O Mineirão vai tremer. A Seleção Brasileira encara a Argentina hoje, a partir das 21h30, no estádio em Belo Horizonte (MG), pelas semifinais da Copa América em duelo entre os arquirrivais valendo vaga na final da Copa América. As duas maiores potências do continente se enfrentam pela competição após 12 anos com a expectativa de uma partida histórica. Jamais houve um encontro entre eles por uma vaga na final.
Os canarinhos sofreram para eliminar nos pênaltis o Paraguai, após empate sem gols, nas quartas de final. Já os argentinos passaram sem grandes sustos pela Venezuela: 2 a 0. Se a Argentina tem o melhor rendimento no último jogo, o Brasil leva vantagem por não perder há 14 anos para os "hermanos" em jogos oficiais. As derrotas dos brasileiros neste período foram apenas em amistosos. São fatores que fazem todos esperar um duelo muito equilibrado.
O peso do superclássico fez o técnico Tite mudar de estratégia, ao tomar a rara decisão de não confirmar a escalação. O treinador revelou também estar ansioso e sofrer com insônia nas últimas noites a ponto de acordar de madrugada para anotar alguma ideia. "Será um grande jogo, um grande espetáculo. Por mais rivalidade que tenha, a gente só se rivaliza com quem a gente admira", comentou
A única dúvida no Brasil é se o lateral-esquerdo Filipe Luís será titular. O jogador tenta se recuperar de lesão na coxa direita. Se não estiver recuperado, Alex Sandro será o escolhido. O volante Casemiro cumpriu suspensão contra o Paraguai e está de volta à equipe.
Para o técnico argentino Lionel Scaloni, a semifinal propicia o jogo desejado por todos os fãs. "É uma partida que todos queriam ver, seja os torcedores desses países ou do resto do mundo, que vai querer ver pela televisão", afirmou.
O clássico sul-americano se torna um campeonato à parte justamente para os dois técnicos. Ambos buscam tranquilidade, porém por situações distintas. Tite está há três anos no cargo e convive com a pressão de ganhar a Copa América e de fazer o Brasil ter boas atuações. Uma eliminação diante da Argentina seria um fracasso pesado para o trabalho dele.
Scaloni vive o oposto. Com apenas 13 jogos na carreira de técnico, o interino sonha em ser efetivado e pode ter uma vitória sobre o Brasil ou até o título como um bom argumento para ter mais estabilidade no emprego pelos próximos anos. "Pela minha juventude e pouca experiência, eu não paro de aprender. Eu escuto sempre os jogadores e procuro refletir", disse o treinador de 41 anos.
A semifinal terá o confronto de propostas diferentes de jogo. O Brasil tenta desenvolver um futebol coletivo sem Neymar, enquanto a Argentina confia no talento de Messi como o grande condutor. "Os meus jogadores querem ser mais campeões pelo Messi do que por eles próprios", comentou Scaloni. Tite pensa o oposto "É a força da coletividade que potencializa os talentos individuais."