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Em busca de estruturação, medicina da USP contratará mais professores

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Douglas Reis
Carlos Ferreira dos Santos, diretor da FOB-USP, garante ao Jornal da Cidade que o curso continuará e que haverá estímulos para seu desenvolvimento

O curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru foi aprovado pelo Conselho Universitário da USP em julho de 2017 e a primeira turma começou no ano passado. Já com a segunda turma no meio do primeiro ano, agora o curso terá finalmente a primeira contratação de uma quantidade maior de docentes. Na universidade e em outros setores, a preocupação a respeito do futuro do curso é grande e repercute aos quatro cantos.

O diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), Carlos Ferreira dos Santos, afasta qualquer possibilidade de encerramento do curso e transferência dos alunos para outras unidades onde é oferecido também, como Ribeirão Preto ou na capital paulista. "A afirmação de que o curso estaria sendo esvaziado é uma inverdade, uma grande bobagem, não sei quem inventou isso e com qual intenção. Falar algo assim desrespeita a FOB", afirma.

Nessa sexta-feira (31), no começo da tarde, Ferreira conversou com o JC a respeito da situação do curso, minimizou problemas ou a presença de 'forças ocultas' que estariam trabalhando contra um curso público de medicina em Bauru, algo que começou a ser sonhado ainda na década de 1950 e, após inúmeras tentativas, foi viabilizados há dois anos com a aprovação do Conselho Universitário da USP.

O então governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve em Bauru para o anúncio oficial da criação do curso e o Estado se comprometeu em criar o Hospital das Clínicas (HC), que funcionará como unidade ligada academicamente à USP e atenderá a região em diversas especialidades.

Ainda nessa sexta-feira (31) à tarde, o diretor da FOB se reuniu com os alunos de medicina para falar sobre a situação do curso e afirmar que a proposta é avançar e ampliar o trabalho, e não retroceder. Para o ano que vem, a USP ainda vai manter 60 vagas para o curso, e não 80, como estava previsto, para que a estruturação ocorra.

SITUAÇÃO ATUAL

Desde o começo deste ano, o JC recebe informações de pessoas ligadas à USP preocupadas com o futuro do curso recentemente implantado. Entre as reclamações, estão a falta de um corpo docente próprio para o curso, que possui inúmeras especificidades, e a demora na compra de materiais e equipamentos, bem como convênios.

"O curso está bem. A medicina pertence à FOB, porque no câmpus de Bauru esta é a única unidade de ensino. Como tal, quem deve fazer todo o gerenciamento acadêmico é a FOB. Tudo aqui é compartilhado, a estrutura que já existia para odontologia e fonoaudiologia é usada pela medicina, o mesmo para novas estruturas. A FOB tem feito todo o esforço para atender a parte de estrutura, compra de equipamentos e livros. Na semana que vem, serão abertos sete concursos para professor. Recentemente, contratamos dois professores, e tem mais um concurso em junho que vai acontecer", afirma Ferreira.

ESVAZIAMENTO

Outro assunto que vem sendo bastante comentado é um possível esvaziamento do curso com a intenção depois de encerrar as atividades e transferir os alunos para Ribeirão Preto ou mesmo para a capital paulista. "A afirmação de que o curso estaria sendo esvaziado é uma inverdade, uma grande bobagem, não sei quem inventou isso e com qual intenção. Falar algo assim desrespeita a FOB, se aprovamos o curso e no meu discurso de posse falei que trataria o curso tão bem quanto os outros, falar algo assim é uma alucinação, e de alguém que não é da FOB. Só de investimento com o curso, só no período em que estou como diretor, já gastamos R$ 700 mil, fora a contratação de professores. Esse valor é para a compra de materiais, livros, equipamentos. Se um diretor gastar quase R$ 1 milhão em um curso que vai acabar, seria improbo, eu iria para a cadeia. Sou um dirigente que cuida do dinheiro público, devo prestar contas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e sempre fomos bem avaliados", frisa.

