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Bauru tem queda significativa de crimes considerados graves

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Crimes de maior potencial ofensivo, como homicídios e roubos, tiveram queda significativa em Bauru nos últimos dois anos. Da mesma forma, o número de mortes por acidentes de trânsito também registrou queda acentuada no período. Os dados se referem ao primeiro quadrimestre de 2019 e de 2017 e foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SPP) do Estado de São Paulo.

Segundo as polícias Civil e Militar de Bauru, os números são resultado do aprimoramento do trabalho de patrulhamento e investigação, inclusive com maior integração entre as duas instituições, que passaram a realizar reuniões periódicas desde o final do ano passado. Apesar de a redução mais sensível ter se dado entre as ocorrências mais graves, praticamente todos os indicadores criminais registraram queda entre 2017 e 2019.

Entre as variações mais importantes, está a do número de homicídios. Nos primeiros quatro meses de 2019, foram quatro vítimas, volume quatro vezes menor do que o registrado no mesmo período de 2017, quando 17 pessoas foram assassinadas na cidade.

Já as tentativas de homicídio aumentaram de 13 para 14 ocorrências. Não houve registro de latrocínio (roubo seguido de morte) em nenhum dos períodos considerados.

Diminuição de 21,7% também foi registrada nos casos de estupro que chegaram ao conhecimento da polícia. De janeiro a abril de 2019, foram 36 registros, sendo 25 estupros de vulnerável, quando a vítima possui menos de 14 anos de idade ou que, por doença ou deficiência mental, não tem condições de oferecer resistência ao crime. No mesmo período de 2017, haviam sido contabilizados 46 estupros, sendo 33 contra vítimas vulneráveis.

As ocorrências de roubo, por sua vez, quase caíram pela metade, de 483 para 253 casos. Embora em menor proporção, o volume de furtos também diminuiu, de 1.658 para 1.592 registros - uma variação de 4%.

ESTRATÉGIA

Titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines afirma que o acompanhamento das estatísticas pelas polícias Civil e Militar é diário. Porém, as duas instituições passaram a promover, a cada três meses, reuniões estratégicas para aperfeiçoar o trabalho conjunto realizado por elas - o que, segundo ele, impactou diretamente na redução dos indicadores criminais.

"Há um foco nos crimes que mais geram sensação de insegurança e que, pela lei, comportam pedidos de prisão preventiva e temporária. Com isso, estamos observando uma tendência de queda nas ocorrências, porque os indivíduos que praticam este tipo de crime passam a ter a certeza de que podem ser presos. E, na maioria dos casos, são", destaca.

Martines aponta, por exemplo, que mais de 80% dos homicídios de Bauru são esclarecidos pela Polícia Civil atualmente - a maioria deles motivada por acerto de contas. Ele lembra, ainda, que o índice de assassinatos na cidade está bem abaixo do limite preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 10 mortes ao ano para cada 100 mil habitantes - o equivalente a cerca de 37 assassinatos para uma cidade do tamanho de Bauru. 

Coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o capitão Juliano Loureiro destaca que a queda nos índices também é resultado do policiamento preventivo realizado pela corporação, com direcionamento para os locais onde as estatísticas apontam maior número de ocorrências criminais. "Além disso, também analisamos os motivos que levam um determinado local a ter esta recorrência de crimes. Às vezes, é uma simples lâmpada da iluminação pública que está queimada e precisa de uma solicitação para ser trocada", comenta.

Inteligência policial

O capitão Juliano Loureiro observa que as estatísticas refletem a maior inteligência na aplicação dos recursos de que as polícias Civil e Militar dispõem, com consequente otimização dos resultados. Este aprimoramento, ele frisa, tem impactado diretamente nos índices de produtividade das duas instituições, que registraram aumento de prisões em flagrante, do cumprimento de mandados de prisão e de números de inquéritos instaurados.

Também houve um maior número de autuações de trânsito, com reflexo direto na redução de acidentes graves. E uma das principais ações para este resultado foi o endurecimento das fiscalizações para flagrar motoristas que insistem em dirigir embriagados. "Temos as vagas da Dejem (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar) liberadas pelo governo do Estado e estamos focando muito nos bloqueios preventivos de trânsito, para as pessoas se sentirem vigiadas e evitarem dirigir embriagadas ou acima da velocidade permitida", detalha.

Já em relação aos roubos, o delegado Ricardo Martines destaca que a maior agilidade na conclusão dos inquéritos tem contribuído para tirar de circulação um número maior de assaltantes. "A maioria é de roubo a transeuntes, cujo objeto de desejo é o celular para trocar por entorpecentes. Estamos fazendo trabalhos específicos para combate à receptação de celulares, além de dar uma resposta rápida em vários casos de roubo a residência ou comércio. Quando estes indivíduos são presos, eles param de cometer crimes", acrescenta, salientando que, dentro desta filosofia de aumentar a eficiência no combate ao crime, até mesmo reconhecimentos de suspeitos pelas vítimas são realizados no Plantão Policial - algo que não ocorre em todas as localidades do País.

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