| Aceituno Jr. |
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| Equipes do Grau e dos bombeiros capacitaram a população para casos de parada cardiorrespiratória |
O Grupo de Resgate (Grau), que é considerado a "tropa de elite" da urgência e emergência, chegou a Bauru neste ano. Em janeiro, o órgão, cujo foco está em traumas decorrentes dos mais diversos acidentes, começou a funcionar na cidade. Inicialmente chamado de Grupo de Resgate e Atendimento a Urgência (daí a sigla Grau), o serviço já atua há 29 anos na Capital Paulista e é resultado da parceria entre as secretarias de Saúde e Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo.
De acordo com o diretor de Informação do Grau, o médico Hassan Yassine Neto, o grupo nasceu na Capital após a oficialização do Projeto Resgate, que consiste na cooperação entre as duas pastas estaduais, no dia 21 de fevereiro de 1990.
Ainda segundo ele, médicos e enfermeiros ligados à instituição aprendem a trabalhar em ambiente hostil. Inclusive, recebem o mesmo treinamento do Corpo de Bombeiros.
Inicialmente, o Grau possuía duas bases na Capital, além de uma unidade no Corpo de Bombeiros e outra no Grupamento Águia. Então, começou a expansão para o Interior do Estado. Ao todo, já são dez unidades, contando com a de Bauru. A ideia, inclusive, é de que haja atendimento aéreo no futuro.
O médico Hassan explica que o Grau veio para complementar o atendimento do Samu. "Em tese, a estrutura de suporte pré-hospitalar não consegue cumprir 100% da sua demanda. Logo, qualquer reforço é bem-vindo".
Entretanto, existe uma divisão entre os dois serviços. Teoricamente, o Grau atende ocorrências envolvendo traumas e o Samu, casos clínicos. "Isso não significa que vamos nos recusar a ajudar pacientes com mau súbito, por exemplo. Se a viatura estiver disponível, podemos ir. Caso contrário, repassamos ao Samu", defende.
Em Bauru, o Grau está sediado no Posto de Bombeiros 2, no Distrito Industrial 1. O acionamento do serviço, assim, ocorre quando a população liga para os bombeiros.
RESGATE
No último dia 18, a população recebeu treinamento de primeiros socorros, resultado de uma parceria do Corpo de Bombeiros junto ao Grau.
De acordo com o 1.º tenente Victor Félix Tozi Bonfim, da corporação, é muito comum a Unidade de Resgate (UR) atender acidentes de trânsito, nos quais a vítima sofreu alguma lesão e, consequentemente, entrou em parada cardiorrespiratória.
Para se ter ideia, a cada minuto em que a pessoa está nesta situação, ela tem 10% a mais de risco de morte. Já os sintomas são, basicamente, a falta de pulso e respiração.
Se não possuir conhecimento neste sentido, a pessoa não deve fazer a massagem cardíaca. De qualquer forma, a recomendação é sempre entrar em contato com o Corpo de Bombeiros e o Grau (193) ou o Samu (192).
PASSO A PASSO
Segundo o enfermeiro responsável pela equipe do Grau, Delmiran Mendes de Oliveira, o primeiro passo é verificar o que está acontecendo. "A vítima responde? Está respirando? Ao sanar estas duas questões, a pessoa facilita até o trabalho do médico regulador, na hora de tomar algumas decisões", complementa.
Em seguida, o socorrista deve acionar o Corpo de Bombeiros ou o Samu e passar o máximo de informações que puder. Enquanto a ajuda especializada não chega, a orientação é checar se o local onde a vítima está tem desfibrilador. Em caso positivo, o aparelho possui todas as dicas de como usá-lo.
Se não houver o equipamento, é preciso que a pessoa faça a compressão cardíaca. Em adultos, o procedimento deve ser executado no centro do tórax, próximo aos mamilos e voltado ao lado esquerdo.
Então, o socorrista posiciona o calcanhar das mãos neste local. Com os joelhos encostados na vítima e os braços esticados, dá início à massagem. A cada dois minutos, é necessário verificar se a pessoa está responsiva e se há pulso (na região do pescoço). Tudo em, no máximo, dez segundos.
Se não voltou, o indicado é manter o procedimento, em ciclos de 100 a 120 compressões por minuto, com uma profundidade de aproximadamente seis centímetros.
Em crianças de até 11 anos ou que não apresentem sinais de puberdade, a profundidade é de quatro a cinco centímetros, além de utilizar um único braço.
Em bebês, o recomendado é usar os dedos indicador e médio, bem como um único braço. Nesta situação, o pulso deve ser verificado na região da virilha.
DESOBSTRUÇÃO
Outra causa da parada cardiorrespiratória diz respeito à obstrução de vias aéreas, comum em recém-nascidos e idosos. No primeiro caso, o enfermeiro informa que a identificação do problema se dá através do semblante do bebê, que fica arroxeado.
Em seguida, o socorrista deve ver se tem alguma obstrução nas vias aéreas. "É importante não pinçar antes de identificá-la. Você pode empurrar ainda mais", reforça.
Se a pessoa enxergou o corpo estranho, deve pinçá-lo com os dedos médio e indicador. Caso contrário, é preciso colocar o tórax da criança em uma das mãos abertas. Com a outra, expandir as suas vias aéreas. O antebraço, então, funciona como uma prancha. Depois, o indicado é dar cinco tapas rigorosos nas costas do bebê.
Lembrando que a cabeça precisa ficar mais baixa do que o tronco. "Eu viro o bebê no meu outro braço e faço cinco compressões com os dedos. Repito o ciclo até a desobstrução", detalha.
No adulto, a dica é abordá-lo pela frente e se identificar, avisando que pretende ajudá-lo. "Você chega por trás, apoia as suas pernas nas da vítima. Depois, coloca os punhos fechados entre o umbigo e o osso abaixo da costela. Faz a compressão de baixo para cima. Se ela perder a consciência, precisa executar a massagem cardíaca", alega Delmiran, destacando que a eficácia é muito positiva.
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Você sabia?
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o Grau faz parte do Sistema de Resgate, ligado à esta pasta e à Secretaria de Segurança Pública (SSP), com o Corpo de Bombeiros e o Grupamento de Radiopatrulha Aérea. Os dois órgãos contam com aproximadamente 450 viaturas e 23 aeronaves. Anualmente, as equipes realizam cerca de 230 mil atendimentos em todo o Estado. Em março, o governo estadual entregou 56 novas viaturas para modernizar a frota do Sistema de Resgate e uma delas foi destinada à região de Bauru.
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