Política

Hospital das Clínicas precisa de R$ 3,1 mi para começar

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Fotos: Malavolta Jr.
José Sebastião dos Santos, superintendente do Centrinho, com os vereadores Roger Barude, Sandro Bussola e Telma Gobbi na visita

Guilherme Janson (vice-diretor da FOB/USP), Luiz Augusto Franzolin (presidente da Assenag) e José Sebastião dos Santos

O futuro Hospital das Clínicas (HC) da USP de Bauru precisa de R$ 3,1 milhões para começar a funcionar, ainda que de maneira parcial. Os números foram apresentados nessa quarta-feira (22) de manhã pelo coordenador do curso de Medicina da FOB/USP e superintendente do Centrinho, professor José Sebastião dos Santos, durante visita de vereadores e de membros da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) ao 'predião' do Centrinho. O espaço precisa de adaptações para começar a atender efetivamente. Já para a montagem completa da estrutura, são R$ 12 milhões, conforme o JC noticiou recentemente.

No oitavo andar, já estão até mesmo instaladas as macas que serão usadas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), com dez leitos adultos e outros dez para a pediatria. Falta ainda a compra de equipamentos, parte mais cara. O valor de R$ 3,1 milhões é suficiente para promover os primeiros reparos e começar a ocupar o imóvel, que demorou mais de 20 anos em construção. "O setor que será ocupado primeiro depende dos gestores da saúde pública. Em um prazo muito curto de tempo, é difícil começar. Precisa colocar gases, monitores, bombas de infusão, e a contratação de pessoal. Essa é a principal preocupação do governo porque é um custo fixo e entra no limite fiscal", afirma José Sebastião.

O montante que o governo do Estado precisará gastar por mês com funcionários e custeio ainda não está definido. "O que é possível fazer é planejar para começar a ter um funcionamento no ano que vem, ainda que de maneira parcial. O mais provável é uma ocupação escalonada. A construção já temos, o que falta é ativar os leitos. Mesmo de forma parcial, é necessário garantir o mínimo do bom funcionamento", lembra o superintendente do Centrinho.

Em visita a Bauru na semana passada, o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) anunciou que o projeto para adequações do prédio do HC ficará pronto ainda neste ano e o começo das obras será em 2020.

PERFIL

As especialidades que já atuam no Centrinho seriam as primeiras a ter espaço, como uma ampliação dos serviços do hospital já existente ao lado. "As especialidades da cabeça e do pescoço, otorrinolaringologia, já temos no Centrinho e seriam as primeiras a entrar no novo hospital. Antes, precisa haver uma definição de como ficarão os serviços de cada hospital de Bauru, porque não é possível oferecer serviços parecidos, não há disponibilidade de mão de obra para isso. É preciso que cada um ofereça algo diferente", comenta José Sebastião dos Santos.

Entre os custos estruturais previstos, visando um início de ocupação parcial, estão R$ 250 mil para corrigir vazamentos no telhado, R$ 350 mil para revisão geral do ar condicionado central, R$ 600 mil para adequações que permitam a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), entre outros.

A passagem de tubos de gases, compra de mobiliário e equipamentos também estão incluídos. A proposta mais viável, de acordo com ele, seria criar os serviços aos poucos, com ampliação gradativa de vagas e especialidades, até chegar na capacidade total, estimada em 200 leitos.

ETAPA

A vereadora Telma Gobbi (SD), presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, sugeriu que, de fato, a USP e o Estado façam a ocupação escalonada do prédio. "O que vemos aqui são alguns setores já com alguns recursos, como a UTI, mas que ainda falta o mais caro, que são os equipamentos e a contratação de equipes, e outros setores que ainda precisa de investimentos. O que é possível, e acredito que será o mais viável, é ocupar o prédio por etapas, com a criação de 40 a 50 leitos por vez, portanto, em quatro ou cinco etapas de abertura de vagas. O serviço de saúde é algo caro e que precisa de verba par custeio permanente. Esse ponto é o principal. A cada dois ou três anos de funcionamento de um hospital, é o valor para construir um prédio novo", frisa.

