Polícia

Achada morta, idosa foi estuprada e asfixiada e filho é o principal suspeito

Marcele Tonelli
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Marcele Tonelli
Delegada da DDM, Alexandra Nogueira conta que o filho da vítima está preso temporariamente

A Polícia Civil de Bauru, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), investiga o feminicídio de uma idosa de 80 anos, que foi encontrada morta em sua casa, no Parque Santa Edwirges, na manhã de 30 de março deste ano. Inicialmente, o caso foi registrado como morte suspeita, mas o rumo das investigações mudou totalmente após exame necroscópico apontar estupro e morte por asfixia mecânica. Se já não bastasse todos esses elementos, o crime ganha contornos ainda mais chocantes, uma vez que filho da vítima, um homem de 39 anos, é o principal suspeito. Ele, inclusive, foi preso ontem. Os nomes da idosa e do suspeito foram preservados, porque o caso ainda está em investigação.

Delegada ada DDM, Alexandra Nogueira diz que o filho negou o feminicídio em interrogatório, mas teve sua prisão temporária concedida pela Justiça. Pesou contra ele o depoimento de testemunhas e boletins de ocorrência de agressão, o último deles em 25 de março, cinco dias antes do crime (leia mais abaixo).

A polícia aguarda, agora, o resultado do exame sexológico, que possibilitará o confronto entre o DNA do filho e da mãe, este último foi conservado pelo IML. Por meio do procedimento, a polícia deve confirmar se o acusado, que morava com a vítima e possuiria problemas com uso de álcool, estuprou e matou sua própria genitora.

NA CAMA

Segundo o BO, a idosa foi encontrada morta sobre a cama por vizinhos, que residiam em uma casa anexa à da vítima. Eles teriam suspeitado ao perceber que ela não havia acordado até por volta das 11h, e acionaram o Samu, que apenas constatou o óbito.

Na ocasião, o filho dela, de 39 anos, relatou aos policiais ter ficado em um bar e visto a mãe apenas na noite anterior. Ele ainda disse que ela apresentava diabetes e problemas de pressão, mas que nunca tinha apresentado crises.

Outro fato que chamou atenção dos policiais foi que o banheiro existente na suíte em que a idosa foi encontrada estava trancado por dentro e o vitrô, quebrado. Havia ainda uma cadeira encostada na parede do lado de fora.

Além da idosa, o marido dela, de 79 anos, que possui Alzheimer em grau avançado, também estaria na casa. Após a morte da esposa, ele teve que ser abrigado com ajuda da prefeitura.

A residência passou por perícia técnica na ocasião e o laudo pericial será avaliado pela DDM.

O homem de 39 não possuía antecedentes criminais. "A prisão foi solicitada com base nas provas testemunhais. Os vizinhos foram incisivos", cita a delegada. "Os gritos, xingamentos e maus-tratos eram diários", completa Alexandra.

O investigado foi encaminhado para a Cadeia Pública de Santa Cruz do Rio Pardo.

Agressões anteriores

Em 25 de março, um outro familiar registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil por lesão corporal, ameaça e violência doméstica sofridas pela idosa e seu esposo. O autor seria exatamente o filho de 39 anos, que teria chegado em casa bêbado e os agredido com uma vassoura. 

A delegada Alexandra Nogueira cita que o casal também chegou a registrar um BO em 2012 também por lesão corporal. O filho, também apontado como autor, teria dado um golpe conhecido como gravata em sua mãe.

"Apesar das violências, a mãe nunca representou contra ele ou solicitou medida protetiva. Vemos muitos casos em que as mães tomam coragem e denunciam a agressão em BO, mas são reticentes em levar o caso adiante, em representar contra os filhos, com medo de prejudicá-los. Só que, para conseguirmos atuar, o andamento é necessário, a produção de provas é essencial", finaliza a delegada, em tom de alerta.

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