Apaixonado por artes, Antonio Americo Cardinale planejava fazer Arquitetura até momentos antes de entrar na faculdade. Mas foi no trabalho como administrador de shopping centers que descobriu sua verdadeira vocação, a qual ele se dedica de corpo e alma: lidar com pessoas.
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| Americo Antonio Cardinale: "Sou apaixonado pelo trabalho" |
Coordenador de administração da AD Shopping, ele responde não apenas pelo Bauru Shopping, que irá completar 30 anos em novembro, mas também pelo Shopping Rio Claro, La Plage Guarujá e Marília Shopping. Há duas décadas atuando no ramo, hoje ele coordena, diretamente, o trabalho de uma equipe de cerca de 400 pessoas.
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| Cardinale administra o Bauru Shopping, que faz 30 anos em 2019 |
Apesar de trabalhar nos sete dias da semana, Americo, aos 64 anos, segue cultivando suas outras paixões, como conhecer novos países e visitar, sempre que pode, a Itália, que o reconecta com sua origem. Na cabeceira da cama, guarda livros de Julio Cortázar e Gabriel García Márquez, a quem ele sempre recorre quando precisa "reencontrar o eixo".
Na conduta de vida, segue os valores do lema da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. No coração, há espaço reservado, ainda, para o filho, a esposa e o futebol - em especial, o Palmeiras.
Na entrevista abaixo, Americo conta um pouco da sua trajetória, trazendo como pano de fundo, em alguns momentos, a própria história do País.
JC - Conte um pouco sobre sua origem, onde nasceu e quem eram seus pais.
Cardinale - Nasci em São Paulo e morei lá até os 40 anos. Meu pai era advogado e minha mãe, dona de casa. Ambos, já falecidos, eram imigrantes: ele veio da Itália e ela, da Romênia. Tenho, inclusive, o privilégio de ter cidadania italiana. Eu me formei no tradicional Colégio Dante Alighieri e fiz duas faculdades: Direito na USP e Administração na FGV. Fiz os dois cursos simultaneamente, um de manhã e outro à tarde, e foi um grande desafio.
JC - E como a administração se sobressaiu na sua trajetória profissional?
Cardinale - Fui advogado do Itaú por cinco anos, em uma época em que o mercado financeiro brasileiro estava crescendo muito e dominava as oportunidades de trabalho. Quase todos os meus colegas do curso de administração foram absorvidos por bancos nacionais e estrangeiros. Na época, recrutadores das empresas iam até a faculdade nos intervalos, se reuniam com os alunos para garimpar potenciais talentos. Em 1987, surgiram oportunidades no setor imobiliário e acabei entrando no ramo de shopping center, no grupo Savoy, em São Paulo. Logo depois, em 1989, o sócio majoritário da AD Shopping me convidou para um desafio em Sorocaba, para a implantação do Iguatemi Esplanada. Foi aí que me apaixonei por este trabalho, que venho desempenhando desde então, dentro da mesma administradora.
JC - E como foi a chegada a Bauru?
Cardinale - Fui gerente-geral do Esplanada até 2004, quando surgiu o convite para ser coordenador de alguns shoppings e o primeiro deles foi o Bauru Shopping. Eu não moro aqui, mas adotei a cidade, porque passo mais tempo em Bauru do que na minha casa, em Sorocaba. Em 2004, o momento era de crescimento muito forte da economia, principalmente do varejo. Foi a oportunidade para transformar o Bauru Shopping em um shopping grande. E isso foi feito ao longo destes quase 15 anos, período em que, rapidamente, conseguimos implantar quatro expansões, ao mesmo tempo em que fomos elaborando estratégias para ganhar mercado em Bauru e região.
JC - O senhor disse que é apaixonado pelo seu trabalho. Qual é o principal motivo dessa paixão?
Cardinale - São inúmeros motivos. Mas o principal é poder lidar com pessoas, o que requer habilidades não apenas para negociação, mas para se relacionar com todos os níveis profissionais e aprender a identificar quais são as ações que permitem alcançar resultados positivos. É um trabalho em que a gente não faz nada sozinho e se desafia todos os dias.
JC - É um trabalho que exige muito do senhor, imagino...
Cardinale - Eu trabalho sete dias por semana. É difícil eu me desligar. Mesmo em casa, estou trabalhando, porque as informações chegam a toda hora pela Internet. Mas isso não é um incômodo para mim. Essa vida acelerada não me faz mal, não me sinto cansado. Pelo contrário, estou sempre disposto e estimulado, independentemente do horário. Lógico que é preciso administrar o tempo dedicado à família, mas isso só é possível aos finais de semana, porque, de segunda a sexta-feira, fico na estrada, me deslocando entre Bauru, Marília, Rio Claro e Guarujá. E a minha mulher entende, até porque ela tem os desafios profissionais dela e também é muito demandada.
