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| Baté era servidor de carreira da Secretaria Municipal de Obras |
O subprefeito do Distrito de Tibiriçá, José Antônio Cosmo, o Baté, morreu no final da tarde deste sábado, em Bauru, aos 56 anos. Há cerca de uma semana, ele estava internado no Hospital de Base (HB), com diagnóstico de pneumonia. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) decretou luto oficial de três dias.
Baté era servidor de carreira na Secretaria de Obras e ocupava o cargo de subprefeito desde o início desta gestão do atual chefe do Executivo, informa a assessoria de imprensa da prefeitura. “Deixa uma imensa saudade na família, nos amigos e certamente nos moradores de Tibiriçá, onde fazia um ótimo trabalho”, afirma Gazzetta.
Baté também tinha reativado o Centro Rural do distrito, acrescenta Ana Bia Andrade, professora do Departamento de Design da Unesp (leia abaixo texto escrito por ela). Várias atividades, inclusive, foram feitas em parceria com a universidade.
Tanto que a cooperação se estendeu ao bloco Estrela do Samba de Tibiriçá, que foi o grande vencedor do Carnaval de Bauru em sua categoria, neste ano. Foi a primeira vez que a agremiação conquistou o título.
A família Baté não só é fundadora do bloco, como também do próprio distrito, explica a professora. Tem ainda uma importância cultural na preservação das tradições africanas e sua ancestralidade, também com festas como a de Santo Antônio.
José Antônio Cosmo era filho de José Cosmo, também conhecido como Baté, que morreu aos 87 anos, em julho 2016. Na época, assim como acontece hoje, deixou o distrito em luto. Baté pai também foi subprefeito de Tibiriçá em dois períodos: de 1988 a 1992 e de 1997 a 1998.
Pai e filho deixaram a matriarca Irene Bárbara Balbino Cosmo. Desta vez, o óbito foi provocado por insuficiência renal, choque cardiogênico e insuficiência cardíaca. Irmãos e amigos se despediram de Baté no Velório Municipal de Tibiriçá. Seu corpo foi sepultado neste domingo (19), no Cemitério São Pedro, em Tibiriçá, às 17h.
FAMÍLIA BATÉ: CONTOS E ENCANTOS EM TIBIRIÇÁ
No interior de São Paulo, mais exatamente no distrito de Tibiriçá, vinculado à cidade de Bauru, mora a família Baté. José Cosmo, sobrenome que desde o fim da escravatura vem dos padrinhos, é o patriarca conhecido como Seu Baté. O apelido surgiu em uma contenda de futebol quando o time de Taubaté era o ‘rival’.
Desde o bisavô escravo, passando pelo avô e pelo pai, a família atravessou o rio São Francisco, oferecendo fumo e pinga pro ‘Caboclo das Águas’, passou por Cachoeira na Bahia, até chegar ao interior de São Paulo. Em um momento de fome, o pai confiou a São Benedito o sustento da esposa, filhas e filhos.
No distrito, de aproximados 1 mil habitantes, para o qual se mudaram em 1973, fica a ‘casa grande’. Carnavalescos, fundaram o bloco de rua ‘Vai quem quer’, atualmente desfilando no sambódromo de Bauru como o ‘Estrela do Samba de Tibiriçá’.
Não tem carnavalesco, temos amigos e colaboradores. Enredo, samba, abadás e fantasias, são resolvidos em grupo composto por famílias e amigos. Concordam, discordam e chegam ao acordo. Tudo dá certo com o trabalho do coletivo, onde cada um faz o que sabe fazer.
Ao longo do ano, constam do calendário duas datas especiais: o dia de Santo Antônio, 13 de junho, e o agradecimento para São Benedito em 20 de novembro. Na festa de Santo Antônio, que chega a congregar 800 pessoas no ‘quintal dos Baté’, ergue-se o ‘mastro’ e canta-se o ‘terço’.
Em novembro, o motivo é o da gratidão pelo alimento de cada dia não faltar como antes. Instituíram uma medalha, a fim de premiar os membros da família que obtinham conquista nos estudos. Com o tempo, são agraciados com a medalha, atualmente denominada ‘Zumbi dos Palmares’, todos os que participam da festa.
São considerados igualmente guerreiros, assim como foram, desde os ancestrais, e são os ‘Baté’. Contar um pouco desta história de resistência negra no interior de um dos maiores estados brasileiros, cuja fonte é a memória oral, por ora, preservada e transmitida, é algo que encanta.
Por Ana Bia Andrade
