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Copa América: Sem moleza


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Diego Vara/Reuters
Everton alerta que Peru melhorou após goleada do Brasil e pede atenção na final

A Seleção Brasileira descarta a chance de ter um jogo fácil com o Peru na final da Copa América, mesmo depois de ter enfrentado o adversário na fase de grupos e aplicado a maior goleada da competição: 5 a 0. Os jogadores avaliam se tratar de uma partida com condições diferentes e com o rival apresentando um futebol melhor após ter superado favoritos no mata-mata.

O Peru eliminou dois candidatos ao título no caminho à decisão, ao despachar Uruguai nas quartas de final, nos pênaltis, e o atual bicampeão Chile na semifinal com vitória por 3 a 0. "A equipe deles passou por algumas mudanças. Vimos o jogo deles na semifinal, eles tiveram mais posse de bola. Temos de estar atentos para a final", afirmou o atacante Everton.

O lateral-esquerdo Alex Sandro disse que por ter perdido de goleada para o Brasil, o Peru adquiriu aprendizado e estará mais preparado. "Cada jogo é uma história, cada final é uma história. Temos que estar preparados para um jogo de final. O Peru chegou pelos méritos deles. Eles evoluíram na competição", comentou.

A Seleção Brasileira começou ontem a se preparar para a partida final. O técnico Tite comandou um treino da equipe na Granja Comary, em Teresópolis, sob intensa neblina e sem contar com todos os atletas. O goleiro Alisson e o lateral-esquerdo Filipe Luís não foram a campo. Fizeram tratamento de problemas físicos.

Alisson sente um pouco de dor nas costas após uma queda sofrida ao fazer defesa no jogo contra a Argentina, no Mineirão, na última terça-feira. O jogador ficará sob os cuidados da fisioterapia e deve retornar ao trabalho na tarde de hoje. Já Filipe Luís continua em recuperação de uma lesão na coxa direita e cumpriu trabalho especial na academia para poder retornar à equipe.

Com o atacante Willian lesionado e fora da final, o Brasil cuida para não desgastar os jogadores nem para criar uma euforia excessiva.

O técnico Tite tem cobrado foco e concentração dos atletas, assim com considera o isolamento da Granja Comary importante para o elenco não se atrapalhar na preparação. A partir de agora, todos os treinos até a final serão fechados para a imprensa e para a torcida.

O jovem Everton, de 23 anos, disse que tem sido difícil controlar a expectativa. "Temos de segurar a ansiedade. Isso é bem importante. A gente quer que chegue logo no domingo, que a bola role. Temos de nos preparar bem. O Peru será um grande adversário", afirmou o atacante.

Tite de saída?

A Confederação Brasileira de Futebol resolveu se manifestar de maneira oficial após o jornalista Juca Kfouri publicar em seu blog no UOL uma possível insatisfação com a saída de membros da comissão técnica da Seleção Brasileira, o que poderia levar Tite a deixar o cargo ao fim da Copa América. "A Confederação Brasileira de Futebol manifesta sua confiança no trabalho da Comissão Técnica da Seleção Brasileira Principal. E reafirma que ela será mantida em caráter permanente", diz a nota. Sylvinho, ex-auxiliar de Tite e agora técnico do Lyon-FRA, deixou a Seleção antes mesmo do torneio continental. Os próximos devem ser Edu Gaspar e Fernando Lázaro. Coordenador de Seleções, Edu tem proposta do Arsenal. Já o analista de desempenho deve acompanhar Sylvinho no time francês. O Brasil pode ser campeão da Copa América no domingo, em final a ser disputada no Maracanã, contra o Peru. Caso saia de campo vencedor, Tite comemorará seu primeiro título à frente da equipe canarinho.

Competição tem ingresso mais caro que Eurocopa e ignora realidade local

Espaço é o que não faltou nos estádios brasileiros nessa edição da Copa América. A baixa procura por ingressos para o principal torneio entre seleções do continente chamou atenção e foi carregada por decepção e tentativas de explicação dos responsáveis.

O que não é difícil de entender é a causa desse cenário, afinal, os ingressos para a Copa América no Brasil são mais caros do que os tickets comprados pelas pessoas para assistir aos jogos da Eurocopa, realizada em 2016 na França.

A exceção dos R$ 60,00 cobrados para os setores sem cadeiras, particularidades da Arena Corinthians e Arena Grêmio, a entrada mais barata da Copa América custa R$ 120,00. Na Eurocopa, os ditos setores populares saem por 25 euros (R$ 110,00).

No torneio disputado no Velho Continente, o ingresso mais caro custa 895 euros (cerca de R$ 3.884 mil). Mais do que os R$ 890,00 cobrados para a final de domingo a ser disputada no Maracanã.

Apesar disso, o ingresso mais caro dos europeus representa 58% do salário mínimo dos anfitriões, hoje de 1.521 euros. Aqui no Brasil o salário mínimo é de R$ 998,00, ou seja, o ingresso mais caro para o jogo do título da Copa América representa 89,17% do montante.

