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Guarda-chuva quebrado vira saco de dormir para moradores de rua

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Sombrinhas e guarda-chuvas quebrados viram saco de dormir para moradores de rua pelas mãos de Sandra Conceição Reti

Cada saco de dormir leva uma hora para ser feito e usa tecidos de 4 guarda-chuvas

"Eu sempre cuidei do ser humano, não é porque me aposentei que iria parar." A afirmação transmite a empolgação de auxiliar de enfermagem aposentada Sandra Conceição Reti, 61 anos, que transformou seu tempo de folga em boa ação e iniciou, na última semana, em Bauru, uma campanha para arrecadar sombrinhas e guarda-chuvas quebrados. É que, costureira por dom e hobby, ela virou expert em uma técnica que transforma os tecidos do utensílio em sacos de dormir e passou a doar a invenção pelas ruas da cidade. Como o pano retém o calor, ele ajuda as pessoas a manterem a temperatura corporal e a enfrentar situações difíceis ao relento, como o inverno que está a caminho.

Nos últimos dias, um vídeo que viralizou nas redes sociais mostrava uma mulher divulgando a confecção de um saco de dormir que virava bolsa e poderia ser facilmente carregado por morador de rua. Sandra, que já atuava na confecção de sacos de dormir com tecidos de guarda-chuvas foi confundida a mulher que aparece no vídeo.

"Não sou eu, mas gostaria de conhecer essa pessoa do vídeo", comenta Sandra, detalhando que o engano fez com que ela recebesse ligações de São Paulo e até do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. "Eram pessoas me elogiando e querendo ajudar", complementa.

INÍCIO

A produção depende de doações que Sandra Conceição Reti recebe de amigos, parentes e do que é arrecadado no centro espírita

Ela conta que começou a costurar sacos de dormir influenciada por uma amiga do Rio de Janeiro, chamada Clara Souza, via Facebook. A produção começou logo depois da aposentadoria, há aproximadamente dois anos. Em parceria com o Centro Espírita Luz Divina, ela transformou o tempo ocioso e o dom em benefício ao próximo e passou a distribuir os sacos a quem precisa.

Só que os sacos de dormir que Sandra aprendeu a produzir não se transformam em bolsas ao serem guardados, mas sim em rolinhos. "A ideia da bolsa é ótima, adorei esse vídeo novo que surgiu e estou reproduzindo para remodelar as doações", comenta. "Uma bolsa é muito mais útil e mais fácil de carregar para quem mora na rua", completa.

A produção depende de doações que ela recebe de amigos, parentes e do que é arrecadado no centro espírita.

Cada saco de dormir leva em média uma hora para ser produzido e usa até quatro tecidos de diferentes guarda-chuvas. As peças são desmontadas, lavadas, passadas e costuradas por ela em uma máquina industrial. A produção ocorre, pelo menos, três vezes na semana. "Costumo sair com alguns sacos no carro também para entregar para pessoas na Rodoviária, em praças e no Centro", detalha.

CAMPANHA

Agora, com a nova ideia da bolsa e aproveitando que o inverno está próximo e que ela ficou conhecida, Sandra quer ampliar sua produção e iniciou uma campanha para conseguir arrecadar mais guarda-chuvas quebrados.

"Acho que Deus coloca o mais forte ao lado do mais fraco para que o ampare. As pessoas que moram na rua e estão na drogadição também precisam de dignidade. Não estamos aqui para julgar ninguém, mas sim amparar. A ideia do Guarda-Chuva Solidário é essa", pontua.

Voluntários que queiram aprender as técnicas e se unir a ela também são bem-vindos. "Eu mando um vídeo ensinando. O trabalho é grande e temos muita gente para aquecer até o inverno", finaliza.

SERVIÇO

Quem quiser colaborar com a ação e doar sombrinhas e guarda-chuvas quebrados ou usados deve entrar em contato com Sandra pelo WhatsApp (14) 99134-2520.

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