| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Com seu trabalho, Idinésio comprou casa, carro e ainda ajudou os dois filhos a fazer faculdade |
| Arquivo Pessoal |
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| Posto foi o primeiro trabalho de carteira assinada de Idinésio |
Foi com apenas 16 anos, quando a legislação sobre aprendizagem de jovens trabalhadores sequer existia, que o frentista Idinésio Antônio da Silva começou a trabalhar em um posto de combustíveis localizado em frente à Praça Portugal. Hoje, aos 61 anos, já com a aposentadoria garantida, ele continua empregado no mesmo lugar, feliz pelos amigos que conquistou e pelas histórias que presenciou em uma trajetória rara de 45 anos de atuação no mesmo endereço.
Idinésio, inclusive, acompanhou o plantio da grande falsa-seringueira que é uma das marcas registradas da Praça Portugal. "Na época, ela era uma árvore pequena, que ficava nos fundos do posto. Ela era mais ou menos da altura de uma bomba de combustível e os colegas fizeram o replantio no terreno onde, hoje, é a praça", relembra.
Idinésio conta que abandonou a escola depois de terminar, "na marra", o quarto ano do Ensino Fundamental, porque "não gostava de estudar". Porém, desde cedo comprometido com o trabalho, fez questão de ajudar no custeio dos estudos dos filhos, Anderson e Amanda, que conseguiram concluir o Ensino Superior.
"Tenho muito orgulho dessa conquista deles", destaca o frentista. Os dois são frutos do casamento de Idinésio com Vera Lúcia, com quem o frentista divide a vida há 40 anos.
A emprego no posto da Praça Portugal foi o primeiro com carteira assinada de Idinésio. Antes, ele já tinha trabalhado em lavouras de café e como carregador de sacolas das "madames" que iam à feira no início da década de 1970. "Eu levava até o carro ou até a casa da pessoa e ganhava uns trocadinhos", relembra.
CONQUISTAS
Em abril de 1974, teve a oportunidade de trabalhar com registro no posto de combustíveis e, de lá, nunca mais saiu. Além de ajudar os filhos a fazer faculdade, com o ofício a que dedicou toda a vida conseguiu poupar o suficiente para comprar uma casa e o próprio carro - uma caminhonete cabine dupla.
CONFIANÇA
É Idinésio, aliás, quem abastece e troca o óleo do próprio veículo, assim como o do carro do patrão, Edivaldo Tuschi. "Ele é um funcionário de extrema confiança, que a gente não encontra mais por aí", elogia o empresário, que, na verdade, é o sétimo patrão do frentista naquele posto. "Seis patrões foram embora e eu continuo aqui", brinca Idinésio.
Em 45 anos de trajetória, ele viu muita coisa mudar. Desde a aparência dos estabelecimentos no entorno e o aspecto da Praça Portugal, que ainda não tinha sido urbanizada, até a tecnologia dos veículos que vão ao posto para abastecer.
"Antigamente, era Decavê, esse tipo de carro. A gente abria para olhar o motor, regulava a marcha lenta no ouvido. Agora, tudo é diferente, tudo eletrônico. A gente não mexe mais", conta.
Aposentado há sete anos, Idinésio diz que vai continuar trabalhando "até quando a saúde permitir". Segundo o frentista, a esposa brinca que, se ele parar, "vai acabar morrendo de depressão".
"Tem gente que pergunta como é que eu estou no mesmo lugar até hoje. A verdade é que eu gosto do meu serviço. Gosto de conversar e conhecer gente. Vi muito funcionário entrar e sair daqui e, com alguns, mantenho amizade até hoje. Aqui, a gente trabalha sério, mas também dá risada. E é bom dar risada", completa.
| Samantha Ciuffa |
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| Idinésio está aposentado há sete anos, contudo, não pensa em parar de trabalhar no posto |


