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Varizes: opções menos invasivas garantem melhor restabelecimento

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 6 min

Samantha Ciuffa
Cirurgia vascular evoluiu muito, explica Claudio Gabriele 

Cerca de 70% dos adultos brasileiros têm algum tipo de varizes, estima o Ministério da Saúde. Muito mais que uma preocupação estética, em alguns casos, o acúmulo de sangue nas pernas pode gerar complicações como dores, inchaço e até trombose, quando há um rompimento das veias. Mas, com o passar dos anos e evolução da medicina, diversas técnicas vêm sendo desenvolvidas para tratar os pacientes de forma menos invasiva - importante especialmente para pessoas com idade avançada - e com resultados mais rápidos.

"Hoje em dia, é possível tratar varizes com anestesia local em um consultório, assim como

Arquivo Pessoal
Benedita Inácio Pozenato, 79 anos, recomenda nova técnica

em um hospital, mas de uma maneira em que o paciente faz a cirurgia e, depois de duas ou três horas, ele já tem alta para voltar para casa", comenta o cirurgião vascular, endovascular e angiorradiologista Claudio Gabriele. "É importante que o paciente também use uma meia elástica. Além de que, antigamente, as incisões eram maiores, os pacientes acabavam ficando com cicatrizes e isso não ajudava esteticamente. Hoje em dia, a cirurgia vascular evoluiu muito nesse sentido", completa.

Segundo Claudio, a utilização de tais técnicas é benéfica, ainda, para pacientes idosos em que a cirurgia tradicional já não seria indicada. Como é o caso de Benedita Inácio Pozenato, de 79 anos, que operou as varizes, com a tecnologia a laser. Há mais de 10 anos, ela já havia operado com cirurgia tradicional, mas há seis anos as varizes voltaram. "Eu fiquei receosa de fazer a cirurgia novamente. Aí, soube da possibilidade de fazer a laser e foi excelente. Eu recomendo, porque a recuperação é muito boa e rápida", afirma a ex-paciente, que sempre dançou e pode retornar, brevemente, aos salões. "Tive de ficar com a meia, mas já saí andando do hospital e, em pouco tempo, o médico já me liberou para voltar a dançar", conta.

A questão estética era o que mais incomodava Benedita, já que, segundo ela, suas varizes eram bastante altas. "Eu não sentia dores, nem muito inchaço, o problema é que elas eram bem feias. Agora a perna está linda, quase não fica cicatriz", comemora.

PROCEDIMENTOS

Comparada a uma cirurgia convencional, a técnica de laser e radiofrequência é menos invasiva porque não extrai a veia, somente a fecha e impede a circulação de sangue no local. O método é menos agressivo e proporciona uma recuperação bem mais cômoda e rápida. Na cirurgia a laser, a veia é cauterizada e deixada no lugar, posteriormente ela é absorvida e eliminada pelo próprio corpo.

"É realizado por meio de uma fibra ótica que é introduzida por uma punção única e se consegue que a veia - por meio do calor - sofra um processo de foto termoablação laser em que vai se contrair e se fechar. Com isso, gera-se menos trauma cirúrgico", elucida Claudio.

ESPUMA DENSA

Outra técnica que, de acordo com o cirurgião vascular, vem ganhando cada vez mais força por conta dos materiais e da tecnologia que foram desenvolvidos, é a de escleroterapia com espuma densa produzida a partir de uma proporção específica de polidocanol, misturada com o ar.

"Essa técnica vem sendo praticada há alguns anos, mas com o advento da utilização do ultrassom intraoperatório, ganhou muita força. Pois, enquanto se está injetando a substância, é possível ir observando para onde essa espuma está se direcionando, o que garante maior segurança ao paciente", destaca Claudio. "Nenhuma forma substitui a outra. Essas são técnicas em que o resultado cirúrgico estético e a resolução da patologia são muito positivos", completa.

