| Malavolta Jr. |
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| O presidente do DAE, Eliseu Areco Neto, mostrou o cronograma da obra, e ao fundo estavam todos os processo da ETE pedidos pela Câmara Municipal de Bauru há dois meses |
Os atrasos na obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa motivaram uma audiência pública, nessa terça-feira (11) à tarde, na Câmara Municipal, chamada pelo vereador Manoel Losila (PDT), e o cronograma atualizado já prevê a entrega apenas em 2021, portanto, já depois do final do atual governo. As obras começaram em 2015 e tinham previsão de conclusão em 2016, e este já é o quarto adiamento da previsão de entrega. O valor total do contrato está em R$ 140 milhões, considerando os R$ 15,6 milhões autorizados em aditivos.
O presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Eliseu Areco Neto, disse que a consultoria contratada para a verificação das estacas nos tanques de aeração e reatores anaeróbios deve apresentar os resultados em dez dias. Esta é a parte mais atrasada da construção. A autarquia ainda precisa contratar uma empresa gerenciadora para a obra e estuda se abrirá licitação ou fará por dispensa de licitação. A definição deve ocorrer até o mês que vem.
Também deve ser contratada uma empresa para o Acompanhamento Técnico de Obra (ATO), que pode ser tanto a mesma empresa gerenciadora, ou a Arcadis, responsável pelo projeto e que retomou as negociações com a prefeitura recentemente. Já a empresa COM Engenharia seguirá na construção. Há questionamentos de vereadores como Sandro Bussola (PDT) e Roger Barude (Cidadania) a respeito da capacidade financeira da empresa para tocar uma obra desse porte. O engenheiro civil Elinton Silva, da prefeitura, e fiscal da obra, admite que a COM Engenharia sempre teve um relacionamento complicado com o município. Areco afirmou que a empresa seguirá. Os vereadores Coronel Meira (PSB) e Telma Gobbi (SD) também fizeram várias perguntas a respeito do andamento das obras da ETE na audiência.
PROJETOS
No começo do ano, foi anunciado pela prefeitura que a Fipai, ligada à USP de São Carlos, desenvolveria os projetos complementares da ETE. Contudo, houve divergência com o método construtivo utilizado atualmente, e a entidade não assumiu os serviços. A prefeitura então retomou contato com a Arcadis, e aguarda a liberação dos primeiros projetos. A avaliação das estacas também pode ajudar a dar mais ritmo aos trabalhos, pois atualmente apenas 20 funcionários estão no canteiro de obras. As estacas estão sendo avaliadas pelo engenheiro Luciano Decourt, especialista no assunto.
Segundo Areco, a definição das estacas é o primeiro passo neste momento. "Vamos aguardar o resultado ainda neste mês e, se for positivo, a Arcadis já poderá dar andamento em projetos nessa parte, e a COM Engenharia teria condições de já retomar frentes de trabalho. Depois, as etapas restantes aconteceriam na sequência. O cronograma que estamos colocando é para um prazo de 18 meses, porém dá para terminar antes. Uma das possibilidades é que a empresa trabalhe em três turnos, até 20 horas diárias, para concluir as obras antes do prazo final", afirma. Neste caso, seria possível acabar a obra ainda em 2020, dentro do governo do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD). Ao JC, o prefeito lembrou que apesar do prazo apertado, quer entregar a ETE ainda em seu governo, até o final do ano que vem.
Como está a obra
A construção da ETE tem os maiores atrasos nos setores de tanques de aeração e reatores anaeróbios. O valor total da obra atualmente é de R$ 140,7 milhões, sendo que R$ 60,1 milhões (42,7%) já foram pagos na obra civil, R$ 12,4 milhões (8,8%) em equipamentos, e faltam ao todo R$ 93 milhões para pagar. A parte civil da obra, que custa R$ 86,1 milhões, já está 69,9% concluída, enquanto a parte de equipamentos, com custo de R$ 54,6 milhões, teve 22,8% pagos até agora.
A verba para a ETE vem em maior parte do governo federal, com R$ 118 milhões a fundo perdido, e o restante é a contrapartida municipal, que vem do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), recolhido mensalmente na conta de água da população. Os R$ 15,6 milhões já aprovados em aditivos também são pagos com a verba do FTE. Desse valor autorizado em aditivos, R$ 4,7 milhões já foram pagos.
