| Malavolta Jr. |
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| Ivan Mouta: algumas empresas trabalham com 4 gerações |
Lidar com as expectativas e necessidades dos trabalhadores de uma empresa já é um grande desafio para os gestores destas organizações. Essa tarefa, no entanto, tem o grau de dificuldade aumentado quando os funcionários pertencem a gerações distintas, já que existem diferenças naturais entre elas.
No entanto, em vez de representar um problema, esta multiplicidade pode ser um diferencial para a empresa, se o gestor souber potencializar o trabalho da equipe, aproveitando as habilidades e os conhecimentos trazidos por cada perfil de colaborador (leia mais no artigo abaixo).
| Samantha Ciuffa |
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| Cilene Giacometti: trabalhador tem de ter perspectivas |
Gerente geral do Bauru Shopping, Ivan Mouta explica que esta é uma preocupação crescente entre as empresas, especialmente as que buscam modernizar constantemente os seus modelos de gestão e passaram a entender que os resultados de uma organização surgem, necessariamente, das pessoas que trabalham nela.
"E, dentro de uma empresa, há, muitas vezes, quatro gerações convivendo, uma já mais sênior, mas ainda completamente ativa, outra que está entrando no mercado de trabalho, e outras duas no meio desta polaridade. Os gestores têm buscado saber lidar com as expectativas e a forma que cada geração é afetada, como ela gosta de ser tratada, como é mais produtiva, quais são os objetivos, o que motiva cada uma e o que a faz sentir-se valorizada no ambiente de trabalho", detalha.
Ele explica, por exemplo, que os mais jovens, pertencentes à chamada Geração Z, não trabalham bem com imposições e modelos autoritários, tendendo a produzir mais se atuarem de maneira integrada, com uma gestão mais participativa. "Há uma reclamação de que são pessoas que ficam pouco tempo no emprego, não lidam tão bem com pressão. É uma característica que não cabe julgar se é melhor ou pior. É uma realidade, uma geração inteira assim. E tem muito a entregar: é muito eficiente, porque faz várias coisas ao mesmo tempo, é antenada e de fácil adaptação a mudanças", aponta.
OLHAR PARA O FUTURO
Para que este entendimento seja possível, o gestor - normalmente alguém que já está há pelo menos 20 anos na empresa e conhece todos os processos da corporação - precisa ter o olhar voltado para o futuro e transformar seu modelo mental para entender, inclusive, que os jovens podem trazer novos pontos de vista, ideias e soluções que não tinham sido pensadas antes.
Já em relação aos veteranos, o maior desafio do gestor é continuar motivando este perfil de trabalhador, segundo análise da master coach e coordenadora do Grupo de Recursos Humanos do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Cilene Giacometti.
"Quem já está vislumbrando a aposentadoria precisa ser motivado a estabelecer objetivos, para que o trabalho continue fazendo sentido para ele. É uma pessoa que já desenvolveu uma carreira, já realizou tudo o que tinha de realizar. O que dificulta, para este trabalhador, é a falta de perspectivas, ou, se ele tem uma perspectiva, sabe que terá mais dificuldades por conta da idade, por conta das inovações tecnológicas, a velocidade das informações. Ele pode se sentir perdido neste contexto", observa.
Satisfação pessoal x recompensa financeira
Para Ivan Mouta, mais do que recompensa financeira, as pessoas buscam, hoje, alcançar satisfação pessoal, um aspecto que precisa ser considerado pelas empresas. "Os pais (homens), por exemplo, querem estar mais presentes em casa do que em décadas passadas. Se as empresas não se adaptarem a essa nova realidade e mantiverem a mesma receita o tempo todo, não vão conseguir reter talentos. E, sem pessoas boas, não vão crescer e vão perder para a concorrência, por mais que tenham um produto ou um bom serviço", pondera. Ele acrescenta que, embora a recompensa financeira tenha um efeito imediato muito positivo, o resultado não é duradouro. "É evidente que garantir participação nos resultados, ter alguma premiação faz parte e ajuda, mas não é o fundamental. No fim das contas, o principal é as pessoas se sentirem felizes e motivadas, terem reconhecimento interno, trabalharem em uma organização que permita alcançar novos cargos, estarem em um ambiente bom e satisfeitas na função que desempenham", completa.
