| Fotos: Malavolta Jr. |
![]() |
| Manifestantes na avenida Rodrigues Alves, quase na Nações Unidas, pouco depois de saída da Câmara Municipal: mobilização |
"A nossa luta é todo dia. Educação não é mercadoria". Ao entoar esta frase, manifestantes de diferenciados segmentos integraram ato, em Bauru, contra o bloqueio de verbas destinadas ao setor. Conforme previsto, o movimento foi nacional.
Assim, nessa quarta-feira (15) pela manhã, jovens e adultos percorreram as principais vias da cidade, como as avenidas Rodrigues Alves, Nações Unidas e Duque de Caxias, da Câmara de Vereadores rumo à sede do Executivo municipal, na Praça das Cerejeiras.
![]() |
| Coordenador da Apeoesp, Marcos Chagas, falou aos participantes |
De acordo com o coordenador do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), uma das entidades organizadoras da passeata, Marcos Chagas, havia 10 mil manifestantes. A Polícia Militar, por sua vez, estimou um público de 3 mil pessoas.
Ainda segundo Marcos, toda a sociedade foi convocada a participar, não apenas estudantes e professores. Para ele, boa parte atendeu ao chamado.
"Tivemos trabalhadores de outras áreas, preocupados com as medidas que afetarão, diretamente, os mais novos: corte na Educação e Reforma da Previdência".
Embora o ato estivesse bastante plural, a maioria era mesmo composta por jovens (com destaque para estudantes de escolas e universidades públicas). Alguns alunos de colégios e faculdades particulares demonstraram apoio à causa e participaram.
'PENSANDO NO FUTURO'
Quem marcou presença na manifestação foi a assentada Maria José Lourenço, de 51 anos. Ao lado da neta, Maria Clara Vitória dos Santos Lourenço, de 7, ela caminhava em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade. "Penso no futuro desta pequena", complementa.
A merendeira Cláudia Freitas, de 52 anos, era outra que se preocupava com os filhos e netos. "Educação e Saúde são os setores mais sensíveis do País. Não dá para cortar dinheiro", critica.
| Fotos: Malavolta Jr. |
![]() |
| Ana Luiza da Silva saiu às ruas pela manutenção de verbas dos cursos de filosofia e sociologia |
Aluna da 1.ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Joaquim Rodrigues Madureira, Ana Luiza da Silva, de 15, saiu às ruas contra outra declaração polêmica do presidente Jair Bolsonaro (PSL).
No último dia 26, ele alegou que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, "estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia". "Como querem bloquear verbas para cursos que nos fazem pensar?", questiona.
BASE DO PAÍS
![]() |
| Estudante de odontologia da USP, Vinícius Gramuglia Malagutte participou |
Já o estudante de odontologia da USP Vinícius Gramuglia Malagutte revela que a instituição levou professores, além de alunos da graduação e da pós-graduação.
"A gente precisa conscientizar a população de que não podem cortar verbas da Educação, considerada a base de qualquer país", argumenta.
Estudante de educação física da Unesp, Melissa Ligeiro, de 22 anos, andava ao lado de Isabella Antônio, de 20, que frequenta o Cursinho Pré-Vestibular Primeiro de Maio, vinculado à mesma instituição. De acordo com Melissa, alguns colegas já sentiram as consequências do corte anunciado pelo governo.
"Fiquei sabendo que o Programa de Mestrado que eu iria entrar, mas desisti por questões pessoais, está sem bolsa para quem acabou de ingressar", afirma.
Em Bauru, o protesto foi convocado por entidades de classe (Apeoesp, Udemo e Sinserm), bem como pelo movimento estudantil, que engloba, também, as públicas estaduais Unesp e a USP.
Fluidez, tentativa e desfecho
Comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar de Bauru, o capitão Bruno Mandaliti diz que o papel da corporação, no caso de manifestações assim, é garantir o protesto com fluidez no trânsito. De última hora, os manifestantes decidiram mudar o itinerário e, assim, a PM redirecionou o efetivo.
Antes, estava previsto sair da Câmara Municipal, na Rodrigues Alves, rumo à Nações Unidas, no sentido do Calçadão da Batista de Carvalho. De lá, o grupo iria até a Prefeitura de Bauru.
No entanto, os manifestantes saíram da Câmara, na Rodrigues, rumo à Nações, passando pela Duque de Caxias. Depois, caminharam pela Rio Branco até a Praça das Cerejeiras. Mesmo assim, a polícia conseguiu manter a segurança do grupo e de quem passava pelas principais vias da cidade, seja a pé ou de carro.
Em dado momento, alguns manifestantes tentaram entrar na prefeitura, cujas portas foram fechadas naquele momento. Logo, a situação foi contornada. Segundo o capitão, nenhuma ocorrência grave foi registrada. Agentes de trânsito da Emdurb também ajudaram a dar sequência habitual ao tráfego.
|




