Quase sempre vista como coadjuvante, a seleção da Venezuela inverterá de papel hoje. Vindo de dois empates, jogará a partir das 16h, no Mineirão, pela rodada final do Grupo A da Copa América, como favorita contra a Bolívia para triunfar e avançar às quartas de final.
Diante de Peru e Brasil, seleções consideradas mais fortes, a Venezuela se comportou bem para segurar a igualdade por 0 a 0, contando com o auxílio do VAR, que ajudou os árbitros a anularem quatro gols nesses compromissos, além de atuações seguranças dos seus sistemas defensivos.
Hoje, porém, entrará em campo com o peso da obrigação de confirmar o favoritismo diante da Bolívia, derrotada nos dois primeiros compromissos na Copa América, para Brasil (3 a 0) e Peru (3 a 1).
"Não estamos olhando ninguém por cima. O pior erro que podemos cometer é subestimar. Não estamos aqui para fazer isso", disse o técnico Rafael Dudamel, um dos responsáveis por fazer a Venezuela deixar de ser uma das equipes mais fracas do continente com um trabalho nas divisões de base liderado por ele e que levou vários jogadores venezuelanos a atuarem hoje em algumas as principais ligas do mundo.
Porém, o ex-goleiro precisará arriscar bem mais do que nos duelos anteriores para a Venezuela marcar seu primeiro gol nesta Copa América. A equipe perdeu por lesão o meio-campista Arquimedes Figuera e tem dúvida quanto ao defensor Mikel Villanueva, febril e que teme estar com dengue.
A Venezuela é a terceira colocada do Grupo A com dois pontos, atrás de Brasil e Peru, ambos com quatro e que vão se enfrentar no mesmo horário na Arena Corinthians. Já a Bolívia ainda não pontuou.
Assim, a Venezuela estará classificada às quartas de final em caso de vitória. Vai avançar em primeiro se ganhar por quatro gols de diferença e o outro jogo da chave terminar empatado. Mas se triunfar e houver vencedor em Itaquera, avançará em segundo. Um empate pode levar os venezuelanos a se classificarem como um dos dois melhores terceiros colocados, enquanto a derrota os eliminaria.
Somente uma combinação muito complexa de resultados envolvendo outros grupos permitirá que a Bolívia se classifique às quartas de final em caso de vitória. E o clima na seleção foi contaminado por declarações polêmicas do presidente da federação nacional e um controvérsia envolvendo o pagamento de premiação aos jogadores. O técnico Eduardo Villegas tenta blindar o elenco para o duelo que deverá ser o de despedida da Copa América. "O futebol é incentivo, sentimentos, atitude e nossa atitude continuará sendo positiva, de lutar", disse.
Referência do elenco, o atacante Marcelo Moreno atacou os dirigentes da federação. "Há comentários maliciosos sobre os nossos jogadores. Mas nós estamos aqui, dando a cara para melhorar o futebol da Bolívia, se eles nos derem as condições", disparou. Hoje na segunda divisão da China, ele garantiu que o incidente fortaleceu o grupo. "Eu tenho segurança que não afetará em absoluto o dia da partida."