Cultura

Uma estrela se vai: Doris Day


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Ken Whitmore
Doris em 1978: casada 4 vezes, divorciada 3 e uma vez viúva

A atriz norte-americana Doris Day, conhecida sobretudo por sua atuação em filmes de comédia, morreu nesta segunda-feira, 13/5, vítima de pneumonia, aos 97 anos. O anúncio foi feito pela Doris Day Animal Foundation. A atriz, que era uma premiada protetora dos animais, morreu em sua casa em Carmel Valley, na Califórnia.

A fundação diz em comunicado que ela estava rodeada de amigos íntimos e "em excelente estado de saúde física para sua idade, até recentemente contrair um caso grave de pneumonia".

Doris Day era conhecida como cantora e atriz em melodramas, musicais e comédias inocentes que fizeram dela uma grande estrela nos anos 50 e 60.

Seu trabalho a colocou entre as atrizes de cinema mais populares da história.

No clássico "O Homem que Sabia Demais", por exemplo, dirigido por Alfred Hitchcock em 1956, uma canção executada por Doris é essencial para o enlace da trama de espionagem e logo se tornou um dos hits da atriz: "Que Sera, Sera".

A voz cadenciada, a beleza loura e o sorriso brilhante lhe trouxeram uma série de sucessos, primeiro em discos, depois em Hollywood. Doris Day celebrou seu 97º aniversário no dia 3 de abril.

Embora estivesse praticamente aposentada do show business desde os anos 1980, ela ainda tinha um grande número de fãs. Deixa um filho e um neto.

Recato nas telas

Doris Day nasceu no mesmo dia e mês que Marlon Brando, 3 de abril. Ele ficou famoso como o grande transgressor da arte da representação nos EUA. Criou papeis memoráveis, ganhou duas vezes o Oscar - por "Sindicato de Ladrões", em 1954, e por "O Poderoso Chefão", o primeiro, em 1972.

Doris seria o oposto. Numa série de comédias que fez história - com Rock Hudson - era chamada de eterna virgem. O mundo estava mudando, a liberação dos costumes era a realidade dos anos 1960, e Doris continuava como imagem do recato nas telas.

Longe delas, casou-se umas quantas vezes e um dos maridos roubou sua fortuna. Apoiou o amigo Hudson quando ele saiu do armário e provocou um choque ao anunciar que estava morrendo - de complicações decorrentes da Aids.

SEQUÊNCIA

A atriz esteve ótima no musical "Um Pijama para Dois", de Stanley Donen e George Abbott, de 1957, e fez também "Confidências à Meia-Noite", de Michael Gordon, em 1959, justamente com Rock Hudson.

Com ele, e também Cary Grant e James Garner, ela seguiu fazendo comédias como virgem renitente - "Volta Meu Amor", "Carícias de Luxo", "Tempero do Amor", etc. Com um diretor considerado de segunda, David Miller, fez outro suspense de primeira, "A Teia de Renda Negra", como a mulher que suspeita que o marido (Rex Harrison) quer matá-la. A trilha ficou clássica, com a canção "Midnight Lace".

Doris foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por "Confidências à Meia-Noite" e, depois, recebeu um Oscar e um Globo de Ouro especiais.

Reprodução
Doris em cena do filme "O Homem que Sabia Demais": sucesso

Imagem pública e aceitação...

"Minha imagem pública é para sempre a da virgem americana saudável, a da vizinha despreocupada que transborda felicidade", disse ela em suas memórias. "Uma imagem, garanto a vocês, mais fantasiosa do que qualquer papel que eu tenha desempenhado. Mas sou a Miss Cinturão de Castidade, e o assunto está encerrado".

Você sabia?

Nos últimos anos, a atriz destinou muito do seu tempo defendendo o direito dos animais.

Marcante sempre

Doris nasceu Doris Mary Ann Kappelhoff em Cincinatti, Ohio, em 1922. Iniciou-se como cantora de big bands em 1939, aos 17 anos. Seu primeiro hit foi "Sentimental Journey", em 1945.

No cinema, fez diversos papeis secundários antes de estourar como protagonista - a pistoleira Calamity Jane - em "Ardida como Pimenta", de 1953. Seguiram-se grandes papeis dramáticos em "Ama-me ou Esquece-me", em 1956, e "O Homem Que Sabia Demais", de Alfred Hitchcock, em 1956.

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