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Com 300 pessoas, aeroporto é palco de simulado inédito de sequestro de avião

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Polícia Federal realiza simulado de roubo de carro forte com reféns no aeroporto Moussa Tobias

Uma das reféns precisou pegar o rádio comunicador; neste momento, os ladrões abriram espaço para a negociação

Ênio Bianospino ressaltou importância do treinamento

A primeira refém a ser liberada estava com ferimentos graves

Um grupo de três criminosos aborda dois funcionários de uma empresa de transporte de valores, que transferiam pacotes de dinheiro para a aeronave Cesna, no Aeroporto Moussa Tobias, o Bauru-Arealva. Na ocasião, há troca de tiros, que se intensifica com a chegada da Polícia Militar (PM). Os ladrões entram no carro-forte e levaram consigo quatro reféns. Desta forma, a Polícia Federal (PF) deu início ao Exercício Simulado de Apoderamento Ilícito de Aeronave (Esaia), nessa quinta-feira (23) pela manhã, em Bauru. Inédito no município, o treinamento reuniu mais de 300 pessoas.

De acordo com o chefe da Delegacia de Polícia Federal, em Bauru, o delegado Ênio Bianospino, o objetivo da iniciativa foi capacitar todas as forças de segurança para agir em ocorrências de sequestro de avião. "Gostaria de ter feito há muitos anos, mas só hoje (quinta-23), conseguimos coincidir as agendas", revela.

Conforme o JC apurou, esta foi a maior simulação já feita no município, em termos de união de forças policiais.

Inclusive, o simulado contou com a participação de instituições de fora de Bauru, como o Comando de Operações Táticas (COT), vinculado à PF de Brasília; o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da PM de São Paulo; o Comando de Operações Especiais (COE), também da PM da Capital Paulista; e o Grupo Especial de Reação (GER), da Polícia Civil de São Paulo.

Um atirador de elite, posicionado em local estratégico, acompanhava toda a movimentação

Quanto às entidades locais, estiveram presentes a PM, a Polícia Militar Rodoviária, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil, o Grupamento Águia e o Grupo de Pronta Intervenção (GPI), formado por agentes da PF de Bauru, além de outros municípios da região, como Ribeirão Preto.

Os funcionários do Aeroporto Bauru-Arealva, bem como os representantes dos poderes Executivo e Legislativo das duas cidades, também foram convidados a participar da capacitação.

Após uma hora de negociação, os três criminosos se renderam

Segundo o delegado, os aeroportos com grande movimentação de passageiros têm de se submeter ao treinamento, mas o Bauru-Arealva, não. "É bom que se faça, afinal, em 2001, tivemos uma ocorrência deste tipo no Aeroclube. Na época, eu era tenente da PM e atendi o caso, que terminou com a prisão dos responsáveis", justifica.

PASSO A PASSO

O simulado começou por volta das 11h30 dessa quinta-feira (23) e só terminou uma hora depois. Quando a capacitação teve início, sequestradores e reféns já estavam dentro do carro-forte, estacionado na pista de pouso do aeródromo.

Então, a equipe foi dividida em vários grupos de ação: Grupo de Decisão, Grupo de Gerenciamento de Crise, Grupo Tático, Grupo de Negociação, Grupo de Apoio e Grupo de Inteligência.

NEGOCIAÇÃO

Malavolta Jr.
A primeira refém a ser liberada, que estava gravemente ferida, foi atendida pela UR do Corpo de Bombeiros

Homens do GPI levaram um rádio de comunicação ao veículo, momento em que os ladrões abriram espaço para a negociação, feita a portas fechadas, por questões táticas.

Uma refém, gravemente ferida após a troca de tiros, foi a primeira a ser liberada. Os agentes do GPI a encaminharam à Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros. Paralelamente, um atirador de elite, posicionado em local estratégico, acompanhava a movimentação.

Outras duas vítimas também foram entregues à polícia e a quarta saiu acompanhada dos três criminosos, que resolveram se render. 

Os erros e acertos do treinamento serão apontados pela Polícia Federal, que ficou de, posteriormente, elaborar um relatório.

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