Depois de um início de ano com fechamento de muitas vagas de emprego, as indústrias voltaram a contratar na região de Bauru. Segundo dados do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), entre as 37 diretorias regionais, a de Bauru obteve o segundo melhor desempenho em maio, o 12.º em abril e o terceiro em março.
Nestes três meses, foram criadas 750 vagas de emprego na região. Em janeiro, contudo, haviam sido fechados 1.650 postos de trabalho e, em fevereiro, extintos outros 150. O resultado abrange as indústrias em 25 municípios, incluindo as regiões de Bauru, Agudos, Boraceia, Duartina, Lins e Pederneiras.
| Renan Casal |
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| Gino Paulucci Jr., do Ciesp, analisa os números atuais |
Diretor regional do Ciesp em Bauru, Gino Paulucci Júnior diz que não é possível afirmar que os números apontam para uma tendência de crescimento do nível de emprego. Para ele, a variação, neste momento, reflete apenas os ajustes de contratação realizados pelas empresas em função da demanda por produção.
"Não há nada de excepcional acontecendo. Umas empresas contratam e outras demitem de acordo com o seu nicho de mercado. Pode ser que algumas tenham exagerado em suas demissões no início do ano e, agora, estão revendo seus quadros", detalha.
Segundo o diretor regional, embora as reformas propostas pelo governo federal estejam sendo encaminhadas, estas mudanças precisam efetivamente sair do papel para oferecer um cenário de maior segurança para o empresariado. "A expectativa dos industriais melhorou, principalmente neste último mês, mas, se houver algo que atrapalhe a aprovação destas reformas, podemos voltar a um ambiente de muitas incertezas, sem conseguir enxergar horizontes", comenta.
| Samantha Ciuffa |
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| Economista Carlos Roberto Sette comenta a retomada |
O economista Carlos Roberto Sette comenta que outro fator positivo que contribui para a retomada dos postos de trabalho perdidos ao longo da crise econômica brasileira é a diversidade de ramos de atuação da indústria regional. "Assim, mesmo quando um setor é afetado, outros não são com a mesma intensidade e número de vagas fechadas é menor", defende.
SEGMENTOS
Como exemplo, na região, ele cita segmentos como o alimentício e gráfico, que têm conseguido manter o nível de produção e, portanto, de empregos, em um patamar satisfatório. "Bauru também tem muitas indústrias menores de metalomecânica, além de fábricas de baterias automotivas, que ajudaram a estruturar esta recuperação de emprego nestes últimos meses".
| Samantha Ciuffa |
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| Pouco após perder o emprego, Silvana Alecrim já se recolocou em empresa do ramo alimentício |
Um exemplo é o caso de Silvana Alecrim, 29 anos, que foi contratada no começo deste ano para o cargo de compradora em uma empresa do ramo alimentício. Ela relata que trabalhava em outra empresa do mesmo setor, que acabou fechando as unidades de Bauru.
Formada em administração e especializada em engenharia de produção, Silvana mal saiu do emprego em que estava e já foi contratada novamente. "Aqui, tenho a oportunidade de realmente aplicar meus conhecimentos e desenvolver ferramentas em busca de melhorias", pontua.
Se a retomada do nível de emprego na indústria se consolidar, conforme observa o economista Carlos Sette, a tendência é de que o consumo no comércio volte a crescer e, por consequência, este setor também passe a empregar mais.
Lei de incentivo
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A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon) irá propor uma nova lei de incentivo para atrair empresas e impulsionar as já instaladas nos quatro distritos industriais de Bauru. Segundo a titular da pasta, Aline Fogolin, o texto está em fase final de redação e aproveita trechos do Programa de Atração de Investimentos (PAI) e do Programa de Desenvolvimento Industrial (PDI), do governo passado, que não foram implementados por falta de regulamentação.
"Pegamos o que tinha de bom nestas duas leis e estamos fazendo uma proposta mais atrativa e inovadora, que atende as demandas do mercado atual. É uma lei de incentivo, inclusive, que está atrelada à Lei de Inovação, que vai começar a ser regulamentada agora. Este alinhamento não estava previsto em nenhuma lei municipal", esclarece.
O texto está sendo redigido e revisado com a ajuda de parceiros, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Sindicato dos Contabilistas. A previsão é de que seja finalizado dentro de 30 dias.
No mesmo prazo, a Sedecon tem a intenção de apresentar à Câmara Municipal a nova Lei de Diretrizes dos Distritos Industriais, que não passava por revisão desde 2004. "O objetivo também foi tornar a lei mais inovadora. Abrimos mais o escopo de quem pode receber a concessão, melhoramos prazos para ajudar os empresários a sobreviver às crises de mercado e vamos tornar as fiscalizações mais efetivas destas áreas que estão sendo entregues em concessão", detalha.
Além da elaboração destas novas leis, Aline destaca, ainda, que Bauru adota a menor alíquota de Imposto Sobre Serviços (ISS) permitida no Brasil, de 2%, como mais uma estratégia para estimular a instalação de empresas na cidade.