NOVAS TECNOLOGIAS

Ainda de acordo com o cirurgião, tanto para a prevenção quanto para o tratamento e pós-operatório, o uso de meia de compressão para varizes é indispensável. "O padrão das meias elásticas mudou muito. Os fabricantes investiram, principalmente, em países tropicais, em tecnologia para produzir fios que são mais confortáveis, que não esquentam e que o paciente consegue aderir melhor ao tratamento. Essa é a principal linha de prevenção hoje", diz o especialista.

Segundo ele, essas técnicas e equipamentos ainda não têm grande abrangência por questão de valores. "O grande problema são os custos, o que dificulta o Sistema Único de Saúde (SUS) a manter essas tecnologias. As fibras óticas, por exemplo, são de uso único, descartáveis e elas têm custo relativamente alto. Além da estrutura ambulatorial que é necessária para isso. É difícil para o sistema público de saúde oferecer o serviço, tendo em vista as demais demandas", finaliza. 

Incidência e complicações

Varizes são definidas como uma dilatação permanente das veias superficiais da coxa e da perna, que perdem sua função. É predominante no sexo feminino em proporção de duas a cinco mulheres para cada homem, tornando-se mais comum conforme a idade avança. Nos idosos, chega a atingir 60 a 70% da população. "Essa doença pode ser hereditária e adquirida. Tanto para homens quanto para mulheres, as questões laborais podem causar varizes, mas podem aparecer mais em mulheres, por questão hormonal - no caso, a produção de estrogênio", elucida Claudio Gabriele, cirurgião vascular, endovascular e angiorradiologista.

Elas podem surgir como microvarizes de apelo estético, passando por veias dilatadas, pernas inchadas, manchadas, doloridas e, até mesmo, levar ao surgimento de feridas de difícil cicatrização: as úlceras. "Dor, formigamento e câimbras noturnas são as queixas principais dos pacientes", diz.

Além disso, o médico explica que existe uma escala que gradua o estágio da doença de 0 até 6. "Os riscos também são classificados a partir dessa graduação. Por exemplo, vai ser mais difícil um paciente com varizes de grau 1 desenvolver trombose, mas quando as varizes estão mais calibrosas, em grau 4 ou 5, podem causar uma complicação maior que é a trombose venosa", finaliza. 

Queda da temperatura pede mais atenção para pacientes com outros problemas circulatórios

As temperaturas estão caindo e, por mais que o tempo mais frio seja aliado de quem sofre com varizes, pessoas com outros problemas circulatórios, como a aterosclerose, precisam redobrar os cuidados. O cirurgião vascular, endovascular e angiorradiologista Claudio Gabriele explica que essa doença acomete, em maior parte, os idosos e destaca que o tabagismo, hipertensão, diabetes e colesterol alto são fatores de risco para desenvolver a doença.

"No tempo mais quente, pacientes com varizes sentem maior inchaço, os vasos se dilatam e causam dores. No frio, esses pacientes sentem mais conforto. Já quem tem aterosclerose sofre mais. Diferente da veia - que drena o sangue -, a artéria nutre o tecido e precisa ter uma parede elástica. A aterosclerose é o acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias, o que restringe o fluxo sanguíneo e pode acometer qualquer artéria, tanto as dos membros, quanto a carótida que irriga o cérebro e a coronária que irriga o coração", explica o cirurgião.

Ainda de acordo com Claudio, a claudicação - que é a dor nas pernas ao caminhar - e a cianose - que é a coloração azul-arroxeada da pele, principalmente, nas extremidades - são sinais da aterosclerose nos membros. "Eles tendem a se agravar no frio. Além disso, há também a necrose. Para diabéticos é importante que, por conta da sensibilidade reduzida, os pés sejam sempre conferidos, para que não haja uma infecção em eventuais fissuras", afirma.

Ele também salienta que, para pacientes de aterosclerose, não é indicado, de maneira alguma, a prática de escalda pés, principalmente em diabéticos. "Se houver piora dos sintomas no período de frio, o mais importante é buscar atendimento médico", finaliza. 

 

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