Cultura

Morre Léu: gigante discreto da música raiz

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Jair Bertolucci/TV Cultura
Liu e Léu (nessa ordem na foto) foram homenageados várias vezes pelo "Viola, Minha Viola"

Danilo Pavani/TV Cultura
Léu (aqui, o primeiro à esq.) com Liu em 1980 na TV Cultura

Reprodução
Juntos em Itajobi: Léu, Zeca, Vieirinha, Zico, Zé da Viola e Liu

A música de raiz perdeu nessa quinta-feira (16), ao meio-dia, um nome tão curto quanto imenso: Léu.

O cantor e violeiro de 82 anos já estava com a saúde frágil, dependia de reforço de oxigênio nos últimos meses e teve piora no quadro.

A filha, Ellen Costa, postou que o velório ocorre em São Paulo, no Cemitério De Santana (Chora Menino) - rua Nova dos Portugueses 141 - e a saída para o Crematório Vila Alpina será feita a partir das 9h de hoje.

Nascido em Itajobi, Walter Paulino da Costa formou com o irmão, Lincoln Paulino da Costa (morto em 2012), uma das duplas mais inspiradas com temáticas ligadas à natureza: Liu e Léu. 

Conforme ontem observou Sandra Cristina Peripato, do site recantocaipira.com.br, de Ribeirão Preto, "fechou-se a cortina do palco da vida da mais tradicional e mais importante família da música sertaneja".

Já eram também falecidos os irmãos deles, Zico e Zeca, e os primos Vieira e Vieirinha - todos, nomes de referência no segmento.

Entre os vários sucessos gravados à perfeição por Liu e Léu a partir de 1959 estão "O Ipê e o Prisioneiro", "Boiadeiro Errante", "Rei do Café", "Tardes Morenas de Matogrosso", "A Sementinha" e "Caminheiro".

"Era considerada a dupla mais afinada", destacaram Gilberto e Gilmar no Facebook. "Nós, da família Tião Carreiro, queremos expressar a tristeza com o falecimento do grande artista sertanejo Léu", frisou página que mantém viva a memória de Tião Carreiro e Pardinho.

Figuras marcantes no programa "Viola, Minha Viola", das manhãs de domingo na TV Cultura, Liu e Léu também foram indicados ao Grammy Latino na categoria "Melhor Álbum de Música Regional" em 2003. Foram quase 40 discos e uma carreira marcada por shows lotados - inclusive em Bauru e região.

'Era a mansidão'

De acordo com o amigo João Luís Munhoz, de Bariri, Léu - que conheceu em 1980 - era a mansidão em pessoa. "Alma transparente, fala calma", resume. "Transmitia, também como Liu, Zico e Zeca, muita paz e tranquilidade. Gente pura, sem maldade. E de Léu eu passaria a noite falando. Todo o meio artístico respeitava".

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