O vereador Markinho Souza (PP) defende que o município peça ao Estado a prioridade na conclusão do HC, pois já está em processo bem mais avançado em comparação ao Hospital Manoel de Abreu, que será reformado, também com previsão para o ano que vem. Na opinião do parlamentar, os dois hospitais serão importantes, mas, diante da necessidade de novos leitos o quanto antes, o ideal seria priorizar o que está mais perto de ficar pronto.

Também estiveram presentes os vereadores Roger Barude (Cidadania), Miltinho Sardin (PTB), Pastor Luiz Barbosa (PRB), Fábio Manfrinato (PP) e Sandro Bussola (PDT), que é o presidente da Comissão de Direitos Humanos, outro grupo que havia solicitado a visita, assim como a Comissão de Obras, cujo presidente, vereador Manoel Losila (PDT), foi representado por assessores, uma vez que estava em compromisso previamente marcado.

Estrutura aparenta boas condições, avalia Assenag

O presidente da Assenag, Luiz Franzolin, acompanhou a visita técnica e disse que, de maneira geral, o 'predião' aparenta boas condições. "De uma forma geral, as condições estruturais parecem boas, nada que comprometa o começo do funcionamento. O que dá para perceber é que alguns problemas pontuais apareceram, como infiltrações, mas, na estrutura principal, não parece ter algo que comprometa mais", afirma.

Como ficará a divisão por andares no hospital

Malavolta Jr.
No oitavo andar, parte da estrutura da UTI já está montada

O oitavo andar do prédio é o que aparentava estar mais completo, durante a visita dos vereadores ontem e que foi acompanhada pelo JC. O espaço será usado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com dez leitos adultos e outros dez leitos de pediatria. O custo, porém, é alto. Cada cinco vagas de UTI pode custar até R$ 2 milhões mensais, dependendo da especialidade oferecida.

Já no terceiro, quarto e quinto andares, funcionarão os leitos comuns - que ainda precisam de macas e equipamentos - e no sétimo andar, os laboratórios. O nono andar é para o centro cirúrgico, e o décimo pavimento para guardar materiais, insumos, entre outros.

Por enquanto, algumas salas do primeiro andar estão sendo usadas pelo Centrinho, mas são os poucos espaços do novo prédio com ocupação. Este e o segundo andar ficarão ainda para atendimentos ambulatoriais e exames como ressonância e tomografia.

Apenas o sexto piso ainda precisa de uma definição de como será usado, podendo receber mais leitos comuns.

Regulação de vagas precisa de uma definição

O coordenador do curso de Medicina da USP e superintendente do Centrinho, professor José Sebastião dos Santos, aponta que a regulação do acesso aos hospitais é um dos grandes desafios na saúde pública de Bauru e região. Antes de começar a vistoria do prédio, os vereadores foram informados que esta mudança precisa acontecer para dar mais racionalidade ao uso dos leitos e garantir a internação de quem mais precisa.

O Hospital de Base (HB) deverá, neste planejamento, atender apenas a casos de urgência, como traumas, AVC e infarto, enquanto o Hospital Estadual (HE) e o Hospital das Clínicas (HC) ficariam com cirurgias eletivas. As especialidades eletivas do HB seriam distribuídas entre os outros dois hospitais. Por fim, o Manoel de Abreu, quando voltar a funcionar, teria um caráter de hospital para internações prolongadas.

Atualmente, a Central de Regulação em Oferta de Serviços de Saúde (Cross), da Secretaria de Estado da Saúde, faz a regulação dos leitos na região. Para o coordenador do curso da USP, é possível que um município do porte de Bauru assuma esse trabalho, em parceria com a região, o que ajudaria a direcionar melhor os serviços dentro das unidades de referência.

O assunto foi discutido no ano passado, mas não avançou até o momento, pois há resistência dentro de alguns setores da área da saúde. Porém, de acordo com José Sebastião, precisará voltar ao debate. Por fim, a melhoria na oferta dos serviços básicos de saúde pelos municípios e uma comunicação mais eficiente entre municípios e Estado foi considerada prioritária para garantir serviços eficientes.

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