Gareca diz que goleada para Brasil serviu de impulso ao Peru e avisa

Ricardo Moraes/Reuters
Técnico diz que Peru é finalista por méritos e que time só tem a opção de ganhar

O técnico Ricardo Gareca deixou o jogo contra o Brasil, 12 dias atrás, criticado veementemente pela imprensa peruana após ser goleado por 5 a 0 na Arena Corinthians. Uma classificação nos pênaltis e uma grande vitória sobre o Chile depois, porém, ele acredita que aquilo fez o grupo reagir bem. Por isso, sua visão é de que o reencontro com Tite e companhia, no domingo, no Maracanã, será bem diferente.

"Além da dificuldade de se enfrentar o Brasil, pelos seus jogadores, pelo técnico, é uma das melhores seleções do mundo mesmo. Mas é uma final, tem um clima diferente. Quando se chega em uma final, a única opção que temos é ganhar. Claro que sempre respeitando a seleção que temos frente, um time fantástico, mas eu confio nos meninos do nosso grupo", disse, lembrando do que teve de encarar após o vexame em Itaquera.

"Chegamos à final por mérito próprio nosso, conseguimos sobrepor as dificuldades que enfrentamos depois da dura derrota que sofremos. Qualquer sentimento de derrota é complicado de encarar, uma derrota como aquela produz críticas fortes. Mas tomamos como algo natural e normal. Isso feriu a sensibilidade de todos e nós conseguimos nos sobrepor a tudo isso. Isso é mérito nosso", avaliou, sempre exaltando o trabalho psicológico da equipe.

"Todos nós que jogamos futebol sabemos o quão difícil é passar pelo que passamos, ter que se recuperar de um jogo como aquele e enfrentar o Uruguai. Vamos ter que ter muito cuidado em todos aspectos. Se tivesse que escolher um momento para chegar à final, seria esse momento. Se queria que fosse esse o adversário? Não. Mas vamos analisar o Brasil e tirar as conclusões sobre o que é melhor para a final", assegurou.

Calmo ao ser questionado sobre qualquer tema, Gareca ainda fez questão de ressaltar a capacidade individual dos jogadores que vai enfrentar na decisão. Para ele, os próximos dias serão de pouco sono e muito trabalho para anular as forças do rival.

"O Brasil ocupa os nossos pensamentos. Seleções como o Brasil, a Argentina, o próprio Chile, Uruguai, como fazer para lidar com jogadores como esses. A dupla de ataque que eles tinham, a dupla de zaga deles. Mas, bom, vamos atacar pontos que consideramos importantes. Se começarmos a falar individualmente dos jogadores brasileiros, não é esse o caminho. Temos jogadores excelentes que também podem sobressair", concluiu.

Final de domingo marca retorno da Seleção Brasileira ao Maracanã

Jogar no Maracanã será novidade para boa parte da Seleção Brasileira no domingo, na final da Copa América contra o Peru. O estádio mais tradicional do futebol brasileiro perdeu tanto espaço nos últimos anos que a decisão do título marca a estreia no local de alguns jogadores e, de certa forma, até do técnico Tite.

Depois de bater a Argentina por 2 a 0, no Mineirão, e garantir vaga na final, o treinador revelou o quanto esperava pela oportunidade de atuar como técnico da Seleção no Maracanã, algo ainda inédito.

"Eu vou me tornar verdadeiramente técnico da Seleção Brasileira. A 'boleirada' sempre fala que só se torna jogador se jogou no Maracanã. É a mesma coisa com treinador. Eu vou trabalhar pela primeira vez como técnico da Seleção no Maracanã", comentou Tite.

Mesmo jogadores importantes da Seleção atual não tiveram a chance de jogar no mítico estádio. O volante Casemiro, por exemplo, foi revelado pelo São Paulo enquanto o Maracanã passava por obras e não atuou lá. O atacante Firmino deixou o Brasil muito cedo, ainda aos 19 anos, jamais disputou partidas da Série A do Brasileiro e vai pisar pela primeira vez no local na grande decisão.

Outros atletas só estiveram no antigo Maracanã antes da grande reforma realizada para a Copa de 2014. É o caso do meia Philippe Coutinho. "Sou do Rio, estou feliz por voltar a jogar na minha cidade. O Maracanã fica perto do bairro onde nasci (o Rocha)", comentou.

O lateral Alex Sandro se lembra com detalhes da sensação especial de ter jogado no Maracanã. "Eu fiz uma assistência pelo Santos em um jogo contra o Fluminense. É sempre uma emoção especial jogar no Maracanã. É o estádio em que todos os garotos sonham em um dia jogar", afirmou.

A última vez que a Seleção principal jogou no estádio foi em 30 de junho de 2013. O Brasil derrotou a Espanha por 3 a 0 na final da Copa das Confederações, naquele que foi o último título do Brasil.

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