as notificações da Polícia Civil e da Câmara para se manifestar sobre o caso. Por meio da assessoria de imprensa da Casa, o presidente, Danilo Alborghetti (PV), esclareceu que irá emitir nota sobre o assunto na próxima semana.

APOIO

Em apoio à vereadora, a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) publicou moção de repúdio à postura do vereador. "As agressões covardes às mulheres parlamentares sempre partem de pessoas que não têm argumentos para discussão, portanto, desqualificadas para o debate político", cita a nota. "Exigimos que o mesmo se retrate publicamente, que a Câmara Municipal tome providências cabíveis dentro do regimento e que puna o agressor para que o fato não se repita". 

A Procuradoria Especial da Mulher do Senado (ProMul) emitiu nota de solidariedade à parlamentar. "A ProMul elogia esta decisão da vereadora Regina de não transigir, de não deixar incógnita - portanto impune - esta atitude do vereador, que se configura em exemplo do que temos chamado de violência política de gênero", diz trecho do documento. "Este tipo de violência, já tipificado em outros países, coíbe a entrada das mulheres no mundo da política, dificulta sua permanência nos espaços de poder e acelera ou estimula sua saída da vida pública".

Durante reunião na Câmara Federal, Regina também ganhou o apoio da deputada federal Iracema Portela (PP), Procuradora da Mulher na Casa. "É inadmissível que ainda aconteçam fatos como esse na Câmara de Vereadores de uma cidade do interior de São Paulo, ainda mais com uma vereadora atuante, com projetos de relevância para o fortalecimento do empoderamento feminino", declarou a deputada.

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