As manifestações de estudantes contra o contingenciamento de verbas e as deste domingo em apoio às medidas ao governo Bolsonaro, tais como Reforma da Previdência e o pacote anticorrupção do ministro Moro, demonstram claramente que a esquerda perdeu as ruas, seja na qualidade, seja na quantidade de manifestantes e principalmente na ordem e uniformidade.
Enquanto palavras de ordem requentadas da marcha estudantil, tais como Lula Livre ou apoio ao chamado imposto sindical, só são populares entre sindicalistas que têm seus salários mantidos por este imposto rejeitado pela maioria absoluta dos trabalhadores.
Se os adeptos fossem realmente trabalhadores, poderiam solicitar espontaneamente o desconto de sua folha de pagamento. Colocam profissionais treinados e financiados com recursos dos sindicatos para, desta feita, pedirem a volta do desconto do imposto sindical ou o Lula Livre do PT, que na Lava Jato pudemos saber devidamente de onde provêm e como foram obtidos.
Já na manifestação deste domingo, as bandeiras foram moderadas e centradas na reforma da Previdência e medidas anticorrupção e com críticas pontuais aos políticos do centrão e a Rodrigo Maia. Chamou a atenção a presença de famílias com suas crianças, protestando com ordem e civismo.
A volta do povo às ruas é importante como ferramenta da democracia, já que nossos representantes se unem contra os anseios da população e só com pressão popular e o receio de não se elegerem em 2022 é que os políticos do centrão serão lembrados de que estão divorciados da vontade popular.
Alguns deputados chamam de pressão as manifestações, mas grande parte das coisas positivas como a prisão de corruptos, o impeachment do governo incompetente e corrupto de Dilma Rousseff, só foram possíveis porque pessoas comuns deixaram sua apatia e foram às ruas protestar.
Mesmo depois de eleições que renovaram metade do parlamento, deputados insistem em votar contra o anseio dos eleitores, contando com a curta memória da maioria apática. Deputados que surfaram na onda Bolsonaro e agora querem "negociar" para votar a favor do governo e das medidas que foram promessa de campanha.
Mas é bom que se recordem que as manifestações que transformaram o país iniciaram-se menores que estas e que depois de iniciado o processo de democracia direta ele fica incontrolável, impossível de ser manipulado ou atenuado.
Portanto, senhores deputados e senadores, façam sua parte se não quiserem ser obrigados a ver fazer diretamente pelo povo, cansado de ser repetidamente enganado com promessas de campanha que nunca se cumprem.