Tribuna do Leitor

Cabo de Guerra

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 2 min

Que a situação na Venezuela é caótica, não se discute, mas é preciso observar e entender suas origens e como a ditadura de Maduro se mantém. Nascida de um golpe militar fracassado em 1992, a candidatura de Hugo Chávez se projetou, sendo ele eleito em 1998. Após eleito, Hugo Chávez passou a alterar as regras do jogo para perpetuar-se no poder. Com sua morte, assumiu o verdugo Nicolás Maduro.

Mas o principal detalhe é que os militares que reprimiram o golpe de Chávez posteriormente se aliaram a ele. Pior. Com a subida de Maduro ao poder, as forças armadas venezuelanas se dividiram: os patriotas apoiando a Venezuela e o povo venezuelano... os interesseiros aliados à Maduro. Em nosso país, estamos nos aproximando dessa dicotomia de posicionamento, onde é preciso entender em que lado cada um está.

Enquanto Bolsonaro, sua família e seu mentor político Olavo de Carvalho vêem na ala militar que apoiou e fortaleceu a eleição do presidente um perigo atual para seus planos e tenta desmoralizá-la e destruí-la paulatinamente, alguns grupos militares fazem coro a esses ataques, convocando seus membros para passeata em apoio a Bolsonaro e sua trupe.

Nesse cabo de guerra, temos de um lado o vice-presidente Hamilton Mourão, general Villas Boas, general Santos Cruz e outros militares humilhados pelas palavras de Olavo de Carvalho e por Carlos Bolsonaro, com o aval do pai. De outro, militares que insistem em apoiar quem ataca seus líderes sistematicamente. (Vale lembrar que o principal desafeto dos militares foi condecorado por Bolsonaro com o mais alto grau da Ordem de Rio Branco, num verdadeiro tapa na cara da ala militar).

Se na Venezuela os militares nacionalistas defendem o país e o povo, enquanto outros se unem aos interesses de Maduro, no Brasil fica a dúvida: de que lado estão nossos militares? Ao lado do Brasil, do povo brasileiro e de seus mais altos escalões hierárquicos ou ao lado dos interesses da família e de um capitão expulso do Exército e reconduzido graças à "bacia das almas" das decisões judiciais?

Se alguém entender essa miscelânea, perdoe minha ignorância, por favor, me explique.

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