Botucatu - Acompanhando parecer do Ministério Público (MP), a Justiça de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) determinou o arquivamento do caso envolvendo a presença de ácido peracético na água que seria utilizada no último dia 16 de março nas sessões de hemodiálise de 100 pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).
No dia 10 de abril, a Polícia Civil já havia afastado a possibilidade de sabotagem no setor de hemodiálise. Após investigações, o delegado Geraldo Franco Pires, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), informou que uma manipulação equivocada do produto químico por dois profissionais, que não tiveram os nomes revelados, resultou na contaminação.
"Eles foram ouvidos ainda na fase da investigação de sabotagem, deram a versão deles e negaram que tivessem manipulado de forma equivocada essa substância, mas todas as provas que nós colhemos indicam que eles, efetivamente, são os responsáveis, de forma culposa, por essa contaminação", revelou na ocasião.
Além da análise das imagens do circuito de segurança do HC para levantamento das pessoas que tiveram acesso ao setor de hemodiálise, o delegado explicou que foram realizadas perícias nos equipamentos que existem no local para verificar se haveria possibilidade de uma falha material, o que foi descartado.
Na esfera administrativa, a conduta dos funcionários é investigada pela Corregedoria Geral do Estado, que poderá definir penas como uma simples advertência até uma demissão a bem do serviço público, e por meio de sindicância interna aberta pelo HCFMB.
O CASO
No último dia 16 de março, o HC suspendeu 100 sessões de hemodiálise agendadas para o período da manhã após detectar que a água que seria utilizada no procedimento havia sido contaminada por ácido peracético, usado no setor para esterilização pelo potencial de combater fungos e bactérias. No mesmo dia, o hospital registrou boletim de ocorrência para a apuração de eventual crime.
Em nota, a assessoria de imprensa do HC informou na ocasião que a sua Unidade de Diálise é considerada referência em procedimentos dialíticos no estado desde 1982 e segue com rigidez e diariamente todos os protocolos, portarias e padronizações de conduta que priorizam a segurança do paciente, o que permitiu a identificação do problema antes do início das sessões. Em média, o hospital realiza aproximadamente 110 procedimentos do tipo por dia.