JC - Qual foi o período mais difícil que o senhor enfrentou no seu trabalho como administrador?
Cardinale - Talvez o pior momento foi durante o Plano Collor (no início da década de 1990). Foi um período sangrento para shopping centers. Já a crise que enfrentamos nestes últimos quatro anos foi a que demandou mais esforço, pessoalmente falando, porque coordeno outros três shoppings e a gente precisa fazer com que todos os empreendimentos se fortaleçam ao mesmo tempo para enfrentar uma situação como esta. Felizmente, foi o que conseguimos fazer. O Bauru Shopping, por exemplo, não deixou de crescer.
JC - E o que o senhor gosta de fazer, além de trabalhar?
Cardinale - Gosto de ficar com minha família. Gosto muito de cinema, mas hoje assisto mais a filmes em casa. Na época de estudante, eu era 'rato de cinema'. O cinema de arte tinha uma força muito grande. Hoje, a indústria cresceu muito e o cinema é mais entretenimento. Então, quando tenho possibilidade de assistir a um bom filme, fico feliz. Também gosto muito de futebol. Sou palmeirense, acompanho tudo e gosto de ir ao estádio com meu filho, o Pedro, de 17 anos. É meu filho único. Ele mora em Botucatu com a mãe e, sempre que a agenda permite, a gente se encontra. Outra coisa que gosto muito é viajar. Tento, uma vez a cada dois anos, parar para fazer uma viagem. A próxima, inclusive, já está programada: tiro 15 dias de férias em julho e vou para a Espanha e Itália com o Pedro e minha mulher. Quero que eles conheçam a Toscana, um lugar fantástico, que carrega a história da civilização ocidental em todos os cantos.
| Arquivo Pessoal |
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| Americo e duas de suas grandes paixões: a Itália e o Palmeiras |
| Arquivo Pessoal |
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| Pedro e Americo Cardinale durante jogo do seu time de coração |
JC - A arte teve papel importante na sua adolescência?
Cardinale - Eu gostava muito de artes plásticas, acompanhava bienal. Eu queria ser arquiteto, mas meu pai me convenceu a mudar de ideia, porque não basta só ter dedicação, criatividade e gostar de artes. Você precisa ter talento para desenhar. Mesmo assim, até o último momento, eu queria Arquitetura, porque quem fazia o curso na USP era só gênio, artista, a elite intelectual paulista. Mas acabei repensando. Optei pelo Direito por escolha do meu pai e Administração por escolha minha.
JC - E a paixão pelo futebol? A torcida pelo Palmeiras foi herdada do pai, italiano?
Cardinale - Sim. E também porque o futebol teve muita influência sobre a minha geração, desde a infância. Presenciamos o começo da era de ouro do futebol brasileiro. Quando o Brasil foi bicampeão na Copa do Mundo, em 1962, eu era moleque e já via que aquilo mexia com as pessoas. E, em 1970, a conquista do tricampeonato foi a glória. Desde então, eu comecei a acompanhar muito futebol. Fui muitas vezes com um tio ver o Pelé jogar nos estádios. Ele era um astro. E, por lazer, joguei bola até os 40 anos. Só parei porque precisei operar o joelho e o médico proibiu.
JC - E passou a praticar algum outro esporte no lugar do futebol?
Cardinale - Comecei a caminhar. Faz bem para a mente. Carrego sempre um tênis e um short no carro. Quando dá, saio para andar. Quando moleque, em São Paulo, eu andava 40 quarteirões, da minha casa, na região da avenida Paulista, até o Centro, no escritório do meu pai. Andar ajuda a abrir os pensamentos, ajuda na criatividade, a pensar no que você pode fazer não só no trabalho, mas na vida.
Perfil
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| Valéria Lacava e Americo Cardinale |
Nome: Antonio Americo Cardinale
Idade: 64 anos
Esposa: Valéria Cristina Lacava
Filho: Pedro Forte Cardinale, 17 anos
Time: Palmeiras
Livros: "O Jogo da Amarelinha", de Julio Cortázar, e "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez. "São dois livros que eu tenho de reler de vez em quando para reencontrar o eixo. Eles me dão direção de vida."
Filme: "Amacord", de Federico Fellini. "Foi um filme que ganhou Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1975. Também nem sei quantas vezes já assisti."
Música: "Waiting on a Friend", dos Rolling Stones
Signo: "Virgem, mas não acredito na influência dos signos."
Lema de vida: "Carpe diem. Principalmente depois dos 60 anos, você percebe que a melhor coisa é viver bem."
Hobby: Atualmente, a caminhada
Um ídolo: O pai, Americo João Vicente Cardinale
Para quem dá nota 0: "Para a violência. Em 30 mil anos de civilização, é imperdoável que a gente não tenha superado a violência."
Para quem dá nota 10: "Para quem defende a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Gosto muito desta tríade de valores."




