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Dengue se aproxima dos 16 mil casos

Vitor Oshiro e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Os números da pior epidemia de dengue em Bauru foram atualizados nessa terça-feira (7). Mais 774 casos tiveram confirmação e, agora, a cidade já conta com 15.820 registros, sendo 15.790 autóctones e 30 importados. O número de mortes segue em 17 e há ainda outras vítimas fatais em investigação. Contudo, pela segunda semana consecutiva, a prefeitura parou de divulgar quantos óbitos a mais estão em apuração e podem ter sido causados pela doença.

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que os casos confirmados ontem tiveram início de sintomas entre 1 de janeiro e 31 de março deste ano, ou seja, ainda são registros do período de maior fase de transmissão da doença.

O número total de casos impressiona. Inclusive, 2019 já tem quase o dobro de registros oficiais de 2015, período com recorde anterior de casos da doença. Naquele ano, foram contabilizadas 8.482 pessoas com dengue.

MORTES

O balanço divulgado nessa terça-feira (7) não traz novas confirmações ou descartes de vítimas fatais. Assim, Bauru segue com 17 mortes, também recorde histórico para a doença. Conforme o JC mostrou, 2019 já matou mais do que todos os anos anteriores juntos.

Antes, os anos que haviam registrado mortes pela doença foram 2011 (seis óbitos), 2013 (dois), 2015 (seis) e 2016 (um). Assim, todos os anos somados mataram 15 pessoas, ou seja, duas vítimas fatais a menos do que em 2019.

Apesar do recorde, por meio de nota emitida na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o número de mortes está abaixo do preconizado. "Pela Diretriz Nacional para Prevenção e controle de Epidemias de Dengue, a letalidade deve ficar abaixo de 1% dos casos confirmados (seriam 150 casos em Bauru). Com a assistência e qualidade de atendimento adotadas em Bauru, o município mantém a letalidade em 0,11%", justificou a pasta.

E OS ÓBITOS SUSPEITOS?

Pelo menos três outros casos de mortes suspeitas seguem em investigação. A reportagem questionou já na semana passada se, além dessas três que estão sendo apuradas há semanas, outras vítimas fatais haviam sido adicionadas no montante de óbitos suspeitos. Contudo, na ocasião, a pasta se limitou a dizer que "os demais continuam aguardando resultado laboratorial pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) - São Paulo", sem especificar quantas mortes suspeitas existem.

Nessa terça (7), novamente, o questionamento foi feito, contudo, a Secretaria Municipal de Saúde, mais uma vez, não elucidou a questão para o JC e, consequentemente, para a população bauruense.

DIFERENTES FRENTES

O poder público tem atuado em diferentes frentes para tentar conter a epidemia de dengue. Em entrevista recente ao JC, o secretário municipal da Saúde, José Eduardo Fogolin, afirmou que a cidade faz o bloqueio dos criadores de Aedes aegypti em 1,2 mil imóveis por dia. E mais: diariamente, 450 edificações são submetidas à nebulização portátil.

Segundo o titular do pasta, os agentes visitam, também, de oito a dez pontos estratégicos, como ferro-velhos, por dia. Além disso, os servidores monitoram os imóveis considerados especiais, como escolas e hospitais.

Concomitantemente, o município também realiza aplicações de biolarvicida, cujo efeito é mais duradouro; limpeza dos terrenos públicos; bem como reuniões mensais junto ao Comitê Ambiental.

Em janeiro, a prefeitura determinou que os proprietários dos terrenos particulares fizessem a limpeza e a capinação destas áreas. Caso contrário, o serviço seria executado e a conta, enviada aos responsáveis, que, além de tudo, receberão uma multa de R$ 5,00 por metro quadrado.

Nas UPAs, o município realiza a triagem qualificada, ou melhor, logo que o paciente chega com a queixa, já pede o hemograma completo. O protocolo clínico, por sua vez, corresponde à hidratação. Já os pacientes em observação ou internados são acompanhados pela Vigilância Epidemiológica, diariamente.

As UBS do Bela Vista, Mary Dota, Jussara/Celina e Núcleo Geisel também atendem os casos de dengue, das 14h às 23h.

‘10 minutos contra o Aedes’

Em meio à pior epidemia de dengue da história de Bauru, a participação da população é fundamental no combate ao mosquito. Inclusive, uma das campanhas é a “10 minutos contra o Aedes”. Desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), baseia-se em uma ronda semanal de 10 minutos observando vários pontos. É possível baixar a lista da ronda pelo link https://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/10minutos.html.

Mutirão ‘Limpeza pra Valer’ estará no Jardim Redentor, Geisel e região

Dentro das ações para conter a epidemia, a Prefeitura de Bauru segue com mutirão "Limpeza pra Valer". A ação ocorrerá nos bairros Jardim Redentor, Geisel, Jardim Olímpico, Jardim Alvorada, Bauru 22 e Carolina, amanhã, sexta e sábado, das 7h às 13h.

O mutirão limpará terrenos particulares e áreas públicas. A mobilização envolve as secretarias de Obras, Meio Ambiente e de Administrações Regionais, além do DAE e Emdurb.

Os moradores devem deixar nas calçadas materiais que acumulam água, como garrafas, vasos sanitários e pneus, por exemplo, para serem recolhidos. Não serão pegos entulhos como resíduos de construção, móveis velhos, madeiras, dentre outros materiais que não acumulam água.

Os mutirões contarão com cerca de 50 funcionários, entre ajudantes, reeducandos e servidores das secretarias envolvidas. A ação contará com o apoio operacional de caminhões caçamba e carroceria e máquinas de grande porte para auxiliar na recolha do material inservível, incluindo pá carregadeira e retroescavadeira.

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