"Pessoas são diferentes e não dá para tratá-las da mesma maneira"
Ivan Mouta
O mundo corporativo tem se mostrado cada vez mais preocupado com as pessoas, entendendo que é gente que faz a diferença nas empresas. Mas esse movimento ainda está engatinhando nas companhias. Há muito que evoluir e é preciso mais sensibilidade e sensatez no trato com as pessoas, percebendo que são diferentes e que não dá para tratá-las da mesma maneira, esperando que reajam da mesma forma ou agir como se fazia no passado, pretendendo que os resultados sejam os mesmos. A sociedade mudou e o modo como gostamos de ser tratados também.
Hoje vivemos algumas divergências de opiniões e comportamentos bem significantes dentro das empresas, muito por conta da convivência simultânea de quatro gerações no ambiente corporativo, sendo cada uma delas com características e formas de pensar e agir bem particulares.
Convencionalmente, temos algumas classificações para as gerações, uma das mais utilizadas as divide em Baby Boomers e gerações X, Y e Z. Os Baby Boomers surgiram logo após o fim da Segunda Guerra Mundial e são profissionais mais conservadores e, em sua maioria, não tão inovadores. A Geração X, formada por pessoas nascidas em meados da década de 60 até o final dos anos 70, surge já fazendo uso dos recursos tecnológicos e se caracteriza por ser um pouco individualista. A Geração Y, composta por indivíduos nascidos na década de 80 até meados da década 90, possui a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e apresenta um desejo constante por novas experiências, busca uma rápida ascensão, com promoções de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua. A Geração Z, formada por pessoas nascidas a partir de meados dos anos 90, é fortemente conectada à Internet, apresenta um perfil mais imediatista e tem alguma dificuldade em trabalhar em equipe e certa resistência à autoridade.
Quem estiver liderando essa miscelânea de pensamentos, aspirações e sentimentos tem de ter a compreensão que cada pessoa, de cada geração ou até da mesma geração, vai reagir de forma diferente a qualquer estímulo. O que motiva uma pessoa e eleva sua autoestima não vai necessariamente funcionar com outra e, ao contrário, pode desanimá-la ou até mesmo acabar com sua carreira, por vezes promissora.
Um verdadeiro líder não tem receita pronta para lidar com as pessoas, ele está sempre buscando maneiras corretas de interagir com seus liderados, procurando entendê-los em sua essência e fazendo com que atinjam o máximo de sua performance profissional e isso é mais factível quando estão, simplesmente, felizes e convivendo num ambiente agradável e harmônico.
Alcançar êxito nesta empreitada, evidentemente, não é nada fácil. Entender o ser humano é, talvez, a tarefa mais difícil que possa existir, mas não há outro caminho, não se faz uma empresa de sucesso sem gente e gente precisa se sentir bem. Um bom começo é respeitar as pessoas com quem se trabalha, com quem se lidera. Cobrar, exigir um trabalho perfeito e rápido faz parte do mundo corporativo, mas isso pode ser feito sem ser desrespeitoso, sem expor ou envergonhar o subordinado.
Um líder tem que ter o perfeito equilíbrio entre a cobrança e o elogio, entre a correção e a premiação e, acima de tudo, precisa conhecer sua equipe, suas diferenças e trabalhar para manter um ambiente harmonioso, independente das diferenças de idade entre as pessoas, seja qual for a geração de cada um, afinal, todos fazem parte do mesmo time, com um único objetivo, que é fazer a empresa crescer e poder progredir junto com ela. Essa missão é bem complicada, mas ser líder não é fácil e não é para qualquer um.

