| Samantha Ciuffa |
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| Guilherme Janson, vice-diretor da FOB; Carlos Ferreira dos Santos, diretor da faculdade; e Luiz Fernando Ferraz da Silva, coordenador da Medicina, falam sobre o futuro do curso em Bauru |
Em nova entrevista concedida nessa quinta-feira (27), o diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Ferreira dos Santos, garantiu que o segundo semestre deste ano letivo do curso de Medicina será iniciado ainda em julho, inclusive com a garantia de aulas em hospitais da cidade, por meio de convênio que está prestes a ser firmado com a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp).
Em reação à reportagem publicada nessa quinta (27) pelo JC, ele garantiu, mais uma vez, que não há qualquer movimentação interna para a mudança de perfil do curso ou mesmo sua extinção (leia mais ao lado), rebatendo informações que correram nos bastidores da universidade nos últimos meses e que preocupam autoridades e a população bauruense como um todo. "É preciso esclarecer que a verdade sai somente da diretoria da FOB. Todo o resto é mentira", afirma, complementando que o currículo do curso foi construído de forma conjunta, sem um idealizador.
O novo coordenador da Medicina, professor Luiz Fernando Ferraz da Silva, informou que as aulas do segundo semestre terão início no dia 29 de julho, junto com os cursos de Fonoaudiologia e Odontologia. Inicialmente, o cronograma previa que os alunos do segundo ano de Medicina voltariam às aulas no dia 22, mas houve o entendimento de que a melhor decisão seria unificar o calendário de toda a FOB.
"Não teremos nenhuma perda de conteúdo", acrescenta, salientando que a mudança não tem relação com a demora para contratação dos professores necessários para garantir as aulas para o segundo ano neste próximo semestre. Os concursos públicos já estão em andamento e a expectativa é de que sete docentes efetivos a serem contratados comecem a dar aulas somente em setembro.
Até lá, a FOB garantirá a realização das aulas a partir da parceria existente, desde a implantação do curso, com professores colaboradores da USP de São Paulo e Ribeirão Preto, bem como de outras instituições de ensino. "E isso não vai comprometer, estruturalmente, a realização das atividades", assegura o coordenador do curso.
CONTRATAÇÕES
Segundo o diretor da FOB, o atraso nas contratações foi provocado pelo ex-coordenador da Medicina, professor José Sebastião dos Santos, exonerado do cargo há cerca de três semanas. "Em março de 2018, quando assumi a diretoria, pedi a ele para que todas as providências fossem tomadas para a realização dos concursos. Conversei para que pedisse à reitoria para desmembrar algumas vagas, porque alguns médicos não querem contrato de 40 horas. Mas ele só foi assinar o documento para o desmembramento um ano depois", reclama.
DEMORA
Carlos Ferreira dos Santos destaca, contudo, que, a partir de agora, todos os concursos e contratações serão conduzidos pela diretoria da FOB. Em relação à demora para firmar convênio com a Famesp, Santos, mais uma vez, responsabiliza o ex-coordenador.
"Houve a solicitação para que cada coordenação de curso apresentasse um plano de trabalho e o único que não entregou foi o antigo coordenador do curso de Medicina", pontua, explicando que a intenção é firmar um único convênio para atender alunos de Odontologia, Fonoaudiologia e Medicina.
De acordo com o diretor, o plano de trabalho necessário já foi entregue pelo novo coordenador da Medicina e submetido à Famesp, que já teria acenado com uma pré-aprovação.
A expectativa é de que todos os trâmites sejam cumpridos dentro de um mês. Assim, os alunos do segundo ano do curso poderão ter as aulas previstas de atenção integral à saúde, em que examinam pacientes dentro dos hospitais.
Extinção e mudança de perfil descartados
A diretoria da FOB também descartou a possibilidade de alterar o projeto político-pedagógico da Medicina, que prioriza uma metodologia mais interativa desde o primeiro ano de curso. "Tanto é que, na reunião desta terça-feira, o Conselho Universitário da USP aprovou todas as vagas para 2020, incluindo as 60 do curso de Medicina", afirma o professor Carlos Ferreira dos Santos.
O professor Luiz Fernando Ferraz da Silva acrescenta, ainda, que a intenção é ampliar o número de vagas por turma para 80 ao fim do quarto ano de implantação do curso, ou seja, a partir de 2022. Como já havia destacado em entrevista ao JC, Carlos Ferreira dos Santos voltou a reforçar que a Medicina da USP em Bauru não será extinta.
Ele destacou, inclusive, que a idealização e implantação do curso contou com grande mobilização da FOB, tendo como uma das protagonistas deste esforço a professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado. "E outra coisa: nós queremos a Faculdade de Medicina (hoje, o curso de Medicina é vinculado à FOB e não tem faculdade própria). A sociedade não pode ter dúvidas disto. Meu mandato se encerra em março de 2022 e meu sonho é de que, até o segundo semestre de 2021, a faculdade já esteja aprovada pelo Conselho Universitário", completa.
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