PROFESSORES

Atualmente, o curso de medicina tem oito professores, sendo que mais oito serão contratados no segundo semestre. Dos atuais docentes, parte veio transferida de Ribeirão Preto e outros estão apenas cedidos, portanto, retornarão para lá futuramente. "Alguns docentes que já eram da FOB participam do curso. O Departamento de Ciências Biológicas, que é onde eu pertenço, tem 18 professores, e todos dão aulas no curso. Tem um grupo de oito professores específicos do curso de medicina, e mais outros professores de outras unidades da USP que são colaboradores. A tendência é com o tempo esse número de colaboradores diminuir, com a contratação de professores próprios. Haverá uma segunda etapa de contratações depois, com mais professores que chegarão", afirma.

"O projeto do curso já previa palestras e conferências, e não é um curso igual a outros de medicina, como os outros dois da própria USP. Ocorrem mais atividades práticas, e também palestras, dizer que existe uma palestra ou conferência para tampar um buraco é mentira, já faz parte do previsto na proposta curricular", completa.

CONVÊNIOS

A diretoria da FOB discute com a Famesp, que gerencia os hospitais de Bauru, para um convênio visando atender os alunos nessas unidades, como já é feito com a prefeitura. "O curso foi projetado para ter o aluno desde o primeiro ano com trabalho prático. E isso é feito em alguns ambientes, como a rede municipal, eles vão nas unidades básicas e de saúde da família, estabelecido dentro do convênio com a prefeitura. Logo vão começar a frequentar os hospitais da cidade, em um convênio que ocorrerá com a Famesp. Esse convênio com a Famesp é para todos os cursos, já temos um para odontologia e fonoaudiologia, e estamos fazendo um aditivo para incluir a medicina, para já estar funcionando no segundo semestre", afirma.

Com relação ao Hospital das Clínicas (HC), O Estado já deu autorização para contratação do projeto de adequação e as obras devem começar no ano que vem. Já a gestão do hospital ainda está indefinida - se será através de autarquia, ou por entidade como a Famesp. A USP, contudo, já adianta que participará de alguma forma, pois o HC ficará dentro do câmpus universitário.

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Por enquanto, o curso de medicina da USP Bauru é vinculado à FOB e há uma cobrança na comunidade acadêmica para que passe a ser uma unidade independente, com a criação da Faculdade de Medicina. Há, inclusive, uma comissão formada há meses com esta finalidade, mas o processo estaria devagar, quase parando.

“A Faculdade de Medicina ainda não existe. O que tem é um curso de medicina inserido na Faculdade de Odontologia de Bauru, então, por obrigação quem paga a conta é a FOB, e há todo o interesse de que no futuro tenha uma outra unidade, própria para a medicina. Este é um processo que requer tempo dentro da universidade, precisa ter um mínimo de professores contratados. Por enquanto, a FOB arca com toda a estrutura, compra de livros, materiais. A estrutura da FOB é boa, não temos reclamação de alunos de que falta algo. Para a criação de uma unidade específica, que seria a Faculdade de Medicina, leva até seis anos, que é o prazo para a formatura da primeira turma. Essa é uma questão exclusivamente da USP, quem define quando será criado é a USP, com o Conselho Universitário”, cita Carlos Ferreira dos Santos.

Já sobre a resistência de outros cursos da USP com a medicina, o diretor afirma que isso não procede. “Nenhuma resistência, pelo contrário. A aprovação da criação de um curso de medicina foi unânime dentro dos colegiados do câmpus. Na formação da FOB, tivemos a presença de médicos, lá no começo do curso de odontologia. A proposta da FOB era formar médicos da boca. Então a medicina sem pre foi desejada e está sendo tratada como o filho mais novo, que precisa de cuidados, e sem esquecer dos filhos mais velhos, odontologia e fonoaudiologia, que estão reconhecidos entre os melhores do mundo e procuram avançar cada vez mais”, comenta.

Em relação à uma denúncia de falta de reuniões da Comissão para viabilizar a criação da Faculdade de Medicina, Ferreira diz que os encontros estão ocorrendo. “A partir da aprovação do curso no Conselho Universitário, a Reitoria criou por uma Portaria uma Comissão do curso, que funciona provisoriamente, como a coordenação. Todos os cursos têm a comissão coordenadora. As três aqui do câmpus reportam a uma comissão maior, a de graduação, as reuniões estão acontecendo e as decisões saem dali”, pontua.

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