Esportes

Imbróglio: 'Panela sob pressão'

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
A um mês de início de campeonatos, sem definição sobre Panela de Pressão, Sesi Vôlei Bauru e Sendi/Bauru Basket cogitam jogar fora da cidade

O Bauru Basket e o Sesi Vôlei Bauru ainda parecem distantes de um acordo com o Esporte Clube Noroeste para o uso do ginásio Panela de Pressão. As duas equipes começam a temporada 2019/20 no mês que vem, mas ainda não formalizaram um contrato de aluguel para os treinos e jogos no ginásio, o único em Bauru em condições de receber partidas de campeonatos oficiais. Os times já falam abertamente em procurar ginásios em municípios da região. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) adiantou ao JC que pode ajudar, mas só terá uma resposta a partir do final do mês.

Nessa segunda (1), o Noroeste chegou a divulgar que um acordo entre as partes estava em vias de ser fechado, mas o Bauru Basket, em entrevista coletiva, e o Vôlei Bauru, em nota oficial, comunicaram que não conseguem custear todas as despesas do ginásio - como aluguel, energia, água, entre outros, e ambos buscam alternativas e podem atuar fora de Bauru a partir de agosto, quando começa o Campeonato Paulista. O Bauru Basket ainda jogará o Novo Basquete Brasil (NBB), e o Vôlei Bauru disputará a Superliga, ambos a partir de meados de outubro ou novembro até maio do ano que vem.

O presidente cessante do Bauru Basket, Beto Fornazari - que ontem passou o cargo ao novo presidente André Goda - afirmou ser fora de cogitação assumir todas as despesas do ginásio, valor que pode chegar a R$ 50 mil por mês, e portanto, cada uma das equipes desembolsaria R$ 25 mil mensais. A prefeitura pagava, até abril deste ano, R$ 28,9 mil de aluguel. O município ainda arcava com as despesas de energia e água, o que passava de R$ 20 mil.

Estas contas praticamente continuariam com valores parecidos agora, e assim as duas equipes já gastariam R$ 10 mil cada apenas com as despesas. Já o aluguel, em tese, pode ter renegociação com o Noroeste, uma vez que o presidente Estevan Pegoraro afirma estar disposto a um acordo. Ainda não houve reunião entre os times, o que, segundo o Alvirrubro, deve ocorrer nos próximos dias, ainda sem data marcada.

JOGOS NA REGIÃO

Presidente do Sendi/Bauru Basket até essa segunda-feira (1), Beto Fornazari encerrou seu mandato afirmando estar preocupado com o uso do ginásio Panela de Pressão, já que não houve um desfecho. "Até o momento nada está definido, estamos muito preocupados com a situação do Panela, a equipe se apresenta no final desta semana e na terça-feira começam os treinos e não há local definido nem para treinos e jogos. Vamos buscar um plano B e procurar um ginásio que possa comportar os jogos. Em Bauru não há outro ginásio para comportar jogos oficiais", comenta. "A conta total do ginásio é algo indefinido, mas nos valores que foram apresentados está fora. Se somar o aluguel e as despesas, são R$ 50 mil, fica impossível. Por enquanto ainda não recebi nada da prefeitura em ter uma ajuda ou algo assim", lembrou.

Já o Sesi Vôlei Bauru enviou uma nota ao JC e confirma que pode mandar jogos fora de Bauru por conta da situação. "A Associação Vôlei Bauru informa que manteve conversas com o Esporte Clube Noroeste para saber das condições e valores para locação do ginásio Panela de Pressão. As conversas avançaram no sentido de valores para locação, mas se inviabilizaram em virtude das demais despesas como água, luz, manutenção e IPTU do referido ginásio. A associação não previu tais despesas em seu orçamento, não possuindo condições de arcar com tais ônus que eram suportados pela Prefeitura Municipal de Bauru. Infelizmente e contra a vontade desta associação, não teremos outra saída a não ser o mando de jogos nas cidades da região", afirma a nota.

Penhora e leilão

O ginásio Panela de Pressão foi penhorado pela Justiça do Trabalho e o leilão ocorreria dia 19 de junho, mas foi adiado e ainda deve ser remarcado. A prefeitura também entrou com ação civil pública buscando a posse da área, por entender que houve descumprimento da cláusula de impenhorabilidade da lei que autorizou a permuta da área do estádio Alfredo de Castilho e do ginásio com outra área doada anteriormente pelo município ao clube. Na semana passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu liminar aos credores do Noroeste suspendendo a possibilidade de transferência do patrimônio até a decisão final.

Prefeito estuda ajuda com repasse pelo Fundo de Esportes

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) já falou que não pode fazer um novo Refis para o Noroeste, o que permitira a retomada do aluguel, pois o clube não pagou as parcelas dos acordos passados. O que o município ainda pode tentar é uma ajuda ao Bauru Basket e ao Vôlei Bauru através do Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo. As duas equipes já recebem dinheiro do Fundo - cerca de R$ 60 mil anuais cada - e o prefeito diz que é possível um aditivo com mais recursos para os dois times, de maneira a ajudar no pagamento do aluguel e das despesas com energia, água, IPTU e manutenção.

O assunto será discutido com o Jurídico da prefeitura. "Essa é uma possibilidade que estamos analisando, conceder um aditivo pelo Fundo de Desenvolvimento Esportivo, o que permitira aos times bancar uns 60% dos gastos com aluguel e outras despesas. Vou esperar a venda da folha de pagamento, vai ser no fim do mês, até para definir o quanto teremos para gastar, estamos dispostos a ajudar mas não dá para ir além da nossa capacidade, pois a parte financeira está apertada", comentou. A venda da folha referida pelo prefeito é relativa ao banco que fará o pagamento do salário dos servidores nos próximos cinco anos e também a movimentação das contas da prefeitura. A estimativa é arrecadar, pelo menos, R$ 18 milhões no leilão marcado para 31 de julho.

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