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| Anteontem, Maria de Fátima se aposentou e foi homenageada pelos funcionários do Samu |
Acolher pessoas vulneráveis, com dor ou medo, por exemplo, torna a saúde uma área de atuação sensível. Em muitos contextos, atendê-las bem torna-se um desafio e tanto. Neste meio, enfrentar situações muitas vezes ásperas e conseguir também enxergar aspectos positivos é um exercício importante a ser aplicado em outros patamares da vida. É o que avalia a auxiliar de enfermagem Maria de Fátima Alves, de 65 anos, que se aposentou, na última quinta-feira, no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em Bauru, após dedicar pouco mais de quatro décadas ao segmento. "Eu venci", constata.
Nascida em Guararapes, no Interior de São Paulo, Fátima chegou a Bauru em 1976, logo depois de se casar com o pedreiro Edgar Nunes da Silva. Ele vivia no município, onde o casal decidiu constituir a família, composta por quatro filhos: Luiz Carlos, Adriana, Renata e Leandro.
Assim que se mudou, Fátima fez dois cursos junto ao Senac: o de atendente de enfermagem e o de auxiliar de enfermagem. Em 1978, começou a trabalhar no Hospital de Base de Bauru (HBB). Passados alguns anos, ela optou por ter um segundo emprego. Em 1990, foi classificada no concurso da Prefeitura de Bauru para preencher uma vaga no Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Ao completar 40 anos, Edgar morreu vítima de uma parada cardíaca. Fátima, então, ficou sozinha com quatro filhos e dois empregos. Em 2003, ela se aposentou do Hospital de Base e seguiu apenas na saúde pública municipal.
Há 14 anos, Fátima decidiu entrar para o Samu, de onde só saiu na última quinta-feira. Portanto, viu a instituição nascer.
Entre as histórias marcantes, a auxiliar de enfermagem guarda, principalmente, aquelas envolvendo crianças. "Havia um pequeno com leucemia, no Base. Era triste vê-lo morrendo aos poucos, já que nós queremos a saúde das pessoas", relata.
Por outro lado, os finais felizes a deixavam esperançosa. "Muitos renais crônicos, que dependiam de uma máquina para sobreviver, conseguiam transplante e tocavam a vida normalmente", narra.
Logo, Fátima acredita que a saúde pública tenha concedido sabedoria a ela, principalmente porque aprendeu a pensar positivo, independente da situação. "Agora, eu me aposentei. Estou triste, mas vou me recuperar. Sabe por quê? Porque eu venci", argumenta.
HOMENAGEM
Para a auxiliar de enfermagem, o momento é de alegria. Tanto que pediu para se despedir com um "banho de prancha". "Quando o bombeiro se aposenta, leva um jato d'água. Quis encerrar o meu ciclo desta forma", justifica.
Anteontem, o desejo de Fátima foi atendido pelos colegas, que a homenagearam de várias maneiras. No Facebook, o perfil do Samu postou uma mensagem, com a qual justificou a algazarra. "Desta vez, não era grave. A sirenada, realizada nesta manhã [de quinta-feira, dia 9] pelas equipes que estavam livres, era a justa homenagem para anunciar o momento de Maria de Fátima Alves passar a desfrutar da aposentadoria".
Ainda no texto, a equipe afirma que Fátima foi apelidada de Fafá, Fatiminha ou Linda - forma pela qual costumava chamar os companheiros de trabalho. "Foram dezenas de milhares de atendimentos prestados por uma funcionária sempre reconhecida pela sua extrema dedicação e pelo trato carinhoso com os colegas".
Agora, a auxiliar de enfermagem pretende cuidar dos netos e da saúde, bem como viajar. "Não é o fim, só o começo de um novo ciclo", finaliza.
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| Maria de Fátima Alves, de 65 anos, se aposentou pelo Samu e, anteontem pela manhã, levou um 'banho na prancha' |
| Aceituno Jr. |
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| Fatiminha entregou os uniformes ao enfermeiro Jefferson |


