Geral

Conduzido pelo bem... coletivo

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Laércio Moraes Tavares, 52, é motorista de ônibus há 18 anos: um apaixonado pela profissão

Assim que chegou ao ponto de ônibus, entre a rua Antônio Alves e a avenida Rodrigues Alves, na região central de Bauru, o motorista Laércio Moraes de Tavares, de 52 anos, conhecido como Careca, abriu as portas do veículo, que ia até o Centreville, esbanjando um largo sorriso no rosto. Há quase duas décadas, ele exerce tal função com maestria, educação e gentileza ímpares. Tanto que arrumou tempo para conversar com a equipe de reportagem do Jornal da Cidade.

No meio da entrevista, porém, a funcionária de um restaurante próximo interrompeu a fala de Laércio, porque precisava de troco para R$ 50,00. Prontamente, o condutor a ajudou. "Não tem jeito, eu amo o que faço", justifica.

Embora já esteja enraizado na cidade, Laércio nasceu em Guararapes, perto de Araçatuba, também no Interior de São Paulo. Logo que pegou o diploma de técnico agrícola, passou a viver em Guapiaçu, onde conseguiu emprego nesta área. Depois, foi transferido a Bauru.

Entretanto, a empresa fechou e Laércio começou a fazer o que realmente gostava: dirigir. "Comprei um caminhão particular", revela.

Passado certo tempo, decidiu vendê-lo para realizar o sonho da casa própria, momento em que deu início ao trabalho que mantém até hoje: justamente o de motorista de ônibus (ele trabalha na empresa Grande Bauru do sistema Transurb).

PRESTATIVO

Laércio acredita que tenha nascido para desempenhar esta função tão desgastante, se levar em consideração o trânsito caótico do município. Inclusive, recentemente, uma passageira disse que precisava ir até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista, mas não sabia onde estava.

Como a linha do motorista não compreendia este destino, ele indicou o coletivo correto. Contudo, a senhora não desceu do ônibus e Laércio seguiu até a quadra 11 da rua Araújo Leite. De lá, acionou o supervisor, que fica na garagem.

O condutor, então, entrou em contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e aguardou até a chegada do órgão.

"Não tinha como deixá-la sozinha. Deus me deu este dom de lidar com o povo".

O motorista trabalha das 6h às 14h, mas costuma fazer hora extra para reforçar o orçamento doméstico.

Laércio é casado há 28 anos e tem três filhos: Jhonatan, de 26, Matheus, de 24 e Jhenifer, de 23, bem como uma neta de apenas 3 meses.

Além disso, o primogênito admira tanto o pai que trabalha na mesma empresa, porém, em outra função.

Fala, passageira

A técnica de enfermagem Silvana Steker Pacheco, de 32, conhece Laércio há pouco mais de um ano. Diariamente, a passageira pega o ônibus que ele conduz em frente ao Hospital de Base de Bauru (HBB), onde trabalha, rumo à sua casa, no Pousada da Esperança 1.

Silvana diz nunca ter conhecido um motorista tão gentil, cordial e solícito. Ela, inclusive, presenciou o episódio em que Laércio ajudou outra passageira. "A senhora queria ir à UPA do Bela Vista, mas estava desorientada e no ônibus errado. O motorista, então, acionou o Samu e disse que esperaria ao lado dela. Se quiséssemos, poderíamos pegar o próximo carro, que estava para chegar. A maioria fez isso, mas eu fiquei", relata.

Além disso, a passageira narra que Laércio não saiu do lado da senhora e, ainda por cima, tirou dinheiro do próprio bolso para comprar um salgado, afinal, ela havia reclamado de fome. 

Ainda de acordo com a técnica de enfermagem, o condutor cumprimenta todo mundo que sobe e desce do coletivo. "Ele também para sempre que tem crianças prestes a atravessar a rua", complementa.

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