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Polícia Civil acha jovem que iria ser morto em "tribunal do crime"

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Polícia Civil/Divulgação
A polícia apreendeu maconha em uma biqueira que seria do grupo que jurou o jovem de morte

A Polícia Civil impediu, nessa quarta-feira (3) de manhã, que um adolescente de 13 anos fosse assassinado em Bauru. De acordo com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ele estava sendo julgado pelo "tribunal do crime". Sequestrado na tarde anterior, o garoto, que é de Duartina, teria passado a madrugada sendo torturado em uma construção no bairro Fortunato Rocha Lima. Segundo a polícia, a vítima, que já estaria até com a "cova pronta", foi encontrada em estado de choque.

Os responsáveis pelo "tribunal" seriam integrantes de uma quadrilha que controla o tráfico no bairro. Dois homens, de 19 e 20 anos, foram presos em flagrante acusados de tráfico e associação, tortura, tentativa de homicídio e ainda resistência à prisão e desobediência contra os policiais. Eles também responderão por corrupção de menor, já que um adolescente, de 17 anos, suspeito de integrar o bando, foi apreendido na companhia deles.

De acordo com o delegado Giuliano Travain, da DIG, o garoto foi encontrado escondido no interior de um barraco e entregue aos familiares. Ele tinha ferimentos nos pulsos, braços, pernas e região da barriga e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML). O Conselho Tutelar foi acionado e a vítima deve passar ainda por tratamento psicológico.

"Ele foi sequestrado e levado para uma construção, onde foi agredido por várias pessoas ao longo da madrugada, com chutes, pedaço de pau, barra de ferro e também foi sufocado com saco plástico. Quando o encontramos, ele já havia conseguido fugir e estava escondido em um barraco perto do Piquete, mas nem conseguia falar", cita o delegado. "A motivação ainda não está clara. Parece que ele foi acusado de ter subtraído uma bicicleta ou que teria ficado devendo ao tráfico", completa.

COMO FOI

A Polícia Civil agiu após receber denúncia anônima de que um "tribunal do crime" iria ocorrer na manhã de ontem, no Fortunato. A informação dava conta de que um garoto de 13 anos, que estaria jurado de morte por membros de uma quadrilha que controla o tráfico por lá, já estaria até com "a cova pronta".

A vítima teria passado a madrugada sendo agredida, mas conseguiu se desamarrar e fugiu do terreno em construção, no fim da madrugada, antes que a execução ocorresse.

Ainda de acordo com a polícia, cerca de 15 criminosos percorreram barracos de moradores da favela, durante a manhã, para procurá-lo.

As equipes da DIG chegaram no momento em que o grupo já havia se dispersado. Os dois homens e o adolescente foram capturados na rua 14 da favela e resistiram à abordagem.

Em um barraco próximo ao local, a polícia apreendeu 406 porções de maconha, que totalizaram cerca de 300 gramas, além de uma balança de precisão, itens para embalar droga e uma capa de colete tático.

Os capturados não confessaram os crimes e negaram a posse da droga, mas foram reconhecidos por testemunhas, segundo afirma o delegado Giuliano Travain.

Os dois homens foram levados para Avaí. Eles tiveram pedido de prisão preventiva solicitado à Justiça. O destino do adolescente apreendido pela Polícia Civil não foi informado.

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